Coleção da FLAD aproxima alunos da Lagoa à arte

Os alunos do Centro de Atividades de Tempos Livres (CATL) «O Borbas» situado na freguesia do Rosário, Lagoa, visitaram a exposição “Festa. Fúria. Femina  – Obras da coleção FLAD” no passado mês de agosto, no Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas, na Ribeira Grande

Andreia Oliveira ficou responsável por guiar e acompanhar os alunos ao longo da exposição © CLIFE BOTELHO/ DL

Foi numa tarde de agosto, que o Diário da Lagoa (DL) se dirigiu à cidade da costa norte da ilha de São Miguel para acompanhar a visita. Começamos pela conversa com Sofia Carolina Botelho, coordenadora do serviço educativo do Arquipélago que, em declarações ao DL, começou por explicar que “em todas as visitas guiadas às várias exposições e no que toca em particular a esta, a ideia é começarmos por desconstruir”.

“Começamos pelo tema que já nos dá aqui um mote sobre o que é que vamos ver lá dentro, depois deixamo-los explorar um pouco para verem que peças é que lhes chamam mais atenção. E, então, passamos para o momento onde se vai desconstruir algumas peças: do que é que elas falam, sobre o que é que os artistas estão a falar através daquelas obras, que temas é que são explorados, para depois passar para a atividade prática” conta-nos a coordenadora, salvaguardando que as atividades são sempre adaptadas à idade e necessidades do público.

Os alunos puderam colocar questões e viram a visita ser adaptada à sua faixa etária © CLIFE BOTELHO/ DL

Andreia Oliveira, do mesmo departamento do Arquipélago responsável por guiar e acompanhar os alunos pela coleção depois das boas vindas, questionou as crianças sobre o que o título «Festa. Fúria. Feminina», lhes transmitia. Soltaram-se expressões como “festas”, “presentes”, “muita gente”, “artistas” e “vontade de fazer”. 

“Festa, esta ideia de nós estarmos juntos, não é?” interroga Andreia, perguntando logo depois: “o que não pode faltar numa festa?”.

“Pessoas”, exclama um dos alunos, enquanto a guia aproveita para remeter para os artistas representados na coleção e para a “vontade de fazer” como preocupação e ponto de partida para as questões sociais.

“Aqui os artistas também vão trazer questões sociais, por exemplo, os direitos humanos e as etnias”, diz Andreia, enquanto começa por dar exemplo: “quando era da vossa idade, isto acontecia-me de forma inconsciente. Quando queremos pintar uma pele, o que é que nós pedimos? Olha passa-me aí a cor de pele. Estamos a assumir que a cor da pele é a nossa, mas existem quantas cor de pele? Devemos dizer a cor bege”, elucida perante o olhar atento dos pequenos visitantes.

“E «Femina» vem da palavra?” “Feminina”, respondeu uma aluna. 

“A dada altura, apercebeu-se que não haviam muitas artistas mulheres representadas na coleção. Então foi uma das suas preocupações trazer peças de artistas mulheres para esta coleção para haver igualdade de género”, explica Andreia Oliveira. 

“O que é que vocês acham que é uma coleção e o que é que vocês já colecionaram?”, questiona a responsável. “Carrinhos, bolas, cartas”, exclamam os alunos.

“Neste caso, uma coleção é um conjunto de obras de arte, pinturas, desenho, fotografia”, esclareceu, continuando a visita enquanto parava em pontos escolhidos e ao longo de toda a visita Andreia foi explicando cada peça, questionando, procurando que os alunos participassem da mesma forma, até que a certa altura ouviu-se o lamento de um aluno “as visitas passam depressa”.

Na sala-oficina os alunos do CATL “O Borbas” puderam dar asas à sua inspiração criando a sua própria arte © DL

Foi quando questionamos Cristina Costa,  assistente operacional d´ O Borbas, se os alunos estavam entusiasmados antes de chegar ao Centro de Artes Contemporâneas. “Alguns já conheciam o Arquipélago, uns entusiasmados, outros nem por isso, porque não sabiam o que esperar. A curiosidade era ver as caves que ainda não conhecem. Alguns já vieram connosco, mas a maioria vem com as escolas. Normalmente costumam fazer uma atividade aqui relacionada com a exposição”, avança a auxiliar.

No final da visita, encontramos uma sala-oficina dedicada a receber os alunos depois de visitarem a exposição com a atividade que muitos aguardavam. Os alunos meteram mãos à obra e foram convidados a fazer eles próprios arte. A exporem através das mais variadas técnicas aquilo que lhes inspirava depois de verem a coleção.

O DL, abordou alguns alunos, individualmente, sendo que David Arraial disse: “gostei das pinturas e aqui do Centro, já vim aqui muitas vezes. Fiz uma sopa de letras. Aprendi a fazer muitas coisas, a ver paisagens, como é que eram”. 

O David Cordeiro disse que gostou “mais foi dos animais” e inspirou-se nos peixes e no mar” para desenhar. Simão Silva explicou ao DL que gostou “de todas as salas e dos desenhos”.

Margarida Costa confessa que ficou “contente por vir” explicando que algumas peças  “expressam mais emoções”.

Conversando com os alunos, todos mostraram-se contentes pela visita à coleção, sendo que a parte que mais lhes agradou foi a atividade final.

Andreia Oliveira, quem guiou os alunos, contou que “é bastante desafiador [fazer este tipo de intervenção com as crianças] no sentido que temos os nossos conteúdos programáticos, temos as nossas exposições e temos que desconstruí-las e criar atividades de acordo com as faixas etárias e adequar os temas e as técnicas”.  

“Em julho e agosto temos sempre uma grande procura por parte dos ATLs e o que fazemos, tendo em conta as exposições, desenhamos várias atividades adequadas às várias faixas etárias deles. Temos vindo a replicar esta atividade nos vários ATLs e é engraçado as respostas deles porque são temas tão desafiadores e sensíveis que lhes provocam inocentemente logo o riso. Temos que desconstruir estes temas e fazê-los perceber o que está a ser descrito e como é que se aplicam aos dias de hoje”.

A exposição «Festa. Fúria. Femina.» da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento esteve patente no Arquipélago, na Ribeira Grande, entre junho e o dia 4 de setembro.

Clife Botelho

Categorias: Reportagem

Deixe o seu comentário