Anorexia Nervosa

Overview

A anorexia nevosa é um distúrbio do comportamento alimentar que se traduz, em linhas gerais, em medo extremo de engordar, obsessão por emagrecer, autoimagem corporal distorcida, restrição do consumo de alimentos que resulta numa perda, muitas vezes, drástica de peso.
Em alguns casos há uma ingestão muito limitada de alimentos, tipo restritivo, noutros a pessoa tem episódios de ingesta compulsiva de grandes quantidades de comida, seguidos de vómitos provocados e/ou purgação.
Geralmente esta perturbação começa durante a adolescência ou no início da idade adulta, é mais frequente no sexo feminino. Estima-se que, por ano, aproximadamente uma em cada 200 mulheres jovens apresenta anorexia nervosa. No entanto pode ocorrer também em indivíduos do sexo masculino e de outras faixas etárias.
São desconhecidas as causas que levam à anorexia nervosa, mas os fatores sociais e genéticos parecem importantes no surgimento/desenvolvimento desta doença. Os padrões de beleza da sociedade ocidental assentam em corpos magros, sendo as pessoas com excesso de peso consideradas menos atraentes. Esta pressão social sentida por pessoas suscetíveis pode originar o distúrbio.
A anorexia nervosa manifesta-se numa fase inicial numa preocupação crescente com a dieta e com o peso. A maioria das jovens que sofrem de anorexia nervosa já são magras, mas como têm uma autoimagem corporal distorcida vê-se sempre gordas. Quanto mais emagrecem mais ansiosas e obcecadas com o peso ficam.
A pessoa com anorexia nervosa, mesmo quando em magreza extrema, nega sempre estar doente e insiste que está gorda.
Psicologicamente são na sua grande maioria, pessoas meticulosas, compulsivas, inteligentes e são exigentes quanto à sua realização pessoal. Muitas vezes, os familiares e amigos só se apercebem da doença quando esta já se tornou grave.
É importante reconhecer os sinais e sintomas da anorexia nervosa de forma a poder ajudar estas pessoas uma vez que negam e escondem uma doença que pode ser fatal.
As pessoas com anorexia nervosa têm por hábito reclamar que são gordas, embora sejam muito magras, negam ser magras, pensam muito em comida, colecionam receitas e preparam refeições para os outros, acumulam, escondem ou põe comida no lixo, saltam refeições podendo fazer muitas horas de jejum, mentem sobre terem comido quando não o fizeram, pesam os alimentos antes de consumi-los e contam as calorias ingeridas, pesam-se várias vezes ao dia, praticam exercício físico de forma compulsiva, vestem roupas largas ou em várias camadas para esconder o corpo. A sua autoestima é avaliada em função de nível de magreza que atingem.
Podem apresentar frequência cardíaca, tensão arterial e temperatura corporal baixas, cabelo fino e ralo, aumento de pelos no corpo (lanugo), edema do abdómen e rosto por acúmulo de líquidos, diminuição da massa óssea entre muitas outras alterações orgânicas graves. Cerca de 10% dos casos de anorexia nervosa grave sem tratamento são fatais. Depois de diagnosticada a anorexia nervosa é tratada com recurso a medicação, psicoterapia ao mesmo tempo que são tomadas medidas para garantir que a pessoa consuma uma quantidade de comida que não ponha em risco a sua vida. Os doentes são avaliados e acompanhados por equipas multidisciplinares e às vezes necessitam mesmo de internamento hospitalar.
Relativamente à anorexia nervosa bem como a outras perturbações do comportamento alimentar é fundamental o envolvimento da família e amigos de forma informada e persistente atendendo que estes doentes sentem enorme relutância em alterar o seu comportamento.

Dr. João Martins de Sousa

Delegado de Saúde de Lagoa

(Artigo de opinião publicado na edição impressa de fevereiro de 2020)

Categorias: Opinião