A fundação da Igreja de Santo António, em Santa Cruz

Estamos, portanto, a falar da igreja anexa ao convento dos frades. Podemos ler na obra A Vila da Lagoa e o Seu Concelho, do padre João José Tavares, que “no primeiro Capítulo Provincial, celebrado em Ponta Delgada, aos 25 de junho de 1641, foi resolvida a fundação desta casa recoleta, sendo o seu padroeiro o Conde de Vila Franca, D. Rodrigo da Câmara, que nela tinha uma cela”. [1]

Segundo podemos consultar na obra do padre João José Tavares, em 14 de abril de 1644 a igreja já estava feita, mandando o chamado Padre Provincial que se mudasse o Senhor para a capela da dita Igreja. [2]

Sofreu, contudo, grandes estragos, sabe-se, com a erupção do Pico de João Ramos, em 1652. Mais tarde o convento e a igreja chegaram a tal estado de ruína que os religiosos viram-se obrigados a nova edificação, que principiou em 1749, data que ainda está sobre a porta principal da dita Igreja de Santo António, na freguesia de Santa Cruz. [3]

O primitivo convento ocupava, assim, parte da estrada que fica à beira do jardim público, ficando por isso o atual convento e igreja acima do local do antigo. O convento, este, foi extinto por decreto de 17 de maio de 1832, tendo-se leccionado nele português, latim, filosofia, retórica, teologia, música e canto-chão. [4]

Cada aluno externo, sabe-se, pagava, regista-se, anualmente meio moio de trigo, um quarteiro de milho e um carro de lenha de ramada. As aulas eram de manhã e de tarde. Os alunos serviam-se do jantar dos frades, segundo regista o padre João José Tavares no seu livro, destacando, igualmente, o “excelente serviço prestado a esta vila por estes religiosos”. [5]

Por despacho ministerial de 19 de março de 1872, foi autorizada a ocupação do convento pelas repartições públicas. [6]

Há, contudo, uma lenda sobre a fundação da atual igreja e convento de Santo António: abaixo dos antigos Paços do capitão donatário, isto é, na parte do jardim que fica ao norte da estrada que vai até ao Canto do Garfo, segundo regista o padre João José Tavares, “estavam o primitivo convento e igreja de Santo António”. [7]

“Certo dia o nosso santo amanheceu numa horta que ficava acima do antigo convento. Os frades foram-no imediatamente buscar, trazendo-o processionalmente, para a Igreja donde fugira. No dia seguinte amanheceu de novo na horta o glorioso taumaturgo português, donde se conclui que ele escolhia aquele sítio para a construção da nova Igreja e convento, o que assim se fez”. [8]

A igreja, posteriormente, foi cedida à Ordem Terceira de S. Francisco. O relógio da torre, note-se, deixou de trabalhar pelos anos de 1874. [9]

Por: Júlio T. Oliveira
(Artigo publicado na edição impressa de maio de 2019)

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[1] TAVARES, 1979, pp. 33.
[2] TAVARES, 1979, pp. 34.
[3] TAVARES, 1979, pp. 34.
[4] TAVARES, 1979, pp. 35.
[5] TAVARES, 1979, pp. 35.
[6] TAVARES, 1979, pp. 36.
[7] TAVARES, 1979, pp. 36.
[8] TAVARES, 1979, pp. 36.
[9] TAVARES, 1979, pp. 36.

Categorias: Cultura, Lagoa, Local

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