Assaltantes terão conseguido levar mais de 150 mil euros de residência em Água de Pau

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Foto: Rodrigo Oliveira

Principal suspeito encontra-se em prisão preventiva. Investigação acredita que há mais envolvidos no caso mas ainda não fez mais detenções

Há mais de 40 anos que António (nome fictício), que pediu para não ser identificado, não guardava qualquer dinheiro em bancos. Habituou-se desde sempre a guardar o que era dele, com ele. Tinha tudo em casa: o ouro dele, da mulher e o dinheiro de uma vida. “O que eu apurava, ia sempre pondo ali, não punha nada no banco, aconteceu, o que é eu hei-de fazer?”. O que aconteceu, nem António, nem ninguém imaginaria.
Numa altura em que ter uma conta num banco é comum à maior parte das pessoas, ainda há quem mantenha velhos hábitos e recuse entregar o que tem, à guarda de terceiros.
O móvel que hoje guarda os inúmeros medicamentos que toma, foi em tempos, o móvel que guardava todo o dinheiro e ouro que possuía. No interior, agora aberto e sem portas, estão uma série de embalagens. Antes do assalto, no lugar das pequenas caixas de cartão, estavam cerca de 150 mil euros em dinheiro e várias peças em ouro. “Dentro do móvel tinha um cofrezinho de ferro bom, tudo ferro. Dentro do cofre tinha 50 mil euros, fora do cofre, dentro do móvel de madeira tinha perto de 100 mil euros. O cofre tinha uma chave, a chave rodava, tinha duas letras para rodar e quem sabia as letras de cor abria, quem não soubesse não conseguia abrir”, acredita, ainda sem saber bem como tudo aconteceu.

“Estava no quarto e não senti nada”
Visivelmente abalado, António conta o que tinha e o que deixou de ter, de um dia para o outro: “lá dentro tinha um cordão, o melhor que eu tinha, custou uns 4 mil euros, só o cordão foi um dinheirão na altura, agora valia muito mais, tinha ouro da minha mulher, uma aliança, dois anéis, levaram tudo”.
O roubo aconteceu na madrugada de 14 de janeiro de 2019. Os assaltantes entraram, sem deixar rasto. Terão recorrido a uma porta do quintal, que estaria aberta, para entrar na moradia. “Estava no quarto e não senti nada. De hora a hora estou acordado mas não senti nada”, garante António.

Não sentiu ele, nem um familiar que vive na mesma casa. Depois de carregarem o móvel com todas as notas e o ouro que lá estava, terão saído pela porta de acesso ao quintal e do balcão da moradia, terão descido até à rua, iniciando a fuga.
O alerta foi dado às autoridades de manhã, quando António acordou e se apercebeu que em casa não estava nem o móvel nem o cofre onde guardava os bens de uma vida. “A polícia esteve na minha casa tirando impressões digitais mas não tinha nada forçado, eles não partiram nada”, explica a vítima que admite pouco saber do processo.
O móvel de madeira acabou depois por ser recuperado mais tarde pela polícia. Foi encontrado abandonado no interior do antigo cinema de Água de Pau e entregue vazio ao dono. “Eles [os assaltantes] rebentaram as portas do móvel e o dinheiro andou todo”, explica António que vive agora apenas da reforma que tem.
Um ano depois, continua incrédulo: nunca me tinha acontecido uma coisa destas”. Diz ter aprendido da pior forma que ter dinheiro em casa não é seguro e garante que agora segue logo para o banco com o que lhe resta da reforma que tem.

Foto: Rodrigo Oliveira

Suspeito apresentava sinais exteriores de riqueza
De acordo com fonte próxima do processo, o principal suspeito foi detido no passado dia 17 de dezembro, por suspeitas de tráfico de droga, depois de terem sido efetuadas buscas na residência onde se encontrava. A polícia apreendeu alguma droga, balanças, uma televisão, um carro semi-novo e dinheiro.
O homem de 31 anos estava referenciado desde 2013. Atualmente encontrava-se desempregado e apresentava sinais exteriores de riqueza, o que terá levantado suspeitas por parte das autoridades.
Depois de ter sido ouvido por um juíz, o homem foi constituído arguido e viu-lhe ser aplicada a medida de coação mais gravosa, a de prisão preventiva, por perigo de continuação da atividade criminosa, relacionada com o tráfico de droga.
O processo corre no Departamento de Investigação e Ação Penal de Ponta Delgada onde o arguido aguarda julgamento em prisão preventiva.
A investigação acredita que existem mais envolvidos mas não há, para já, registo de mais detenções relacionadas com o caso.

Sara Sousa Oliveira

(Artigo publicado na edição impressa de fevereiro de 2020)

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