Rebuscos & Respigos de Água de Pau

— O TIO ZÉ ARREGALADO… e a sua «obra-prima»!

És de Água de Pau e não conheces o Tio Zé Arregalado? Então, não és de Água de Pau! Tu vives em Água de Pau, que é outra coisa! Há gente que aqui vive e até pode ter aqui nascido, mas se não conhece «minimamente» gente desta terra, então é porque vive «consigo» e não é deste povo, nem desta terra!

Nesta terra, quem daqui quiser ser, tem de conhecer, pessoas, saber da sua vida e construir alguma coisa para a terra, nem que seja participar nas suas festas religiosas ou de carácter popular.

Tem de entrar no teatro de rua pauense e ao menos uma vez na vida, encostar as costas a uma parede das casas da Praça, para ver quem passa, entra e sai da Praça, durante uma parte do dia. E mais, se ouvir alguém caçoar de Água de Pau e não a defender, então nem vale a pena dizer que é de Água de Pau. É ridículo afirmar que é desta terra. Não merece!

O melhor é mesmo dizer às pessoas «de-fora» que vive em Água de Pau, mas…na Grota dos Cães, na Ribeira do Lance ou na Ribeira dos Couros! Para não dizer que NUNCA poderá ser equiparado (por baixo) à categoria dum pauense como o Tio Zé Arregalado! Ora essa!…

PORQUE O TIO ZÉ ARREGALADO além de ser um pauense dos antigos, pois trabalhou desde que começou a ter tino de pegar num sacho. Cavou terra de sol a sol e da ponta da Galera à Serra de Água de Pau.

Aprendeu a amar esta terra e ainda hoje quando o sacho (nº7, dos grandes) é demasiado pesado para a sua idade, usa a sachola e ainda consegue prendar a comunidade com flores lindas para embelezar e refrescar de aromas agradáveis as nossas casas ou disponibiliza ainda uma produção caseira de “chá de poejo”, para aliviar o estômago daqueles que abusaram do repasto dum dia de festa ou da vida atribulada ou cheia de stress!

Ele possui sempre um remédio simples e original que aprendeu com os velhos experientes e conhecedores da «riqueza-da-terra» na sua antiga escola-de-vida, nos tempos da velha e risonha Vila de Água de Pau,

O Tio Zé Arregalado, o homem das mil e uma tarefas! Pessoa que eu respeito, porque todos nesta terra sabem que «alcunha» é forma de identificação e não de escárnio, sempre foi muito cortês, bem-educado, trabalhador e prestável. É reformado do município lagoense onde convivemos muito, durante vinte anos, quando por lá passei como vereador e vice-presidente. Mas, desde criança que convivi com ele e com muita gente antiga, que já partiu, mas deixou ou legou muito conhecimento e amor ao próximo, através das suas acções comunitárias.

Pauense tem orgulho da sua terra e suas gentes.

Por: RoberTo MedeirOs
(Artigo publicado na edição impressa de julho de 2019)

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