Civismo, por onde andas?

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Foto: DL

Um destes dias era título de primeira página de vários jornais e também objeto de destaque em outros órgãos de informação, uma notícia que a todos devia deixar em sentido, no mínimo muito preocupados. Na verdade, pensar que 70% das chamadas para o número 112 realizadas nos Açores são falsas é alarmante, por um lado, e, por outro, revelador de algo que, infelizmente, talvez já não nos admire: a falta de civismo!

Cada cidadão, no seu dia a dia, nunca sabe quando precisará de usar este serviço, mas quer ter a certeza que ele funciona e dará as respostas necessárias em tempo útil para as mais diversas situações de emergência. Exige-se ao estado e a toda a cadeia deste serviço que assim seja para segurança de todos. Assim, como se explica que se ocupe este serviço com chamadas falsas? Como podemos entender que haja pessoas, sejam elas mais novas ou mais velhas, capazes de ocupar um serviço de emergência com atos a que não me atrevo chamar de brincadeira? Talvez sejam as mesmas pessoas que gostam de se divertir vandalizando mobiliário urbano, ou ainda a danificar tantos sinais de trânsito, ou que continuam a semear lixo por tantos espaços, e outros exemplos que se poderiam dar que são bem reveladores de que há gente que ainda não percebeu o que é viver em sociedade.

É bem possível que um dia, algum dos que usou a linha de emergência para explanar a sua imbecilidade venha a precisar de ser assistido e o socorro demore porque os recursos estavam ocupados com barbaridades semelhantes. Irão chover reclamações! É verdade que nunca saberemos quem são os responsáveis, mas não é menos verdade que todos temos a obrigação de alertar e reagir. É preocupante a indiferença crescente que nos assola perante tantos atos que em nada dignificam a condição de ser “CIDADÃO”!

São cada vez mais as ações de formação para a cidadania, de sensibilização para as regras da vida em sociedade. Nunca como agora se viram tantas ações objetivas neste sentido: é nas escolas, é nas autarquias, é nas instituições que de algum modo lidam na formação de crianças, jovens e adultos. Contudo, parece que quanto mais se pugna pela observância das normas da vida em sociedade, maior é a resistência para que o civismo seja um comportamento natural. Talvez esteja na hora de focalizar esta luta num espaço formativo de excelência: a Família! Não falta informação, não faltarão oportunidades, e, em cada lar, cada um deverá ser o primeiro agente da formação para a cidadania, começando por dar o exemplo! Talvez já estejam a pensar “- Já faço isto! Em minha casa já é assim!” Excelente! Então, talvez na casa ao lado ainda não seja assim e por isso é que nos perguntamos com frequência – Civismo, por onde andas?

Alexandre Oliveira, Professor

(Artigo de opinião publicado na edição impressa de março de 2020)

Categorias: Opinião