Manuel Bonifácio Medeiros Carreiro: o benemérito da típica Mercearia Açoreana da Vila de Água de Pau

Manuel Bonifácio Medeiros Carreiro nasceu a 5 de junho de 1932, na Vila de Água de Pau, sendo filho de Manuel dos Santos Carreiro e de Maria Valentina de Medeiros, esta natural dos Estados Unidos da América [de Bristol], e Manuel dos Santos Carreiro era, por sua vez, natural do lugar da Caloura, Vila de Água de Pau.

Os avós maternos, Manuel Bonifácio não conheceu, em virtude de terem morrido relativamente novos: o avô materno morreu mesmo em Bristol, nos Estados Unidos da América, já a avó materna morreu na ilha de São Miguel, em virtude de uma doença contraída na altura. Os paternos viveram sempre na Caloura, chamando-se Manuel dos Santos Carreiro e a avó Corbina Correia, vivendo sempre na Caloura, inclusive. Como irmãos teve duas raparigas e um irmão: Maria José Carreiro, Maria Valentina Carreiro, dona de uma Ourivesaria, e Evaristo Carreiro, tendo havido mais que morreram, contudo, muito pequenos. São estes naturais, todos, de Água de Pau.

Como filhos teve duas filhas e um filho: Aura Maria Vieira Carreiro, José Manuel Vieira Carreiro e Paula Maria Vieira Carreiro, todos naturais de Água de Pau, sendo a esposa do Sr. Manuel Maria Ernestina Vieira, natural de Água de Pau.

Ilustre e antigo comerciante da Vila de Água de Pau, começou, muito novo [com pouco mais de dez anos], a trabalhar no estabelecimento Cova da Onça, em Água de Pau, na altura sob a gerência dos tios do ilustre pauense Manuel Egídio de Medeiros. Trabalhou lá durante largos anos, tendo depois aberto um estabelecimento por sua conta, a chamada Mercearia Açoreana, situada na Rua da Arrochela, em Água de Pau, bem no centro da freguesia, onde trabalhou durante quarenta e oito anos.

Com a quarta classe, apenas, trabalhava, registe-se, sete dias por semana, das seis da manhã às onze da noite, sem parar, ressalvando-se apenas os domingos [em que trabalhava até às 13 horas] e, excepcionalmente, em dias especiais, em que abria até às 13 horas, também, como é o caso das festividades em honra da padroeira Nossa Senhora dos Anjos, em agosto. Tirava, por inteiro, o dia em que se assinalava a procissão em Honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres, em Ponta Delgada, onde ia de manhã, às 10 horas, com a família para Ponta Delgada, almoçando sempre no mítico “Alcides”, e vendo a procissão depois, com a família.

Estimado e respeitado por toda a comunidade, Manuel Bonifácio Medeiros Carreiro vendia, na sua loja, vinhos, tabacos, açúcar, sabão, óleos, toda a qualidade de mercearia de antigamente, havendo, inclusive, uma taberna dentro da própria, registe-se. Sempre muito trabalhador, sempre servil, educado, e respeitador e respeitado em toda a parte, era um assíduo, quando tinha tempo, frequentador do Jardim de Nossa Senhora dos Anjos, junto com os seus grandes amigos de Água de Pau: António de Reis, amigo leal, Manuel Egídio de Medeiros e Pedro Carreiro dos Santos.

Exerceu, durante a presidência do Sr. Virgínio Moniz, as funções de Secretário na Junta de Freguesia de Água de Pau, conta-nos, em declarações ao jornal Diário da Lagoa, Ernestina Vieira e o próprio Manuel Bonifácio, este que também foi membro integrante, no tempo do padre Mota, ilustre pároco que serviu em Água de Pau, de uma comissão destinada à recuperação/construção do salão paroquial da Igreja de Nossa Senhora dos Anjos.

Tesoureiro, muitos anos, da Sociedade Filarmónica Fraternidade Rural, Manuel Bonifácio Medeiros Carreiro teve como filho José Manuel Vieira Carreiro, um grande ajudante na Merceria Açoreana, sendo que, mais tarde, este herdou, mais ao lado, na mesma rua, na Rua da Arrochela, a veia de comerciante, adquirindo, pelos seus próprios meios, um imóvel, onde abriu o chamado Minimercado JAFRA, de que é proprietário.

Por último, registe-se que a Merceria Açoreana foi, de facto, e para todos os efeitos, uma mercearia benemérita com um proprietário trabalhador, mas, mais do que trabalhador, benemérito: “matou a fome a muita gente”, diz-nos Ernestina Vieira, emocionada. Como? Não cobrando as dívidas a quem as tinha à Mercearia Açoreana. A pobreza alastrava, era forte e pulsava, sobretudo em Água de Pau, mas o chamado «fiado» era dado, não cobrando, o Sr. Bonifácio, muitas vezes, nada pelos produtos a quem mais necessitava, e, com isto, “matando a fome a muita gente que não podia”, por todos os meios, pagar.

Por: Júlio T. Oliveira
(Artigo publicado na edição impressa de agosto de 2019)

Categorias: Cultura, Lagoa, Local

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