Arte bonecreira de Lagoa-Açores exposta em Lagoa-Algarve

Um dos ex-libris da cidade de Lagoa, a arte bonecreira, estará exposta em Lagoa- Algarve, mais precisamente na Sala da Roda dos Expostos do Centro Cultural do Convento de São José, de 30 de novembro 2019 a 6 de janeiro de 2020.

Os artesões e a tradicional arte bonecreira, tem levado o nome do concelho lagoense e dos seus artistas além fronteiras, neste caso específico, as tradições e artes açorianas irão viajar até à cidade geminada de Lagoa-Algarve.

De relembrar que, o culto da Natividade difundiu-se com a progressiva cristianização da Europa, e nesse processo assumiu um importante papel a construção do presépio que se tornou uma tradição no período natalício. De génese medieval, o primeiro presépio foi construído por São Francisco de Assis em 1223 num bosque junto à cidade de Greccio. Nos alvores do Renascimento a prática chega aos Açores, cerca de 1439, trazida pelos frades franciscanos que acompanhavam os povoadores.

No século XVII aparecem em São Miguel (em conventos e casas particulares) os primeiros presépios “lapinhas”, construídos no interior de caixas envidraçadas (maquinetas) e no século seguinte em redomas. Nestas representações a Natividade, que constitui o tema central, pode coexistir com outras cenas bíblicas. Na decoração destas estruturas as figuras de barro emergem de ambientes decorados com conchas e flores confecionadas pelas religiosas.

Com a extinção dos conventos em 1832, as “lapinhas” passaram a produzir-se no espaço doméstico, configurando uma forma de arte popular.

Com a abertura das primeiras fábricas de cerâmica na Lagoa, em 1862, alguns dos seus funcionários iniciam a produção de bonecos de presépio em oficinas domésticas tornando-se os primeiros bonecreiros do concelho lagoense. Nesse processo, assumiu um papel de destaque a figura tutelar do artista bonecreiro Luís da Luz Gouveia, que influenciado por intelectuais que integravam o movimento regionalista – nomeadamente o etnógrafo Armando Côrtes-Rodrigues, o etnólogo Francisco Carreiro da Costa e o pintor Domingos Rebelo – introduz quadros regionais no presépio. É nesse contexto que a religiosidade do povo açoriano, expressa nas romarias quaresmais, nas procissões e nas festas do Espírito Santo, bem como as vivências rurais, passaram a integrar os temas patentes nos presépios produzidos localmente.

DL/CML

Categorias: Cultura, Lagoa, Local

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