A primitiva Ermida de São José, da Ribeira Chã, o Curato de São José e a posterior construção da Igreja de São José

A Junta da Paróquia de Água de Pau, na sessão de 19 de março de 1848, dia de São José, deliberou que se edificasse esta Ermida – a Ermida de São José – a pedido do povo da Ribeira Chã e do capelão, o padre Luciano Medeiros – sendo o pedido que esta tivesse 20 côvados de comprimento e 10 de largura. [1]

Expropriou-se, sabe-se, meio alqueire de terreno pertencente a D. Tereza Rita de Andrade para o local da Ermida e encarregou-se o padre Luciano Francisco de Medeiros da sua construção. Na sessão de 20 de agosto de 1848, a Junta tomou posse dos foros e de uma quantia de reis doados pelo cura António José da Silva para património da dita Ermida. Na sessão de 21 de outubro de 1848, com efeito, o padre Luciano Francisco de Medeiros apresentou na Junta o auto de expropriação do terreno para nele se edificar a Ermida, a escritura de doação feita pelo padre António José da Silva, a licença do Governador Civil para a sua construção e a sentença do património, passada pelo então Vigário Geral do Bispado, bem como, refere o padre João José Tavares, dois títulos para a compra de duas casas defronte do adro, foreiras a N. Sª do Rosário. [2]

Na sessão de 30 de dezembro de 1855 diz-se que a Ermida de São José está quase completa e que a Junta despendeu 150 mil reis, quantia nomeadamente suportada pelo povo. Na ata de 20 de abril de 1856 menciona-se a aquisição de uma imagem de S. José para a Ermida e que era da igreja do convento da Conceição de Ponta Delgada, por concessão do Governador Civil.[3]

Já na sessão de 20 de fevereiro de 1859 autoriza-se o pagamento para a guarnição do lado sul da Ermida. A 3 de julho do mesmo ano dá-se o pagamento da abertura de uma porta e levantamento de uma sineira para a ermida. No ano de 1904 foi construída a torre.[4]

Embora antes tivesse um capelão pago pela Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada, em virtude de um legado, mas também pelo próprio povo, por decreto de 3 de março de 1902 foi criado um cura sufragâneo à Paroquial e nomeado o padre João Ribeiro de Lima por provisão Episcopal de 30 de agosto do dito ano. Isto porque o Sr. Marquês da Praia e Monforte generosamente oferecia uma quantia mensal. [5]

O século XX trouxe várias novidades e desenvolvimentos para a Ribeira Chã. Foi um século de grandes mudanças. Com efeito, e atendendo às preces da população, dá-se, em 1902, a construção de um Curato no lugar da Ribeira Chã. Tal resolução foi cumprida na sequência dos resultados provenientes da avaliação feita à Ermida de São José – apresentava, a mesma, capacidade suficiente e as condições necessárias para ser constituída como sede de Curato.[6]

Dessa forma, foi finalmente possível dispor de um sacerdote residente na localidade, e o lugar foi ocupado pelo nomeado padre João Ribeiro de Lima, natural de Vila Franca do Campo. Em 1904, o padre João Ribeiro de Lima inaugura a torre sineira da Ermida de S. José. Até então, desde a construção da Ermida, “fazia cinquenta anos que a Ribeira Chã ouvia apenas o dobrar de um único sino, fosse o chamamento para as missas e devoções, fosse o anúncio de enterros que era necessário ir realizar a Água de Pau”.[7]

Em 1911, João Ribeiro de Lima consegue uma autorização para que fosse criada na Ermida de São José uma pia baptismal. Já em 1916 dá-se um novo desenvolvimento: de novo o padre Lima vê efectivar-se na prática outro pedido: a construção do primeiro cemitério da localidade, num terreno, à altura, doado pela Câmara Municipal de Lagoa. O dito padre João Ribeiro de Lima paroquiou na Ribeira Chã até ao ano de 1928, data em que faleceu, estando o seu corpo sepultado no cemitério cuja construção foi por ele próprio planeada. [8]

De 1928 a 1934 a Ribeira Chã, sabe-se, não dispôs de um padre próprio, estando o Curato, durante esses anos, a cargo do padre João Moniz de Melo, natural dos Arrifes e pároco de Água de Pau. Já de abril de 1934 a dezembro de 1956 o Curato de São José ficou à responsabilidade de José Luís Borges Vieira, natural de Água de Pau. Entra, depois, em 1956, o padre João Caetano Flores. Mas realce para o seguinte: o Ministro das Obras Públicas, em 1956, o engenheiro Eduardo Arantes de Oliveira, de visita à Ribeira Chã, promete a doação de metade da comparticipação necessária para a construção de uma nova igreja naquele local, já que a então Ermida de S. José se encontrava bastante danificada.[9]

Relativamente à construção da nova igreja, muito sumariamente: o arquitecto Read Teixeira foi encarregue de elaborar o ante-projeto. Em fevereiro de 1957 iniciou-se a recolha da pedra para a construção da futura igreja. Esse transporte, realce-se, era alvo de um ajuntamento popular, já que o povo se juntava aos domingos para a transportar. [10]

Perante algum atraso, o Ministro das Obras Públicas, em 1961, passa novamente pela Ribeira Chã: aí o padre Flores apresenta-lhe a situação da nova Igreja, cujo projeto se encontrava na Direção de Urbanização dos Açores sem qualquer encaminhamento. O Ministro, posto isso, autoriza as obras e disponibiliza a sua colaboração. A construção da nova Igreja, da Igreja de São José, foi um esforço comunitário admirável, há que dar nota disso.[11]

O novo templo seria, assim, erigido sobre as ruínas da antiga ermida, que havia sido fortemente danificada por um sismo. Com a primeira pedra abençoada e lançada em 1962, as obras para a nova Igreja começaram no dia 4 de junho desse ano, poucos dias depois da dita celebração. “Uma paróquia nascida do povo e para o povo”, realça Laura Filipa Moura, in Ribeira Chã – História, etnografia e património cultural.[12]

Em 1965, em fevereiro, foi assinado o Decreto de elevação do curato de S. José a Paróquia – uma antiga promessa, já que, aquando do lançamento da primeira pedra pelo Senhor D. Manuel Afonso de Carvalho, o mesmo disse que haveria de elevar o curato da Ribeira Chã a paróquia aquando da inauguração e sagração da nova igreja. O decreto foi assinado pela mão do cónego Artur Pacheco Custódio. [13]

A 1 de maio de 1967 é finalmente inaugurada a nova Igreja de S. José da Ribeira Chã, tendo-se procedido igualmente à sua bênção, sendo que, note-se, a 1 de maio de 1997 procedeu-se, ainda, à Cerimónia Solene de Dedicação ou Sagração da Igreja, cerimónia presidida pelo Bispo Emérito de Angra, D. Aurélio Granada Escudeiro, sendo Bispo dos Açores D. António de Sousa Braga.[14]

Por: Júlio T. Oliveira
(Artigo publicado na edição impressa de junho de 2019)

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[1] TAVARES, 1979, pp. 55.
[2] TAVARES, 1979, pp. 53 e 54.
[3] TAVARES, 1979, pp. 55.
[4] TAVARES, 1979, pp. 55.
[5] TAVARES, 1979, pp. 55.
[6] MOURA, 2009, pp. 114.
[7] MOURA, 2009, pp. 114.
[8] MOURA, 2009, pp. 114.
[9] MOURA, 2009, pp. 116.
[10] MOURA, 2009, pp. 116.
[11] MOURA, 2009, pp. 116.
[12] MOURA, 2009, pp. 117 e 118.
[13] MOURA, 2009, pp. 118.
[14] MOURA, 2009, pp. 119 e 120.

Categorias: Cultura, Local, Religião

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