“Tenho o meu objetivo para o Operário e vou atingi-lo”

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Paulo Jerumito foi eleito por unânimidade em dezembro passado

Novo presidente do Clube Operário Desportivo reconhece o momento delicado do clube mas acredita que vai chegar onde se propõe. Paulo Juromito quer reabrir as camadas jovens,reequilibrar as contas e subir de divisão

Tem 39 anos e é natural de Lisboa. Aos 10, começou a jogar no Sporting e desde então esteve sempre ligado ao futebol. Diz que cresceu “entre pratos” porque sempre esteve ligado ao mundo da restauração tendo sido através dele que veio para os Açores, há 13 anos.

Como é que chega ao Operário?
Quando fico com a Traineira [que vendeu há dois anos].O Operário estava no campeonato nacional de séniores. Tinha jogadores muito bons, havia alguma dinâmica e força e a mim interessava-me que eles frequentassem o restaurante. Entretanto com a amizade que foi criada com o senhor Gilberto Branquinho, começou por aí.

Quais são os principais desafios do clube?
Conseguirmos estruturar e organizar o clube. Depois de o fazermos à nossa maneira, passa obviamente por criarmos uma formação muito forte, como este clube já teve…

Refere-se às camadas jovens? Recuperá-las?

Todas. E depois, na equipa sénior, subir de divisão, para podermos dar outra imagem porque é onde o clube deve estar. Primordialmente aguentarmo-nos, reorganizar, reestruturar, sistematizar, delegar, depois formação, equipa sénior, subir de divisão e depois a partir daí o mundo é nosso.

Quando pensa reabrir as camadas jovens?
Este ano já não podemos, mas para o ano. Iremos fazer um trabalho inicial a partir deste mês para podermos formar aquilo que temos em mente, que eu não vou dizer agora, mas é algo muito forte e grandioso à semelhança do que é o clube.

O Operário está sensivelmente a meio da tabela. Perspetiva ficar entre os três primeiros?
Matematicamente é possível ficar em primeiro.

E na prática?
Temos uma equipa técnica capaz, em quem confiamos, conseguimos criar mais algumas condições, precisamos de mais alguns “cavalos de corrida”, que vão chegar e vão trabalhar.

A dívida do Operário é superior a 350 mil euros. Está delineada a estratégia para abater este montante?
Uma parte sim, a outra parte temos de ver, temos de fazer ainda novas avaliações. Depois disso é que podemos tomar uma atitude e perceber o que temos de fazer para, de uma forma credível, tanto para os devedores como para os credores, fazê-lo de uma forma equilibrada mas que todos fiquem a ganhar, numa relação win-win que permita que ninguém saia desfalcado.

Quando chegou, o clube estava melhor ou pior do que pensava?
Não cheguei aqui de paraquedas. Vim caindo, vim tendo conhecimento através do [ex] presidente Gilberto Branquinho que me foi dando conhecimento das situações e portanto estou preparadíssimo para ver tudo e aplicar as estratégias que considero serem as melhores.

Qual é a mais-valia do Operário?
Atualmente é a formação.

Que não existe.
Sim. Hoje em dia até nos clubes grandes o investimento passa muito pela formação para poderem realizar capital. A nossa estratégia não será muito diferente, será igual, mas numa dimensão muito mais pequena, trazer os jovens lagoenses para o campo para poderem ser atletas.

O Operário perdeu vida quando encerrou as camadas jovens?
Obviamente que não a ganhou, perdeu um pouco de vida sim. Aquilo que queremos é inverter a situação para que os pais, as crianças tenham gosto em vir ao campo, tenham gosto em usar a camisola porque é uma camisola que não é tão levezinha quanto isso, é pesada, e muitos querem por a camisola mas é preciso criar condições. É preciso enaltecer o trabalho do senhor Gilberto Branquinho nos últimos 18 anos, 16 como presidente, e dar muito valor a uma pessoa que apanhou o clube numa situação menos boa. Se conseguir fazer metade, se calhar o meu trabalho não é assim tão mau quanto isso. Acredito na direção e nas pessoas que lideram o clube. Agora, temos aqui um fator importantíssimo, que é muito bom, que tem haver com os lagoenses. Eu sei que eles gostam do Operário, sei que eles vão apoiar o Operário, reparei nos últimos dois jogos que de repente começou a aparecer mais gente no estádio.

Porque é que acha que isso aconteceu?
Acho que eles [os adeptos] viram que era preciso sangue novo, e viram que se calhar vai ser possível e se calhar as coisas vão ser feitas de forma a que se traga outra vez a tal vitalidade, a tal força, dedicação, o esforço que há no fabril. Estamos aqui para trabalhar e todos os que vêm para aqui têm de saber que os fabris estão aqui para trabalhar, para lutar para suar, para morder e não desistimos enquanto não chegarmos onde queremos chegar.

Que é onde?
Por enquanto é subir de divisão. No outro dia vi um jogador de futebol a dizer uma coisa muito engraçada: “quando dormes sonhas, quando trabalhas conquistas”, e aquilo que efetivamente vamos fazer é trabalhar e espero que com o trabalho tenhamos as nossas conquistas. O sonho comanda a vida, não é? Mas se só sonhares não chegas a lado nenhum. Com certeza vamos todos trabalhar de uma forma muito forte para que cheguemos ao patamar que queremos chegar, vamos chegar.

Está otimista?
Não tem que ver com ser otimista. Tem que ver com as nossas crenças. Temos um objetivo delineado e quando tu traças o teu objetivo, sabes qual é o caminho. Quando não sabes qual é o objetivo andas aos esses. Tens o objetivo delineado tens é que trabalhar para chegar lá. Se trabalhar como deve ser, com afinco, com esforço, dedicação, chegas ao objetivo fácil. Hão-de haver situações que vão tornar o caminho difícil mas vamos ultrapassá-las. Otimistas somos todos por natureza, não é? Eu tenho o meu objetivo para o Operário e vou atingi-lo sem dúvida alguma. Vou chegar lá com todos aqueles que me rodeiam, com a minha direção, jogadores, equipas técnicas, formação, pais. Eles também começam a ver que eu sei onde quero ir e depois seguem-me, não é assim tão complicado quanto isso.

SSO 

(Entrevista publicada na edição impressa de janeiro de 2020)

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