Como adotar uma dieta sustentável?

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Longe de ser um bem comum como outros, a nossa dieta está na encruzilhada de múltiplos (des)equilíbrios. As decisões que tomamos em torno de nossa dieta, da produção ao consumo, têm um impacto no nosso ecossistema atual como um todo: perda de biodiversidade, aquecimento global e até desigualdades sociais. A necessidade de mudar para dietas e sistemas alimentares mais sustentáveis é cada vez mais evidente. Existem muitas maneiras de definir a sustentabilidade da cadeia alimentar, embora possa ser colocado dentro de uma definição mais ampla de ‘sustentabilidade’, que é ‘a capacidade de todos viverem bem dentro dos limites ecológicos da Terra’. Embora seja uma definição simples, alcançar isso representa um dos maiores desafios para a humanidade no século XXI. Como podemos garantir que todos tenham acesso a quantidades suficientes de alimentos seguros e acessíveis para promover a saúde humana e prevenir doenças? Ao mesmo tempo, como preservamos a saúde dos ecossistemas do nosso planeta, que fornecem os recursos vitais dos quais todos dependemos? Segundo a definição da FAO, a sustentabilidade das dietas vai além da nutrição e do meio ambiente, incluindo dimensões económicas e socioculturais. E o que significam então dietas sustentáveis? Dietas sustentáveis são aquelas com baixo impacto ambiental que contribuem para a segurança alimentar e nutricional e para a vida saudável das gerações presentes e futuras. Uma dieta sustentável respeita a biodiversidade e protege os ecossistemas, é culturalmente aceitável, acessível, economicamente justa, nutricionalmente adequada, segura e saudável, otimizando os recursos naturais e humanos.
O tópico é amplo e abrange toda a cadeia alimentar, desde produtores a consumidores, sem deixar de lado os distribuidores. E sendo uma questão a qual todos nós impactamos, este mês proponho-vos oito dicas fáceis de seguir para tornar o nosso consumo benéfico não só para a nossa saúde, como para a do planeta. Estas dicas não têm mais segredos do que o bom senso, e são comportamentos que podemos adotar regularmente.

1. Baseie a sua dieta em produtos de origem vegetal: frutas, vegetais, grãos integrais, tubérculos, nozes e legumes. Alimentos de origem animal deve ser uma parte moderada. A razão é dupla, por um lado, um consumo excessivo de alimentos de origem animal tem sido associado a um risco acrescido de certas doenças, como as cardiovasculares, a diabetes e o cancro. Por outro lado, a produção de alimentos de origem animal tem um grande impacto ambiental, especificamente responsável por 51% das emissões de gases de efeito estufa.
2. Planifique as suas compras e evite comprar em excesso alimentos ou outros produtos desnecessários à ocasião.
3. Prefira produtos sazonais e locais. Sendo os mesmos da temporada, o seu preço será mais barato e justo. Além disso, se falarmos de frutas e legumes, é mais provável que estejam no ponto de amadurecimento ideal e se nos referirmos a animais (pescado e frutos do mar, acima de tudo), estaremos a respeitar os seus ciclos de vida. Por outro lado, ao comprar a fornecedores locais, estará a contribuir positivamente para o seu ambiente social, favorecendo o desenvolvimento económico da sua região.
4. Opte por fazer as compras nas lojas do seu bairro, a pé. Mais uma vez, contribuirá para o desenvolvimento económico e social do seu meio, ao mesmo tempo que reduz a sua pegada ecológica.
5. Evite embalagens desnecessárias, compre a granel e escolha preferencialmente os produtos que façam um uso responsável da embalagem.
6. Se comprar produtos embalados, tente obtê-los de empresas locais com práticas sustentáveis.
7. Cozinhe os seus próprios pratos sempre que possível. Além disso, manter a tradição e a identidade culinária da sua região é outra forma de sustentabilidade, pois as receitas tradicionais são baseadas em produtos locais e sazonais.
8. Reduza a produção de resíduos alimentares e tire proveito de tudo o que possa ser usado. Para isso, é essencial investir algum tempo no planeamento das suas compras, das refeições, bem como na sua preparação. Apresento-lhe aqui um exemplo para reduzir sua pegada alimentar: se tiver restos de vegetais como cebola, cenoura, alho francês ou pimentos e não espera usá-los nos próximos dias, pique-os bem, coloque-os numa marmita juntos ou separadamente e congele-os. Dessa forma, poderá, por exemplo, preparar um molho, refogandoos mais tarde. Lembre-se de rotulá-los com a data do dia em que os congelou. Além de alimentos crus, existem muitos pratos que podem ser congelados, mas deixaremos esse tema para uma futura publicação.

Catarina Rola, Nutricionista

A Sua Saúde Sempre

(Artigo publicado na edição impressa de junho de 2020)

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