“Os Quiridos” da Vila de Água de Pau: a criatividade e o engenho em nome da cultura de um povo

O jornal Diário da Lagoa esteve na Vila de Água de Pau, onde falou com o presidente da Direção da Associação “Os Quiridos” – Associação Recreativa e Promotora de Eventos Culturais, sendo que João Baganha Cabral, presidente e fundador da dita associação, escolheu o termo “Quiridos”, precisamente devido à relação que esse termo em específico tem com a Vila de Água de Pau.

“Porque não ser uma coisa da nossa terra? Uma coisa mais nossa? Então, optei por “Os Quiridos”, que é um termo usado, e que tem a ver com a forma como nós dizemos “Querido” – é uma forma de se ser mais próximo da pessoa”, refere, sendo, assim, uma forma de transmissão de afecto da associação “Os Quiridos” para com a população pauense, onde a dita associação está, aliás, sediada.

A Associação “Os Quiridos” – Associação Recreativa e Promotora de Eventos Culturais – foi fundada a 8 de janeiro de 2013, sendo o seu visionário e fundador João Baganha Cabral, que foi coadjuvado por outras pessoas. “Umas ainda estão cá, outras já não”, refere.

“Nós somos um grupo de amigos, estamos aqui para trabalhar, e para nos divertirmos acima de tudo, e é isso que nós temos feito”, acrescenta, assumindo que a fundação da dita associação assentou na seguinte premissa: fazendo, João Baganha Cabral, parte, outrora, do chamado Grupo Jovem Pauense, grupo que se destacava pela sua dinâmica e polivalência no âmbito das suas atividades, a verdade é que, João Cabral, por “motivos profissionais” abdicou daquela que foi a associação que esteve na origem de todo o seu processo associativista e criativo, custando-lhe, tal decisão, “bastante”.

Já com a vida mais estabilizada e organizada, criou “Os Quiridos”, achando “que Água de Pau precisava de algo mais cultural”.

“Desde que a nossa associação apareceu a intenção foi mexer com a população e qualquer atividade que nós fazemos atualmente abrange a população. E isso é bom, porque mexe com as pessoas, leva o bom nome da freguesia para fora, mas também o concelho”.

Quando começou, a associação arrancou com a chamada Marcha dos Santos Populares. Marcha que, registe-se, é bianual, havendo um ano de interregno. Mas, ao longo dos anos, foram várias as atividades que foram surgindo: o Festival de Sopas, os Jogos Sem Barreiras, sendo este último um que “envolve muita logística” e apoio financeiro, o que é sempre complicado. Também, em 2018, houve o chamado Jantar dos Namorados, para seniores, no Dia dos Namorados, sendo esta uma atividade “muito boa, foi a primeira gala. No entanto, este ano, perguntaram-nos se ia haver ou não, mas, em princípio, para o ano [2020], haverá novamente, se assim a associação entender”, revela.

Sempre a pensar na freguesia, e tentando fazer algo diferente, foi feita, também a convite da Câmara Municipal de Lagoa, uma pequena recriação histórica das lavadeiras.  Pensando em grande, “não conseguindo fazer mais” por falta de apoio financeiro, a verdade é que João Baganha Cabral cria, através d’ “Os Quiridos” uma dinâmica bastante própria em Água de Pau.

Como principais desafios, o presidente da Direção destaca a parte financeira e os desafios correntes da veia criativa, isto numa associação com cerca de duas dezenas de membros.

“O bichinho não morre, os anos vão avançando”, mas as ideias fluem, e uma delas é levar “o Teatro avante”, complementa.

“Tem sido uma batalha, tem sido uma batalha para termos um espaço digno, onde esta freguesia, em anos anteriores já teve: estou a falar do Auditório Ferreira da Silva, que, infelizmente, está no estado em que está. Tem sido uma batalha num bom sentido, através da nossa Junta de Freguesia, que, aliás, atualmente, é a entidade cerca para lugar por aquele espaço”, assumindo que “há que pensar no potencial da nossa freguesia”, frisa.

Relativamente ao projeto em andamento para o Auditório Ferreira da Silva, João Cabral diz que “se for um espaço polivalente há atividades que vão perder a qualidade, nomeadamente na parte do espectáculo. Não se pode de forma alguma montar um bom espectáculo em palco, onde vamos ter um piso recto, ou seja direito. Não se vão reunir as condições para o espectador. Há que ter uma boa sensibilidade para isso. Como já disse, Água de Pau tem um bom potencial para essa vertente [do espectáculo]. Agora, se querem fazer daquele espaço polivalente, vão ganhar as festas, os jantares. É isso que pretendem?”, pergunta.

“Os Quiridos” receberam, realce-se, um Diploma de Mérito, por parte da Junta de Freguesia de Água de Pau no passado dia 11 de março, sendo que, contudo, João Baganha Cabral, quando questionado acerca da receptividade e do acolhimento da associação na sua terra, bem como das suas atividades, é peremptório.

“Os santos da casa não fazem milagres”.

“Somos bem recebidos, somos. Somos recebidos pelos familiares das pessoas que participam connosco, temos todo este apoio. De um modo geral, posso dizer que sim. Poderíamos ter mais, claro que é de realçar o apoio que nós temos quando vamos para fora e isso foi bastante notório recentemente com a ida da nossa marcha à ilha Terceira pelo segundo ano”, terminando com um alerta:

“Nunca deixem de apoiar qualquer associação, porque é a Cultura, é a História do nosso povo”.

Por: Júlio T. Oliveira
(Artigo publicado na edição impressa de agosto de 2019)

Categorias: Lagoa, Local

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