Opinião: A gestão de uma associação de jovens

Atualmente, ser dirigente de uma Associação Juvenil é, especialmente para quem é novato nesta experiência, navegar por “mares nunca dantes navegados”, mares de potencialidades do associativismo juvenil bem como mares de vulnerabilidades que assolam as associações juvenis.

Eu, em cinco meses como presidente de uma associação juvenil do concelho de Lagoa – a Associação Jovem Lagoense -, posso garantir que o associativismo é uma das mais nobres formas que os jovens podem ter uma voz ativa na sociedade, desenvolvendo uma postura crítica e cívica e combatendo a inércia que podemos considerar uma “epidemia” que tanto se prolifera no seio da juventude de hoje.

Hoje em dia, é árduo fazer com que um jovem se sinta interessado em participar em associações ou movimentos e isto, posso afirmar, é uma das maiores fragilidades do associativismo: angariar jovens para dar continuidade a uma sociedade ativa que tanto se almeja.

Contudo, nada é mais gratificante do que ter jovens interessados e, sobretudo, com uma postura crítica que possam dar à sociedade o seu esforço e atividades benéficas que possam desenvolvê-la. Outra desvantagem que “assombra” o associativismo é a pesada legislação a que estamos sujeitos e isto passa entre declarar receitas e despesas, apesar de não ser tributado o imposto de IRC; fazer o Registo Central do Beneficiário Efetivo; legalizar a associação, entre muitas outras burocracias. Mas será que os jovens, especialmente dirigentes de associações de estudantes, estão devidamente formados e têm as devidas competências para manter a legalidade das associações? Posso dizer que, com base na minha experiência, é muito difícil e desmotivante para um jovem esta pesada legislação.

De forma a mitigar estas fragilidades e de forma a desenvolver o trabalho das associações juvenis, é verdade que a força de vontade dos jovens é imprescindível mas também é verdade que as edilidades municipais, como agentes culturais e dinamizadores da sociedade, devem prestar auxílio ao associativismo.

Como presidente de uma associação lagoense, há que reforçar os laços entre a edilidade e a associação de forma que haja um ambiente de cooperação entre as duas entidades, sempre fundamental. É importante, também, realçar a voz das associações que podem e devem apresentar propostas para uma sociedade mais ativa, uma vez que vivemos num estado democrático onde a voz de todos tem de ser ouvida pelos que nos governam, uma vez que eles representam a vontade do povo – soberania popular – e por isso governam com legitimidade – popular!

E para realçar a voz do associativismo juvenil lagoense, não poderia acabar sem deixar algumas propostas para o concelho de Lagoa como a criação de mecanismos de apoio às associações lagoenses, visando o auxílio a estas com o preenchimento da pesada burocracia a que estas são sujeitas anualmente, criando o chamado Gabinete Técnico de Apoio ao Associativismo; garantir a realização na Lagoa, de um encontro nacional de associações de juventude- ENAJ- onde se visasse a formação de dirigentes, a promoção de um colóquio de ideias construtivas a serem aplicadas nas associações e onde se pudesse, efectivamente, apresentar os problemas atuais das associações, entre muitas outras propostas que devem ser apresentadas e ouvidas pela edilidade porque, por vezes, muitas vezes, é apenas um mero “inseto que faz disparar o alarme”.

Jacinta Carreiro
Presidente a Associação Jovem Lagoense
(Artigo publicado na edição impressa de setembro de 2019)

Categorias: Lagoa, Opinião

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