Espaço saúde: Videojogos

O uso frequente e recorrente dos videojogos é tão prejudicial que a Organização Mundial de Saúde incluiu o vício em videojogos, na Classificação Internacional de Doenças, a CID.

Nesta classificação o vício em videojogos é descrito como sendo “um padrão de comportamento persistente ou recorrente de jogos” que se torna tão grande que “prevalece sobre outros interesses de vida”. A Organização Mundial de Saúde, na CID-11, estipula que os sintomas devem perdurar, pelo menos, 12 meses para que se possa diagnosticar o transtorno.

Como qualquer outro, este vício tem consequências negativas para a pessoa, estas fazem-se sentir a vários e diferentes níveis da vida. Estão descritas na literatura distorções a nível cognitivo, disfunção cerebral no lobo pré-frontal, diminuição do bem-estar psicológico e sensação de solidão, perda ou diminuição das competências sociais, insucesso escolar ou laboral, dificuldades de concentração/atenção, distúrbios do sono, depressão, ansiedade, sedentarismo, dores músculo-esqueléticas, má nutrição, entre outros.

Pais, professores, educadores, profissionais de saúde, familiares e amigos atenção aos seguintes sintomas:

Priorização do jogo com prejuízo de outras atividades, algumas delas básicas, como higiene pessoal, alimentação, trabalho, estudos, vida social…

Preocupação com videojogos, passando estes a ser a atividade mais importante do dia, irritabilidade, ansiedade, agressividade ou tristeza quando  não pode jogar,  sentir cada vez mais necessidade de passar tempo a jogar, tentativas fracassadas de controlo do tempo de jogo,   perda de interesse por atividades de lazer e divertimentos preferindo ficar a jogar, uso excessivo e continuado dos videojogos apesar do conhecimento de problemas psicossociais, mentir ou enganar familiares, terapeutas ou outros em relação à quantidade de tempo despendido com os videojogos, uso dos videojogos para evitar ou aliviar estados de humor negativos como culpa, ansiedade, entre outros, colocar em risco ou até mesmo perder um relacionamento, oportunidade educativa ou de emprego devido ao uso dos videojogos.

A pessoa com vício em videojogos pode deixar de se alimentar, ou comer sem deixar de jogar, descuidar da sua higiene pessoal, deixar de sair com os amigos, faltar á escola ou ao trabalho, desregular o sono etc.

Na maioria dos casos, é a família que toma a iniciativa de procurar ajuda, para o familiar que manifesta sintomas de vício em videojogos, seja este criança, adolescente ou adulto.

Após análise do caso e uma vez diagnosticado o vício em videojogos o tratamento passa pela abstinência e psicoterapia, em especial a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC), podem também ser prescritos medicamentos como ansiolíticos e antidepressivos.

Por se tratar de um problema relativamente recente, ainda não existe consenso científico relativamente á eficácia dos tratamentos para este vício. O que se tem feito é basicamente uma adaptação do tratamento para o transtorno de uso de substâncias ou transtornos de impulso.

Conviver com vícios não é fácil, há que se estar motivado e ter consciência que podem haver recaídas ou retrocessos ao longo do processo de tratamento e desenvolver estratégias para superar estas situações.

É muito importante que a pessoa estabeleça metas a cumprir de forma realista e responsável, organize as suas rotinas diárias, faça uma boa gestão dos seus tempos de lazer e descanso, adote passatempos e recupere ou invista na sua vida social.

Uma boa sugestão é a prática de atividade física.

O vício nos videojogos, á semelhança de qualquer outro, pode ser evitado, embora ainda

não existe um consenso na comunidade científica sobre qual seria a melhor forma de o prevenir, acreditasse que a redução da exposição aos jogos possa ser uma medida preventiva. Na literatura encontra-se autores que defendem o máximo de duas horas seguidas a jogar que deverão ser seguidas de outra atividade.

No caso das crianças e adolescentes saliento a importância do controlo e educação parental para o uso das tecnologias através da imposição de regras e hábitos de utilização saudáveis. Os adultos deverão adotar estratégias para controlar o tempo dispensado a jogar e optar por estilos de vida saudáveis.

Dr. João Martins de Sousa
Delegado de Saúde de Lagoa
(Artigo publicado na edição impressa de abril de 2019)

Categorias: Espaço saúde, Opinião

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