Dois casais celebram o seu matrimónio na 3ª edição dos Casamentos de Santo António

A Igreja Matriz de Lagoa, em conjunto com a Junta de Freguesia de Santa Cruz, voltam a realizar os Casamentos de Santo António, este ano na sua terceira edição.

O grande objetivo é proporcionar uma celebração, e uma festa digna, a casais que tenham a vontade de celebrar o Sacramento do Matrimónio, numa festa que está naturalmente associada a esta celebração, mas que por várias razões ainda não o tenham feito.

Segundo o Pe. Nuno Maiato, uma vez que que há casais, ainda que poucos em cada ano, que têm respondido a este desafio, considera a iniciativa como um sucesso.

Este ano, são dois os casais que irão realizar este sacramento por Santo António, embora tenham surgido mais interessados mas que, por alguma razão, acabam por optar por casar mais tarde ou por fazer um casamento não neste dia.

Em declarações ao Jornal Diário da Lagoa, lembra o pároco que existe um limite de inscrições, que são quatro, mas ao longo das três edições já se proporcionou, a alguns casais, um dia digno, um matrimónio com tudo a que têm direito.

Para o Pe. Nuno Maiato casar neste dia tem os seus benefícios mas também tem limitações que, por vezes, são preponderantes para as decisões dos noivos.

“Uma das maiores limitações, talvez a única, é o número de convidados, 25 por casal, algo que nem sempre é aceite por aqueles que querem casar por esta altura, e que acabam por optar depois por outra modalidade que não esta”, explica.

Os dois casais que este ano irão celebrar o matrimónio por Santo António são casais jovens, mas qualquer um já com família constituída e com filhos, uma situação que alegra o pároco, até porque, segundo diz, “de certa forma, é dar a oportunidade a estas famílias cristãs, de oficializar a sua situação para com a Igreja”.

Para ser possível realizar o seu matrimónio por Santo António, na Paróquia de Santa Cruz, o primeiro passo é fazer a candidatura, normalmente até dezembro do ano anterior, na Junta de Freguesia de Santa Cruz, depois começam os vários processos que, quer na Igreja quer no Civil, são iguais aos outros casamentos.

A nível religioso, os casais participam no CPM – Curso de Preparação para o Matrimónio, fazendo depois todo o processo canónico, geralmente na paróquia da noiva, seguindo o caminho normal de quem vai casar. A única diferença é que os casais recebem, como oferta, o processo civil e o processo canónico, assumindo a Junta de Freguesia o valor do casamento ao civil, e a paróquia o valor do processo canónico.

O Pe. Nuno Maiato realçou o facto de, este ano, na Missa de Bênção dos Noivos, que tem lugar dia 12 de junho, além dos casais que irão contrair matrimónio este ano, serão celebradas também as Bodas de Prata de um casal.

A Bênção é aberta a todos os noivos que queiram recebê-la, tendo apenas de fazer a inscrição na paróquia. Anualmente são cerca de meia dúzia de casais que recebem a Bênção por Santo António.

Quanto aos dois casais que este ano vão celebrar o seu matrimónio por Santo António, um é da Atalhada, outro do Cabouco, aliás, nas últimas edições, apenas um casal de Santa Cruz celebrou o matrimónio nesta altura, os restantes têm sido exatamente da Atalhada e do Cabouco, sendo que, os Casamentos de Santo António, são abertos a todos os interessados, tendo como obrigatoriedade que, pelo menos, um dos membros do casal, tenha residência na Ouvidoria, ou seja, no concelho de Lagoa e/ou freguesia do Livramento.

Para o Pe. Nuno Maiato, os Casamentos de Santo António são para continuar, até porque o objetivo é continuar a dar a oportunidade aos casais, promovendo a celebração do matrimónio.

“É preciso lembrar as pessoas que, apesar de todas as formas que há para formar família, para os cristãos, esta continua a ser a forma privilegiada, ou seja, através da celebração do sacramento do matrimónio”.

Segundo o pároco, “ao mesmo tempo que estamos a auxiliar estes casais, estamos a recordar que há este caminho e há esta escolha, sendo possível, quer seja por Santo António ou fora desta data, fazer uma cerimónia a baixo custo, com a mesma dignidade, com a mesma alegria, com a mesma festa, sem os gastos que às vezes são exorbitantes, e que a própria sociedade, de certa forma, nos exige”.

Segundo recorda nesta entrevista ao nosso jornal, nos quase dez anos de pároco na comunidade de Santa Cruz e Remédios, já presidiu a mais de uma dezena de casamentos, em que as celebrações foram muito simples, sem exageros, e os casais, a maioria já com uma caminhada como família e com filhos, celebraram o seu matrimónio, sem aquele aparato que é socialmente correto nos dias de hoje, destacando ser uma grande alegria e experiência celebrar estes matrimónios. “Há que realçar esta coragem de quem o faz”.

O Pe. Nuno Maiato vai mais longe na sua análise e adianta que “podemos ver as coisas desta forma, ou seja, perguntar se faz sentido celebrar os sacramentos como o batismo ou a eucaristia, e depois não celebrar os outros, como o caso do matrimónio. “Qual é o sentido do casal que pede o batismo aos seus filhos, participa na eucaristia, e porque é que o casamento tem de ficar para trás”, questiona.

“Sabemos que há esta pressão social de desvalorizar este sacramento, mas para aqueles que acreditam e têm fé, se um sacramento faz sentido, todos os outros também o devem ter. Os sacramentos são lugares de encontro entre Deus e cada pessoa, num momento chave das suas vidas e quando se constitui família, devemos pedir a Bênção de Deus, estar em comunhão com Deus e com os nossos Irmãos, com a mesma vontade de quando se constitui cristão, filho da Igreja, que é no batismo”.

O pároco adianta que todo este processo dos casamentos de Santo António acaba por ajudar a fazer esta reflexão: “afinal porque não me caso pela Igreja se eu recebo todos os outros sacramentos?”

O Pe. Nuno Maiato, deste quase desabafo, adianta que “cada um tem o direito de fazer como entende, mas não pode ser por falta de dinheiro que não se casa pela Igreja, há que ter a coragem de fazer diferente”.

Quase no final desta conversa com o Jornal Diário da Lagoa, o responsável pela Matriz de Lagoa explica que, se for para fazer como a maioria, há muitos casais que realmente não o poderão fazer, mas podem fazê-lo por Santo António, ou num dia qualquer, numa missa habitual, “é preciso haver coragem e havendo essa coragem, dispensa-se tudo o que está associado aos casamentos e que gera muitos gastos financeiros, desnecessários”.

Segundo adianta, “a pressão social sempre existiu e sempre vai existir, e existe em relação a muitas outras coisas, mas em relação a este assunto, ela existe, e praticamente quase todos já passaram por isto, já sentiram essa pressão, só que uns têm a coragem de ignorar outros não”.

O Pe. Nuno Maiato reforça tratar-se de uma questão de escolha e de coragem para fazer diferente.

DL

Categorias: Lagoa, Local, Religião

Deixe o seu comentário

Your e-mail address will not be published.
Required fields are marked*