Edmundo dos Santos Botelho: as três décadas e meia ao serviço de Santa Cruz

Edmundo dos Santos Botelho nasceu a 12 de maio de 1952, no Livramento, Ponta Delgada. Filho de António José Botelho e de Maria Isabel Botelho, também naturais do Livramento. Teve como avô Manuel José Botelho [paterno] e Francisco Botelho Soares [materno] e como avó Maria dos Santos Botelho [paterna] e Maria do Carmo Botelho Arruda, todos estes e estas naturais e residentes no Livramento. Teve vários irmãos. Eram, ao todo, oito vivos, tendo o mais velho falecido. Edmundo foi o sétimo, assim, de uma família de nove filhos.

Casado com Virgínia Margarida Félix da Ponte, com quem teve quatro filhos: Ricardo Manuel da Ponte Botelho; Saulina da Graça da Ponte Botelho; Susana Maria da Ponte Botelho e André Filipe da Ponte Botelho.
Ao longo da sua vida, foi, primeiramente, ajudante do seu pai nas terras, tendo sido, em 1974, mobilizado para o Ultramar, em serviço militar, mais nomeadamente para Moçambique, de onde voltou em 1975. Procurando dar um novo rumo à sua vida, Edmundo Botelho foi trabalhar para o Governo dos Açores.

Começou, dessa forma, como porteiro no Palácio da Conceição, antigo Governo Civil, passando a Contínuo e depois a Auxiliar Administrativo. Por fim, acabou como Assistente Operacional. Isto, tudo somado, entre Palácio da Conceição e também Palácio de Sant’ Ana, ao serviço do Governo dos Açores, dá 38 anos de serviço.

Destacou-se nomeadamente ao serviço da freguesia de Santa Cruz, Lagoa, onde exerceu funções a vários níveis, sempre com muito mérito: a título de exemplo, Edmundo dos Santos Botelho foi presidente da Junta de Freguesia de Santa Cruz, pelo PPD-PSD, partido do qual é militante desde sempre, em dois mandatos consecutivos: 1986-1989 e 1990-1993, já tendo integrado a Junta de Freguesia, nas funções de Tesoureiro, em 1983-1985, era então o presidente José Augusto Raposo de Oliveira. Na altura, em 1983, note-se, os mandatos eram ainda de três anos, passando, posteriormente, para quatro.
Ora, no final do mandato 1983-1985 foi convidado a integrar as listas, pelo PPD-PSD, como cabeça-de-lista, tendo vencido as respetivas eleições à Junta de Freguesia de Santa Cruz. Em 1989, candidatou-se de novo, voltando novamente a vencer. Tudo somado dá oito anos ao serviço da Junta como seu presidente. A partir daí continuou no executivo da Junta, fazendo parte das listas do PPD-PSD, e sendo sempre eleito. Vitorioso, assumiu, sempre também, nos executivos da sua freguesia, as funções de Tesoureiro [teve quatro mandatos consecutivos nessa condição – 1994-1997; 1998-2001; 2002-2005 e 2006-2009, sendo presidente de Junta António Augusto da Ponte Borges].

Continuou o seu serviço cívico até 2017, tendo ocupado até então cargos na Assembleia de Freguesia de Santa Cruz. Ao todo, foram 35 anos ao serviço da Junta de Freguesia de Santa Cruz, conta-nos em declarações em jornal Diário da Lagoa.

Igualmente na Sociedade Filarmónica Estrela D’Alva exerceu funções: foi seu presidente da Direção de 1990 a 1992 e depois, mais tarde, de 2005 a 2006. A primeira vez que integrou os corpos sociais da Banda foi como Tesoureiro da mesma, no início da década de 80, a convite do então presidente da Direção António Tavares, sendo, na altura, já, Tesoureiro na Junta, e, por causa disso, mais tarde, abandonou o mesmo cargo na Filarmónica.

Contudo, tempos depois, em 1989, abandonando António Tavares a presidência da Filarmónica, a mesma foi entregue à Junta de Freguesia de Santa Cruz, pois “não haveria ninguém para a assumir”. Interinamente, a Junta passou a administrar os destinos da Filarmónica, tendo a seu líder Edmundo dos Santos Botelho [1990-1992], até que, pelo menos, se convocassem eleições. Havendo as esperadas eleições, os destinos foram outros, mas nem por isso Edmundo ficou de fora dos destinos da Sociedade, tornando a voltar à sua presidência da Direção em 2005 [2005-2006]. Foi por várias vezes convidado a integrar os seus órgãos sociais, inclusive para a vice-presidência da Direção, cargo que ocupou há bem pouco tempo.
Para além disso, nota para o facto de ter sido Mestre de Romeiros, do Rancho de Santa Cruz, durante 12 anos e para o facto de ser, há 27 anos, Ministro Extraordinário da Comunhão.

Quando esteve na Junta deixou, considera, “coisas boas”, a “começar pelos Remédios”.

“A primeira coisa que fiz foi comprar uma casa que estava em ruínas e construir uma casa nova – o chamado Centro de Convívio e de Cultura. Aquela gente precisava naquele sítio”. Depois, de seguida, também nos Remédios, houve a captação de uma nascente, fazendo-se um reservatório que abastece, ainda hoje em dia, a lavoura, reivindicação que, à altura, era vinculativa aos lavradores. Através do Centro de Convívio e de Cultura muitos foram os cursos – culinária, bordados, costura, dactilografia – havendo-os também na sede da Junta de Freguesia de Santa Cruz.

Mais se regista: a Cooperativa Megasil, hoje em funcionamento, quando nasceu, foi a Junta de Freguesia de Santa Cruz, no tempo de Edmundo dos Santos Botelho, que concedeu um importante apoio para que a mesma Cooperativa se pudesse erguer, cedendo um espaço, um sítio onde pudessem começar – nas traseiras da Junta -, para agrado daquela instituição. Estiveram nesse sítio durante algum tempo, mudando-se depois para o atual.

Também o Polidesportivo de Santa Cruz, central e dominante, foi uma obra do tempo do presidente Edmundo. Foi, assim, inaugurado em finais da década de oitenta, e é, aliás, onde se realizam as habituais Festas de Santo António. Festas que também começaram sob administração e sob iniciativa de Edmundo dos Santos Botelho: começaram, com efeito, em 1991, já com marchas – só com crianças – e havendo a preciosa e grande colaboração da professora Délia Leite. Começando apenas com “quatro ou cinco marchas”, “as coisas começaram a evoluir e hoje é um cartaz turístico da nossa freguesia, as Festas de Santo António. A partir daí a nossa freguesia evoluiu muito. Houve anos ali de haver quase cinco mil pessoas”, refere.

Empenhando-se, persistindo e pressionando o Governo Regional para a recuperação da Igreja de Santo António, naquele tempo, a mesma concretizou-se igualmente. A aquisição, por fim, de dez habitações, através de um programa do Governo Regional, e a concessão dessas habitações, na freguesia, a famílias carenciadas e em situação de insolvência económica também marcou, pela positiva, a administração de Edmundo dos Santos Botelho durante a sua passagem pela Junta de Freguesia de Santa Cruz como presidente.

“Eu sinto-me feliz quando faço alguma coisa pela comunidade”, sublinha, tendo, no entanto, ficado por fazer um polidesportivo coberto “para que essa rapaziada brincasse todo o ano”, não dependendo, desta forma, das condicionantes meteorológicas sempre instáveis.

Assumindo ser a sua freguesia de residência uma freguesia virada para o futuro, Edmundo dos Santos Botelho foi há pouco tempo homenageado pelo Clube de Patinagem de Santa Cruz. Isto porque o seu apoio, quando esteve à frente dos destinos da Junta de Freguesia, foi imprescindível para o começo deste Clube. Clube desportivo, note-se, de grande mérito e projeção.

“Quando eu vesti a camisa eu vesti mesmo. Quando eu vesti a camisa foi para trabalhar”, destacou Edmundo, considerando que não se considera um político. “Não sou um político nato”.

Se pode voltar novamente ao ativo, diz “que a vontade tem sempre, mas chegamos a uma certa altura em que temos de pensar se não haverá mais novos”, não vendo, contudo, “a juventude pronta a lutar por um ideal”, termina.

DL/JTO
(Artigo publicado na edição impressa de setembro de 2019)

Categorias: Lagoa, Local

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