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Cientistas portugueses exploram o mar profundo dos Açores

© D.R.

Desde esta semana e até 8 de setembro, cientistas do Instituto de Investigação OKEANOS vão juntar-se à organização sem fins lucrativos OceanX, a bordo do navio de investigação americano OceanXplorer, com o objetivo de explorar dimensões menos conhecidas dos ecossistemas do mar profundo e do oceano aberto no arquipélago dos Açores. O navio zarpou da ilha do Faial em direção ao banco Princesa Alice, o primeiro monte submarino a ser investigado por esta expedição.

A zona económica exclusiva dos Açores é caraterizada pela complexidade e diversidade dos seus ecossistemas oceânicos e pela riqueza da sua biodiversidade. No entanto, estes ecossistemas estão cada vez mais expostos aos impactos das atividades antropogénicas que afetam o seu estado de conservação, o funcionamento e a capacidade de prestarem serviços ecossistémicos essenciais ao planeta e à humanidade.

Reconhecendo a urgência de garantir a conservação dos oceanos e implementar o uso sustentável dos recursos marinhos, com base no conhecimento científico, o Instituto de Investigação da Universidade dos Açores estabeleceu esta parceria com a OceanX, uma organização americana que trabalha com cientistas, governos e ONG’s para investigar os ecossistemas oceânicos do planeta.

A parceria com esta entidade filantrópica permitirá usar o RV OceanXplorer, o mais avançado navio de investigação e de comunicação mediática alguma vez construído, para investigar espécies e habitats que ocorrem tanto nos fundos oceânicos, como na coluna de água desta região única do Atlântico Norte.

Equipados com a melhor e mais avançada tecnologia de exploração dos oceanos, os investigadores irão recolher de forma intensiva, detalhada e rigorosa dados oceanográficos como temperatura, salinidade, oxigénio dissolvido, correntes ou nutrientes, informação bio-ecológica sobre as comunidades bentónicas construtoras de habitats (dos 200 aos 1500 metros), e sobre o comportamento de grandes peixes migradores pelágicos, vulneráveis, nomeadamente tubarões e jamantas, num ambiente vasto e tridimensional.

Telmo Morato, um dos dois colíderes da expedição, especifica: “Nós temos como objetivo central para esta expedição mapear, caraterizar e avaliar o estado de conservação das comunidades de corais e esponjas de águas frias em vários montes submarinos muito importantes na região, dando continuidade ao trabalho que estamos a desenvolver há cerca de uma década. Iremos também recolher amostras biológicas de organismos que vemos nas imagens, mas que ainda não estão identificados e que poderão ser mesmo novas espécies para a ciência”, disse.

Os resultados destas explorações contribuirão para caraterizar os valores ambientais e definir a importância ecológica de duas áreas emblemáticas da rede de áreas marinhas protegidas dos Açores, o banco D. João de Castro e o banco Princesa Alice.

Esta informação é indispensável para suportar as entidades decisoras na definição das melhores políticas públicas, baseadas no conhecimento científico, que suportem o desenvolvimento sustentável das comunidades costeiras, garantindo a conservação da biodiversidade dos recursos e dos serviços ecossistémicos marinhos.

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