Museu de Lagoa – Açores “já é uma realidade palpável”

O jornal Diário da Lagoa esteve à conversa com Igor França, coordenador na Área da Cultura e Educação, da Câmara Municipal de Lagoa, a propósito do futuro Museu de Lagoa – Açores, que deverá ser uma realidade. Como nos explica, em declarações, Igor França, “será um museu municipal designado por Museu de Lagoa – Açores, com sede no convento de Santo António (entendido como o repositório dos três pilares da memória concelhia – Museu, Biblioteca e Arquivo Histórico) e outros núcleos quer de tutela camarária, quer de diversa tutela pública ou privada, disseminados pelas cinco freguesias do concelho”, acrescentando que, numa primeira fase, “terá cinco núcleos de tutela camarária (convento de Santo António, Núcleo museológico da Casa do Romeiro, Casa da Cultura, Núcleo museológico do Cabouco e a Mercearia Central-Casa Tradicional). Os núcleos que têm tutela diferente são a Coleção visitável da Igreja Matriz de Santa Cruz e os núcleos museológicos da Ribeira Chã, ambos da responsabilidade das respetivas paróquias, e a Tenda de ferreiro ferrador da família Benevides, com quem já celebrámos protocolo. A intenção é cobrir todo o concelho, e conferir coerência programática aos diferentes núcleos que estavam desarticulados e ofereciam uma museografia desatualizada”.

O coordenador na Área da Cultura e Educação revela que “no convento de Santo António ficarão instaladas duas exposições- âncora: o Núcleo museológico do Presépio e o da Memória do Território (que se encontra em fase de preparação e onde se abordará a história concelhia e a do convento onde se acolhe), bem como uma área para exposições temporárias de temática variada. Na Casa da Cultura criou-se a exposição- âncora onde se expõe uma parcela da coleção de arte do município, bem como uma área para exposições temporárias onde se homenageiam instituições e personalidades lagoenses”, sublinhando, ainda, que “os restantes núcleos expõem temáticas variadas em que se abordam aspetos diversificados das nossas tradições e identidade, com destaque para o do Cabouco onde, para além da homenagem aos antigos ofícios já aberta ao público, na segunda fase as alfaias agrícolas darão voz ao povoamento micaelense segundo uma perspetiva etnográfica contemporânea”.

Adotando-se, para a efetivação do projeto, que já está em curso, “uma intervenção faseada nos diversos núcleos”, a verdade é que essa intervenção, segundo Igor França, “passou pela implementação de museografia pedagógica e remissiva com a qual se pretende incentivar o visitante a construir conhecimento percorrendo o maior número de núcleos da instituição. Neste momento foram já remodelados ou criados de raiz o Núcleo museológico do Presépio, o Núcleo museológico da Casa do Romeiro, a exposição- âncora da Casa da Cultura, a Mercearia Central-Casa Tradicional, a fase I do Núcleo museológico do Cabouco e a Coleção visitável da Matriz de Lagoa, que inclusivamente recebeu uma menção honrosa da APOM. Inaugurámos em julho a nova museografia da Tenda de ferreiro ferrador e estamos a trabalhar já nos núcleos da Ribeira Chã. Na sede foi também concebida uma loja (o processo de definição e aquisição de merchandising está a decorrer), e no próximo ano será criada a cafetaria. As acessibilidades foram outro aspeto que nos preocupou, e nesse sentido instalámos uma cadeira elevatória no convento e disponibilizámos os documentários nos pisos térreos dos outros núcleos, permitindo aos visitantes com dificuldades de locomoção fazer uma visita virtual às exposições e suas temáticas”.

Relativamente, em específico, ao Alambique, localizado em Nossa Senhora do Rosário, o mesmo núcleo será “integrado na estrutura do ML-A numa segunda fase, após a intervenção de renovação museográfica de que será objeto. Nessa segunda fase poderão ser também integradas outras instituições que já manifestaram essa vontade, como o Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores”, revela-nos o coordenador na Área da Cultura e Educação.

Considerando que “os núcleos museológicos enquanto espaços de educação não formal já têm um impacto importante na oferta cultural e educacional do concelho, nomeadamente a nível da população estudantil”, até porque se iniciou no ano letivo de 2016-2017 uma parceria com as escolas Secundária de Lagoa e Básica Integrada de Água de Pau, que consiste na realização de visitas de estudo de todos os alunos do 8.º ano do concelho, relativamente ainda a outros impactos que o Museu de Lagoa – Açores poderá vir a provocar, por exemplo no Turismo, Igor França afirma que “no que respeita ao Turismo, nomeadamente aos fluxos falantes de línguas estrangeiras, disponibilizámos nos núcleos já remodelados toda a informação em inglês, quer nos descritores técnicos das peças expostas, quer nos catálogos, quer ainda nos documentários que são legendados nessa língua. Já a nível da divulgação temos em implementação vários eixos, o novo site que será ativado brevemente (e onde serão disponibilizados os documentários das exposições, mesmo das temporárias já encerradas) a aplicação Smart City que conterá informação aos visitantes, e o Caderno de Serviço Educativo que concebemos (suporte digital que contém propostas de atividades para todos os níveis de ensino) e que será divulgado no início do próximo ano letivo. Já contatámos também agências de viagens, que foram convidadas a visitar-nos com o propósito de lhes dar a conhecer a nossa oferta a esse nível, tendo-lhes também sido enviada uma brochura preparada para o efeito”, disse.

Se o futuro Museu de Lagoa – Açores poderá ser uma realidade em breve, o mesmo, considera, “já é uma realidade palpável que desenvolve atividade variada na sua área de competência”, acrescentando, por fim, que “no que respeita à formalização jurídica da instituição, que decorrerá ainda durante este ano civil, foram já dados diversos passos, nomeadamente com a aprovação do seu regulamento pela Câmara Municipal e Assembleia Municipal de Lagoa. Presentemente, estamos a trabalhar no documento fundador, que constitui uma imposição legal, e na produção de diversa outra documentação da especialidade (normas de conservação, definição de políticas de aquisição, etc.). Paralelamente foi já encetada a futura integração na Rede de Museus e Coleções Visitáveis dos Açores, tendo o ML-Açores estado presente na qualidade de observador na sua última reunião, que decorreu em Vila Franca do Campo a 13 de maio”, termina.

DL/JTO
(Artigo publicado na edição impressa de setembro de 2019)

Categorias: Cultura, Lagoa, Local

Deixe o seu comentário

Your e-mail address will not be published.
Required fields are marked*