Hoje e Outrora

O mar acolheu-se na calmaria da tarde, refletindo um Sol enorme e doirado, para um longínquo horizonte sem princípio definido nem fim que se adivinhe.

Enquanto as ilhas, na agradável surpresa de todos os dias, cingiam esta dádiva da natureza que a verdade não esconde nem necessita enaltecer, os remos de um barco fendiam, a ritmo cadenciado, o vasto lençol azul-anil-doirado daquele mar tão ilhéu quanto as suas gentes, originando múltiplos círculos concêntricos que, alargando-se, pareciam emoldurar um cardume de cachalotes, saudando quem os olhava à distância, rumando lestos e alegres, para o cair da noite que breve os acolheria, enquanto o canal, na quietude da sonolenta mansidão estival, também parecia recolher-se à tranquila e acolhedora dolência da maré.

Em tempo… aí pela manhã, o foguete do vigia chamaria os homens das companhas que, em correria alegre e envolta de esperança, arriavam os botes e, de sorriso rasgado, apregoavam em voz firme e incontido ânimo:

– baleia… baleia à vista!!

                                                                      Ruben Santos – 2011
(Artigo publicado na edição impressa de setembro de 2019)

Categorias: Cultura, Opinião

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