Quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro

Nestes dias que antecedem as Festas de Carnaval e o início do Tempo da Quaresma, vivem-se, pelo menos nos Açores, dias festivos de reencontro de amigos.
São muitas as pessoas que se cruzam connosco em cada dia nas várias situações, mas nem todas são necessariamente nossas amigas. Porém, há pessoas que nos marcam para vida e são verdadeiras bênçãos nos nossos dias. Os amigos são escolhidos, mesmo que isto aconteça de forma natural e, para mim, são um sinal do amor constante de Deus. Embora não escolhamos os nossos parentes, podemos reconhecer que uma relação de amor autêntico, mesmo com os nossos familiares, tem por base a amizade. A amizade é uma manifestação de amor. Em grego a palavra Amor tem um vasto campo semântico e o amor amizade é-nos apresentado com a palavra philia. Assim sendo, o amigo é aquele que ama o seu amigo, gastando tempo com ele e fazendo dele uma pessoa única e irrepetível na sua vida.
No livro O Principezinho de Saint Exupery vemos como o principezinho se mostra irrequieto interiormente. Tem várias rosas no seu jardim, mas há uma que lhe tocou o coração de forma diferente. Depois de um longo caminho percorrido, encontra uma raposa que lhe recorda a essência da amizade: Cativar, que significa criar laços e acrescenta – Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que a fez tão importante para ti. Gastar tempo com o outro, escutando –o, conhecendo-o, compadecendo-se das suas feridas e iluminando-o nos seus caminhos, é próprio de quem se faz amigo.
Agradeçamos a Deus os nossos amigos, pois quem os encontrou, descobriu um verdadeiro tesouro e sintamo-nos eternamente responsáveis por aqueles que cativamos.

Pe João Ponte

(Artigo de opinião publicado na edição impressa de fevereiro de 2020) 

Categorias: Opinião

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