As Rosas de maio

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Foto: DL

Num destes dias primaveris, após acordar, olhei pela janela para contemplar o céu e a ribeira que passa mesmo atrás da Casa onde moro. Foquei o meu olhar numa roseira que se encontra no quintal. Naquele instante senti uma saudade enorme de um passado que me marcou (dizem que a saudade é o amor que fica). As rosas de Maio, que ainda não nasceram, fizeram-me recuar à infância, como se tivesse entrado numa espécie de máquina do tempo.

Para os cristãos, o mês de maio, envolvido pelas suas belas rosas, é dedicado a Maria, Mãe de Jesus e Mãe da Igreja. Com o meu olhar fixo na roseira, recordei –me das devoções de maio na minha velhinha, mas sempre nobre Igreja Matriz Lagoense. Facilmente, o meu pensamento se orientou para a contemplação da Imagem da Senhora do Rosário que se venera na dita Matriz. Ainda vejo as taças de azeite no seu altar e as belas rosas que o ornamentam. Ouço no coração uma ladainha de ave Marias que se assemelham a rosas, nas mais diversas cores e tamanhos, e que são oferecidas à Mãe de Jesus pelas vidas que a Ela recorrem. No meu íntimo sinto ecoar as vozes das gentes que cantavam Lembrai-vos que vos percenço, terna Mãe Senhora nossa… As rosas de Maio fizeram-me recordar também tantas pessoas que já passaram pela minha vida. Algumas já partiram, outras ainda vivem, fisicamente falando.

No início deste mês ofereço à Senhora, de Maio e de todos os meses, uma Rosa pela minha mãe e por todas as outras mães. Avé Maria…

Padre João Ponte

(Artigo de opinião publicado na edição digital de maio de 2020) 

Categorias: Opinião