Navio da Marinha inicia missão para aprofundar o conhecimento sobre o mar dos Açores

O NRP D. Carlos I largou a 12 de julho, da Base Naval de Lisboa para uma missão no Arquipélago dos Açores que se prolongará até agosto.

Esta missão tem por objetivos realizar levantamentos hidrográficos (LH) no âmbito do projeto de Mapeamento do Mar Português, reforçar o Dispositivo Naval Permanente na Zona Marítima dos Açores (ZMA), cooperar no âmbito técnico-científico com o Governo Regional e a Universidade dos Açores e colaborar com a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) bem como com o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) da Universidade do Porto.

No âmbito do Mapeamento do Mar Português no arquipélago dos Açores, durante a permanência do navio na região estão planeadas duas fases distintas: uma que consiste no levantamento hidrográfico com sonar multifeixe dos montes submarinos (ecossistemas ricos e de particular relevância), a sul da Ilhas das Flores enquadrada na cooperação com a Universidade dos Açores; a outra fase, também consistindo num levantamento hidrográfico com sonar multifeixe, a Sudoeste da Ilha das Flores, numa zona remota para além da ZEE dos Açores, que decorre da colaboração com a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental.

O navio ainda acompanhará a Brigada Hidrográfica que realizará o levantamento de áreas portuárias tanto na Ilha das Flores como do Corvo para atualização cartográfica no projeto de colaboração com o Governo Regional dos Açores.

A Marinha, em especial através do Instituto Hidrográfico, ciente que o conhecimento detalhado sobre os fundos marinhos garante o desenvolvimento sustentável e a proteção do meio marinho, iniciou um ambicioso projeto em 2017, na sequência de uma opção estratégica da Marinha, de Mapeamento do Mar Português, para que o país possa efetivamente conhecer e tirar partido destes vastos espaços marítimos. Consequentemente, o conhecimento do oceano, em geral, e do leito e do subsolo marinho, em particular, afigura-se como uma tarefa de importância estratégica sem paralelo, e será seguramente um inestimável legado para as futuras gerações.

O Mapeamento do Mar Português concorre para desígnio nacional, que encontra reflexo na missão da Marinha de “Contribuir para que Portugal use o Mar”.

De sublinhar que a Marinha, em resposta às previsões ou alertas do agravamento nas condições meteorológicas e oceanográficas neste arquipélago já deslocou, por diversas vezes, para a Zona Marítima dos Açores os meios necessários para reforço do dispositivo naval aí existente permitindo, desta forma, o reforço das capacidades de busca e salvamento (SAR), de vigilância e patrulhamento marítimo, de apoio aos órgãos de proteção civil, de colaboração com a Universidade dos Açores na realização de campanhas científicas e de cooperação com outros de departamentos do Estado com competências no mar. É neste âmbito que Marinha tem feito maior incidência de vigilância e patrulhamento nas Formigas e nos bancos Princesa Alice, Condor, Açores e D. João de Castro, inseridos na ZEE dos Açores, bancos esses que são muito relevantes para a regeneração e equilíbrio da fauna marítima da região, envolvendo quer os navios em missão no arquipélago, quer outros vindos do continente, num dispositivo dinâmico que reforça o dispositivo naval padrão da região. Estes navios transitam o comando e controlo, quando nessas missões, para o Comando da Zona Marítima dos Açores. Deste modo a Marinha continua a reforçar o dispositivo geral alocado ao arquipélago, tendo em conta a sua relevante posição geoestratégica.

O NRP D. Carlos I possui uma guarnição de 38 militares, embarca duas equipas da Brigada Hidrográfica composta por oito elementos e dois observadores de cetáceos do CIIMAR.

DL/MP

Categorias: Regional

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