Editorial

Confesso que em quase uma década de profissão nunca pensei sobre o que escrever num editorial porque nunca imaginei assumir essa responsabilidade.
Até aqui, estive sempre do lado de quem assina as histórias que chegam a quem lê, ouve ou vê. Mas a vida acontece e, vários anos depois de ter saído dos Açores, dou por mim a regressar e a chegar ao Diário da Lagoa (DL) por intermédio do Padre Nuno que me contou que o jornal iria ficar sem diretor. Ele que nesta edição assina aqui ao “lado”, mais uma das suas acutilantes crónicas. Nada disto foi planeado: dirigir um jornal e escrever ao “lado” de um amigo. Não acredito em coincidências mas também não sei explicar porque não existem. Acredito sim que, quando os desafios cruzam o nosso caminho, temos o dever de fazer o melhor que podemos e sabemos. Sempre foi esse o meu norte e continuará a sê-lo a partir desta edição número 70 que inaugura um novo ano. O jornalismo local é aquele que, inevitavelmente, está mais próximo das pessoas. Que o diga o Norberto Luís, fundador do DL, entrevistado nesta edição. Quando começámos as reuniões, para “passar a pasta”, pude constatar uma proximidade entre diretor e leitor que só conheço entre vizinhos ou mesmo entre amigos. Como lagoense que sou, interessa-me conhecer mais e melhor a minha cidade porque o que se passa com quem está mais próximo, importa. E como jornalista, interessa-me ainda mais mostrar aos lagoenses e ao mundo quem é a Lagoa. Considero que esta missão só faz sentido através de um jornalismo sério, rigoroso e que ausculta os vários lados da história, seja ela qual for. E quando um jornal chega a nossa casa, seja através do papel ou do nosso telemóvel, devemos esperar que ele nos informe, acima de tudo, mas que seja uma ferramenta de trabalho coesa e estruturada na construção de uma democracia plena e plural. Acredito que só assim, e em liberdade, podemos ter uma sociedade capaz de estar à altura dos desafios que o mundo enfrenta porque a História fazemo-la nós, muitas vezes sem nos apercebermos, entre o terminar de mais um dia e o começo do que ainda está por vir. O jornal está vivo – e prestes a completar 6 anos – é de propriedade privada e independente, e vai continuar a existir na Biblioteca Nacional de Portugal para que nunca nos esqueçamos quem fomos e o que somos.

Sara Sousa Oliveira

Diretora 

(Artigo de opinião publicado na edição impressa de janeiro de 2020)

Categorias: Opinião

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