Atitudes sustentáveis na cozinha

Catarina Rola
Nutricionista

A Sua Saúde Sempre

Neste processo evolutivo para um estilo de vida sustentável, o primeiro passo é implementar pequenas mudanças no dia a dia – reduzir, reutilizar e reciclar, que implica consumir com mais consciência e seguir a lógica do reaproveitamento. Sabia que 1,3 mil milhões de alimentos, cerca de um terço da comida produzida no mundo, são desperdiçados anualmente? Em Portugal, o número é de um milhão de toneladas, ou seja, anualmente, cada pessoa desperdiça em media 132 quilos de comida. E parte desse desperdício é feito em casa. Por isso, mudar de hábitos alimentares melhora não só a sua saúde como a do ambiente. Na edição anterior reforçamos e fundamentámos a importância do consumo local e o mais natural possível (fresco e a granel). Crie o habito de pensar de onde veio a sua comida e por que processos passou até chegar a si. Foi plantado, recolhido e entregue pronto para o consumo? Ou foi refinado, quimicamente transformado e sofreu um longo caminho até chegar ao prato? Este mês, focamo-nos na cozinha e listamos seis práticas que o leitor pode facilmente seguir para adotar uma dieta mais sustentável.

1. Evite desperdiçar alimentos. Fazer uso do alimento de uma forma completa, aproveitando talos, casca, além da parte tradicionalmente comestível. Exemplo disso, é o uso de talos de verduras para fazer quiches, cremes de legumes, tortas, pastéis salgados ou o consumo das cascas de fruta para a preparação de bolos, recheios ou infusões. Quando as frutas ou os legumes começam a ficar demasiado maduros, opte por congelá-los para posteriormente utilizá-los em sumos, sopas ou molhos. Reutilize a água da cozedura dos vegetais em outras receitas. Muitas vezes o destino desse líquido é o ralo da pia. Mas a boa notícia é que essa água, nutricionalmente rica, pode e deve ser reaproveitada. Para acabar com esse desperdício e, ainda, obter pratos mais saudáveis, dedicaremos a próxima edição à importância da água e à sua reutilização.

2. Faça compostagem. Quando o reaproveitamento alimentar não for possível, pode transformar as cascas e restos de alimentos em adubo, qual posteriormente poderá ser usado na horta ou mesmo nas plantas de casa. A compostagem é uma ótima forma de reaproveitar o lixo orgânico de casa e reduzir os impactos negativos no meio ambiente. Para isso, só precisa de uma composteira (caixa para realizar o processo), minhocas e lixo seco (folhas e outros resíduos orgânico de jardim).
3. Conheça a medida certa. Na Europa, como nos Estados Unidos, comemos em demasia. Convidamo-lo, por isso, a olhar para os pratos que tem em casa e optar pelos mais pequenos. A melhor forma para adequar as porções alimentares é utilizar a sua mão: a palma indica a porção certa de pescado ou carne, um punho para os hidratos de carbono, como arroz, massa ou batata, duas mãos abertas para os vegetais e uma igual para a fruta. Numa altura em que é preciso controlar o que entra e o que sai, esta dica será particularmente vantajosa.

4. Descarte o óleo de cozinha corretamente. Também o óleo de cozinha necessita ser descartado de forma diferente – guardado em uma garrafa PET e levado para um posto de recolha próprio. Quando despejado diretamente na pia da cozinha, sanita ou em ralos, o óleo contamina os lençóis freáticos e o solo. Informe-se qual o posto de
colheita da sua região, pois além de prevenir a poluição das águas, saiba que os óleos podem ser reciclados e até reutilizados para fazer materiais diversos, como o sabão, por exemplo.

5. Reduza os sacos de plástico de utilização única. Em muitos países do mundo o uso de sacos de plástico é totalmente proibido. Considere que o plástico é um material que demora 200 anos ou mais para se decompor no meio ambiente, pelo que prefira sacos reutilizáveis na sua ida às compras. Uma boa alternativa para isso são ecobags (bolsas de material reutilizável). Existem também sacos de tecido que pode usar para separar
os diferentes tipos de vegetais, frutas, legumes e verduras. Nos dias de hoje muitas pessoas também recorrem a kits reutilizáveis – com canudos de aço inox e copos de silicone que substituem os de plástico.

6. Conheça a sazonalidade dos produtos. Evite brócolos, tomates ou cerejas em Dezembro, por exemplo. A produção de frutas e hortícolas fora de época é, inevitavelmente, submetida ao uso de produtos químicos artificiais, e por isso, mais cara, menos nutritiva e menos saborosa. A sazonalidade conta muito, por isso conheça o calendário das frutas e legumes adaptados ao nosso clima. E dê-lhes preferência nas próximas idas ao mercado.

A nossa saúde depende não só do que escolhemos para alimentar-nos, como também das nossas atitudes e comportamentos responsáveis face ao meio ambiente.

(Artigo publicado na edição impressa de julho de 2020)

Categorias: Opinião

Deixe o seu comentário