“Um povo sem conhecer a sua história, … é um povo que não se conhece a si mesmo”

A Associação de Jovens Lagoenses – AJL, realizou, em setembro deste ano, o I Colóquio subordinado ao tema “A História da Lagoa”.

Segundo a organização, este Colóquio contou com um amplo leque de comunicações e de convidados com provas dadas nas suas respetivas áreas e cujo programa contemplou as várias vertentes da História do concelho.
Recordou Jacinta Carreiro, a presidente da AJL, que “a História da Lagoa tem, sem dúvida, de ser preservada e lembrada pelo seu povo, porque um povo sem conhecer a sua história, um povo que não consegue reconhecer o seu património, é um povo que não se conhece a si mesmo”.

Foi, aliás, o objetivo da realização deste colóquio para perpetuar o legado histórico e navegar, explorando, por vezes ‘mares nunca antes navegados’.

A presidente da AJL lembra que o povo é o autor da sua história, “somos nós que escrevemos a história da Lagoa que depois é perpetuada na cultura e tradições do nosso povo, no seu património e por isso somos nós que temos o dever de perpetuar o nosso legado porque a História não é anda sem o seu povo e o povo não é nada sem a sua História e é essa simbiose o motor cultural da nossa sociedade”, salientou.

Jacinta Carreiro adiantou ainda que “se é verdade que um povo cometeu erros na História, é verdade que fez também grandes feitos e obras, por vezes, mais do que prometia a força humana”.

Segundo a presidente da AJL aprender com os erros dos antepassados é crucial dar continuidade a grandes obras e feitos e, por isso, é que a história é essencial, pois, segundo lembrou Edmund Burke, “um povo que não conhece a sua história está condenada a repeti-la”.

A responsável pela Associação de Jovens Lagoense adiantou que, “no colóquio, vamos ao seio da nossa História para mostrarmos o que foi feito e o mais importante: despertar em nós um sentimento de missão que é dar continuidade ao nosso legado histórico”. Disse Jacinta Carreiro que é necessário levar o legado histórico mais longe.

Durante o evento, o arquiteto Igor França, da parte da Câmara de Lagoa, proferiu a palestra “O futuro Museu de Lagoa – Açores”, que considerou ser um projeto de promoção e educação.

Segundo disse, a autarquia tem realizado intervenções nos vários núcleos, estando para 2020 projetada a continuação dessas intervenções.
Segundo o coordenador da Área da Cultura e Educação da autarquia lagoense, as intervenções vão ao encontro de capacitar esses núcleos, distribuídos pelas cinco freguesias do concelho.

mbito deste colóquio, o pauense e autor Roberto Medeiros proferir a comunicação “A Vila de Água de Pau: como era antigamente”, onde realçou o papel desta vila como fator de desenvolvimento da Lagoa, e de ajuda ao desenvolvimento a outros concelhos da ilha.

Por seu turno Palmira Bettencourt falou sobre a família Leite, e em concreto da Cerâmica Leite, assim como a sua ação no desenvolvimento da Lagoa.

Joana Simas, Mestre em Património e Museologia, também Coordenadora Científica da Coleção Visitável da Matriz de Lagoa, levou ao Cineteatro Lagoense a palestra intitulada “O património imóvel religioso da Lagoa”, onde falou sobre as Igrejas e Ermidas da Lagoa, recordando a história destas no concelho.

Ainda no âmbito desde colóquio, o diretor do Jornal Diário da Lagoa fez uma apresentação sobre a história da ‘Imprensa na Lagoa’.

Lembrou Norberto Luís que, entre 1887 e 1937, publicaram-se 13 jornais na Lagoa.

Sandra Monteiro, numa das suas crónicas nas primeiras edições deste jornal lagoense dizia a propósito: “os jornais eram veículos de correntes de opinião, neste período de debates literários e filosóficos e de agitação política”.

Em consulta na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, encontramos esses 13 periódicos, embora alguns estejam incompletos, faltando algumas edições: Ecoo Lagoense (1887); Átomo (1888-1889); Pimpão (1889-1890); O Zé Careca (1889); A Quinzena (1890-1891); A Gazeta da Lagoa (1892-1894); O Bom Conselheiro (1894-1895); O Julgado Municipal (1899-1907); O Sul (1900-1901); O Lagoense (1903-1927); O Vigilante (1905-1905); O Vigilante II (1916); A Semana (1936-1937).

Em suma, e recordando o que disse a professora Sandra Monteiro na sua crónica, tratavam-se de “jornais de uma época controversa que pretendia dar voz à opinião pública mas que muitas vezes, influenciavam e moldavam a ideia daqueles que liam. Ligados aos interesses locais, os jornais lagoenses apontavam críticas e soluções se eram opositores das causas governamentais ou comunicavam feitos e ações se eram defensores daqueles que dominavam intelectual, religiosa ou politicamente o concelho”.

DL
(Artigo publicado na edição impressa de dezembro de 2019

Categorias: Lagoa, Local

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