Manuel Avelar: o presidente ganhador e o voluntário de causas

Manuel Eduardo dos Santos Avelar nasceu a 12 de dezembro de 1945, na ilha de São Jorge, tendo depois partido para a Terceira com apenas seis anos de idade, onde permaneceu até aos quase quinze anos de idade, altura em que emigrou para o Canadá, pois o seu pai estava emigrado na altura. O seu pai era Manuel Avelar e a sua mãe Amanda Avelar, sendo que Manuel Eduardo dos Santos Avelar teve doze irmãos – uma família muito numerosa [uns nasceram no Canadá, outros em São Jorge e também na ilha Terceira].

Como profissão, trabalhou no Canadá, no ramo das madeiras, até fazer vinte e oito anos de idade [tendo partido para lá ia fazer quinze, relembre-se]. Chegou a São Miguel através de Ivone Avelar, sua esposa, que conheceu na escola, na ilha Terceira. Depois, emigrou, mas vinha a Portugal de vez em quando, namorando sempre, e cruzando-se, pelo meio dessa história, uma típica padaria situada em Nossa Senhora do Rosário.

Com efeito, o atual sogro do Sr. Avelar, estando outrora emigrado no Canadá, e possuindo um irmão que morava em São Roque, veio então para São Miguel. Depois, adquiriu uma padaria em Nossa Senhora do Rosário, precisamente. A Sra. Ivone veio da Terceira para São Miguel, já que a padaria pertencia ao seu pai, mais a sua mãe, tendo-se encontrado mais tarde com Manuel Eduardo dos Santos Avelar, em São Miguel, que se tornou proprietário da padaria em causa em 1979, em sociedade com o seu cunhado, deixando de exercer funções como gerente da mesma em 2001, altura em que a vendeu.

Foi presidente do Clube Operário Desportivo. Chegou lá era presidente o Sr. Afrânio Pereira. Depois, ficou vários anos na Direção, passando pela presidência o Sr. Eduardo Almeida, entre outros, e acabando por ser presidente, depois de se ter candidatado ao mesmo posto, no qual permaneceu durante 11 anos.

“Consigo ser o presidente mais ganhador do Clube Operário Desportivo. Apostava-se para ganhar”, declara o Sr. Manuel Avelar em declarações ao jornal Diário da Lagoa, tendo-se ganho, na altura, “campeonatos, Taças de São Miguel, Taças de Honra, a Taça Açores, era conhecido como o presidente mais ganhador do Operário”, tendo trabalhado com vários treinadores: Armando Fontes, o Prof. José Carlos Santos, o José Carlos Cabral, o Jaime Graça, entre outros, destacando-se vários jogadores que “passaram pela sua mão”, a título de exemplo: o lendário “Pauleta”, o Mariano, o Vítor Simas, o José Maria, o Mário, o Luís Rebelo, o João Manuel, que jogava no Santa Clara, o Jaime Correia, o Pedrinho, o “Gringo”, o “Ganeira”, que jogava no Rabo de Peixe, entre outros e outros.

“Fui Campeão dos Açores, pus o Operário na Série E e, quando saí, deixei o plantel preparado para aquela época. O Fernando Jorge [Moniz] já era membro e deixámos a tesouraria em boas condições”. Criou, igualmente, as camadas jovens do COD, desde a miudagem aos juniores, já que quando foi para lá tal coisa “não existia”.

“Fomos uma vez jogar para a Vila Franca [com as camadas jovens], nunca mais me esqueço, o Marinho Varão ia à frente deles, nas carrinhas da padaria, com umas camisolas, uns calções de qualquer maneira, uns com sapatas, uns com botas”, sendo que, naquele tempo, o relvado “ainda era pelado”.

Envolvido no desenvolvimento do campo de jogos bem como intimamente envolvido na criação e edificação da atual sede do Clube Operário Desportivo, Manuel Eduardo dos Santos Avelar foi também presidente, durante dezasseis anos, da Comissão de Festas e da Comissão Fabriqueira da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, na altura convidado pelo Sr. Augusto Soares.

“Não percebia nada daquilo”, assume, e, acrescentando-se a esse facto curioso, logo no primeiro ano de presidência, aquando da preparação para as festas, puxado pelo Jorge Luís, “cai o medalhão da Igreja”, numa equipa cooperante que contava com homens como José Viveiros, José da Arruda, Dorvalino Cordeiro, João Carlos Cabral, entre muitos outros grande colaboradores e beneméritos, isto no tempo do pároco João Raposo Leite.

“Fez-se, na altura a maior obra da igreja”, que foi precisamente a sua restauração por dentro e por fora e a colocação do primeiro tecto. Sempre com a ajuda de beneméritos anónimos, gente de dentro, gente de fora, mas de gente que ajudava no que podia. Nota ainda para uma pessoa que é o Sr. Fernando do Espírito Santo, “que deveria ter tido uma grande homenagem aqui na Lagoa”, pois “era um homem que dava tudo para a Igreja”, sublinha Manuel Eduardo Avelar. Fernando do Espírito Santo morava mesmo em Nossa Senhora do Rosário, sendo um ávido voluntário e benemérito durante largos anos para a sua paróquia de coração.

Para além disto tudo, o Sr. Avelar foi um dos fundadores do Centro Sócio-Cultural de São Pedro, e integrou a sua Direção, inclusive, isto no tempo do saudoso pároco João Raposo Leite, primeiro presidente daquela instituição.

Militante do PPD-PSD – Partido Social-Democrata -, acabou, um dia, no tempo do Mota Amaral, por se desvincular, “acabando de vez”. “Nunca mais fui militante do PSD”, mas, antes, contudo, integrou nos mandatos de 1983-1985, sendo presidente da Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Rosário António Manuel da Costa Varão, a Assembleia de Freguesia de Nossa Senhora do Rosário. O mesmo aconteceu também no mandato de 1986-1989, sendo presidente de Junta também António Manuel da Costa Varão, onde integrou a mesma Assembleia de Freguesia, como membro.

DL/JTO
(Artigo publicado na edição impressa de outubro de 2019)

Categorias: Lagoa, Local

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