“A função da astrologia é devolver a pessoa a si própria para que se conheça e se governe”

Overview

Foto: DL

Já fez mais de 5 mil consultas entre os Açores, continente, Canadá, Estados Unidos, Suíça, Luxemburgo ou Alemanha. Há 15 anos que Luís Moniz é astrólogo e dedica-se a tempo inteiro ao estudo dos astros

Tem 57 anos, nasceu na Lagoa e o céu é o seu campo de trabalho. Estudou no Centro de Estudos e Numerologia em Lisboa e dedica-se a tempo inteiro a fazer, ler e estudar mapas astrais. Luís Moniz faz o horóscopo do Diário da Lagoa e de mais oito órgãos de comunicação social. Quisemos conhecer melhor quem escreve uma das colunas mais lidas do jornal.

DL: Como surgiu o interesse pela astrologia?
Recordo-me que com 17 anos já tinha comprado uma enciclopédia das ciências ocultas, ao Círculo de Leitores, por isso já havia ali aquele gosto por essas áreas. Só mais tarde quando entro num gabinete de astrologia é que vejo que me conseguem retratar e definir, traçar o meu perfil ao detalhe, indo retratar a infância, na relação que estabeleço com a família. Achei uma coisa fantástica porque não me conheciam de lado nenhum e conseguiram traçar o meu perfil e completamente fascinado e fiquei com a ideia de um dia vir a fazer algo parecido com isto.

DL: Como é que a astrologia traça o perfil da pessoa?
Fazemos o mapa astral e através do padrão retratamos a pessoa nas várias áreas. Como é que é na vida amorosa, na relação com a fé e espiritualidade, a capacidade de iniciativa, de coragem, para tudo há uma explicação.

DL: A data em que a pessoa nasce define tudo o resto?
Exatamente, a data, a hora ajudam bastante em certos pormenores. As pessoas nem imaginam é que quando estamos a falar nas pessoas estamos a falar de acordo com o plano que está presente no universo, não é nada ao acaso.

DL: Há muita gente que o procura?
Cada vez vai aparecendo mais. Quando comecei a trabalhar na astrologia e falava que era astrólogo as pessoas davam-me as mãos para eu ler, o que não tem nada haver. Ainda não é uma área procurada de forma massiva porque a astrologia exige conhecimento, exige que a pessoa ganhe consciência da sua natureza. A função da astrologia é devolver a pessoa a si própria para que se conheça e se governe. A astrologia não é para colocar as pessoas dependentes, é para libertar as pessoas. E a maior parte das pessoas não querem esse conhecimento para assumirem responsabilidades e para tomarem conta de si, preferindo outras situações em que continuam dependentes.

DL: A astrologia dá-nos ferramentas para corrigir coisas para o futuro?
Exatamente. Nascemos na hora, no momento e na altura exata para encontrarmos a conjuntura astrológica que precisamos para o nosso desenvolvimento.

DL: De que forma é que a astrologia pode ajudar as pessoas?
Ao nível do autoconhecimento, conhecermos quem somos para podermos retificar o discurso. Ao contrário do que muita gente diz que “é o Karma e pronto”, é um engano, não é nada disso [risos], o Karma é mesmo para ser trabalhado. As coisas boas são só para consolar, mas não é o consolo que nos faz crescer, são as tensões. As tensões são um potencial de crescimento. Contudo se houver tensões, problemas e dificuldades mas não entendermos o propósito e como vamos resolver não vai servir de grande coisa. Pode haver muito sofrimento sem crescimento, porque não levamos ao entendimento.

DL: A astrologia não tem nada que ver com religião?
Nada. Albert Einstein que não é místico e é ateu, por isso não é suspeito, escreveu que a astrologia seria a única religião do futuro, porque a tendência mais tarde seria para todas as religiões desaparecerem porque coloca o poder na mão das pessoas e do plano inferior. A astrologia é a única que assenta nas leis da natureza e a única que está presente no universo. Isso, para mim, faz todo o sentido.

DL: Tem consciência que, mesmo as pessoas que dizem não acreditar nos signos, vão ao jornal ler a sua coluna?
Isso é que é curioso. Isso explica bem o tipo de consciência que existe. Porquê? Para já o signo é dez por cento da astrologia, o signo é só o sol. Falta todos os restantes planetas e outros que não são planetas, mas são pontos no universo com os quais a astrologia trabalha bastante. O signo é o sol a transitar para uma determinada constelação, mais nada. E depois de forma geral para toda a gente que nasce naquele mês, sob aquele sol, sob determinada constelação. E depois é engraçado porque vejo muita gente a ler no jornal e dizem “ah já viste o que diz aqui” e depois pego no jornal e já tem um ano ou dois. Passo pelos serviços das pessoas e estão a ler jornais antigos e estão a ler os signos. Está estudado que aquilo pode fazer sentido para dez por cento das pessoas daquele signo, na melhor das hipóteses. Quando comecei tentei não fazer esse tipo de previsões, pois ao fazer estamos a alimentar uma situação que não é exata, mas as pessoas gostam e querem. Se eu fosse colocar no jornal aquilo que acho que é importante, as pessoas não têm interesse, não gostam.

DL: Acha que ainda há muito preconceito na sociedade relativamente à astrologia?
Quando eu comecei na astrologia, há uns 20 anos atrás, comecei por visitar todas as escolas do primeiro ciclo de São Miguel, visitar a maior parte das escolas secundárias e depois instituições onde estavam pessoas com formação acima da média. E fui, em todo o lado, muito bem recebido. Até hoje, nestes anos todos, nunca tive ninguém que não acredite na astrologia. Tive pessoas que não conhecem a astrologia, o que é diferente. Nunca tive ninguém que conhecesse e depois não ficasse interessada.

DL: Que instrumentos é que usa para trabalhar?
Através do telemóvel ou do computador elaboro a mandala. É aquela roda que tem os 12 signos e que vai colocar os planetas com exatidão na hora certa, quer na hora do nascimento, quer no presente momento.

DL: Como lida com o facto de ter acesso a informações que a pessoa comum não tem?
A astrologia é uma ciência milenar que trata da relação dos planetas uns com os outros e na influência dos planetas na vida humana. É muito importante o entendimento desse todo. Estamos divididos só de uma forma física, porque na essência somos um só, temos apenas experiências diferentes para depois existir uma evolução total.

Sara Sousa Oliveira

(Entrevista publicada na edição digital de abril de 2020)

Categorias: Entrevista