Trazer as emoções para dentro da sala de aula

Overview

Foto: DL

Os momentos de aprendizagem dos(as) alunos(as) são fortemente influenciados por aspetos emocionais que predispõem os mesmos a aprender, influenciando o seu sucesso, envolvimento e motivação na escola. Por exemplo, a emoção alegria é responsável por energizar os(as) alunos(as) a conquistar novos objetivos de aprendizagem e a desenvolver a sua criatividade e entusiasmo perante as tarefas escolares. Já a tristeza, quando não regulada adequadamente, pode contribuir para um maior fechamento do(a) aluno(a), levando-o(a) a dificuldades de convívio, à diminuição da motivação para desenvolver novas aprendizagens e a um agravamento de ansiedades individuais que prejudicam o seu desempenho. O mesmo ocorre com uma má gestão do medo, da repulsa ou da raiva, que pode traduzir-se em comportamentos mais persistentes de evitamento, retirada, agressividade ou oposição do(a) aluno(a) face ao estudo, à escola, aos pares e agentes educativos.

Trazer as emoções para dentro da sala de aula e aprender a lidar com elas como quem aprende matemática, história ou ciência pode fazer com que os(as) alunos(as) sejam mais bem-sucedidos na escola, mais empáticos e humanos na relação com os outros e mais resilientes perante situações de stress, frustração e imprevisibilidade.

Nos Açores, o programa de promoção de competências emocionais para crianças do 1º. ciclo do ensino básico: “Vamos Sentir com o Necas” constitui um exemplo inovador sobre esta matéria, oferecendo um conjunto de ferramentas simplificadas para ajudar a criança a lidar com as suas emoções e torná-la mais inteligente emocionalmente – algo que implica dominar algumas habilidades de modo crescente de complexidade. Tais como: (1) conhecer quais e que tipos de emoções existem, sejam elas básicas (alegria, tristeza, medo, raiva, nojo ou surpresa), secundárias (vergonha, ciúme ou culpa) ou combinadas, como a saudade (alegria + tristeza) ou o luto (tristeza + raiva), por exemplo; (2) identificar e diferenciar as emoções (isto é, os seus sinais verbais e não-verbais, psicofisiológicos e acontecimentos associadas); (3) sinalizar mudanças, na pessoa ou no ambiente; (4) prever e analisar as emoções, antecipar os seus trajetos prováveis no tempo e compreender os seus resultados; (5) tolerar, gerir sentimentos e ativar estratégias adequadas de autorregulação emocional.
Se for do seu interesse, Mayer e Salovey (1997) na obra “Desenvolvimento Emocional e Inteligência Emocional” abordam o tema com maior profundidade.

A par das leituras, acima de tudo, permitam-se sentir. Sempre ouvi dizer que “de pequenino é que se torce o pepino” por isso, logo de pequeninos na escola ou em casa, vamos falar de emoções e aprender com elas.

Rafael Teixeira, Mestre em Psicologia Clínica

(Artigo de opinião publicado na edição impressa de março de 2020)

Categorias: Opinião