ESL: Clube de Geocaching da Escola Secundária de Lagoa [12]

O Geocaching nos Açores e no concelho de Lagoa

No concelho de Lagoa existem várias caixas emblemáticas que fazem parte do projeto GeoTour Azores, sendo também na cidade de Lagoa que se encontra a sede desta geotour!

Nos últimos cinco anos, ou seja, desde 2013, o Geocaching no arquipélago dos Açores sofreu mudanças profundas; nomeadamente: passou-se das cerca de mil caches existentes em 2013 para mais de três mil caches existentes em 2018; passou-se de cerca de cem geocachers (praticantes desta modalidade) para mais de quinhentos geocachers locais ativos e o número de geocachers visitantes, portanto turistas, passou para uma média mensal de cerca de quinhentos. O Geocaching nos Açores, sempre foi alvo de grande destaque, a nível nacional, pois e desde logo, foi nos Açores que apareceu a primeira geocache portuguesa; chamada Translant Chees Cache localizada na Praia da Vitória, na ilha Terceira, desde maio de 2001 (tenha-se em atenção que o Geocaching apareceu neste mesmo ano). Registe-se também, que a melhor cache dos Açores, relativa ao ano de 2013, se situa neste concelho.

Observe-se também que a 1ª geotour portuguesa, GeoTour Ilha Verde/Green Island (GIGT), localizada em S. Miguel, apareceu em 2015, sendo um projeto do Governo Regional dos Açores, através da Direção Regional do Turismo, tendo como responsáveis os geocachers: Luis Filipe Machado e Pedro Almeida. Este projeto funcionou durante um ano. Foi substituído, por proposta da Direção Regional do Turismo, por uma nova GeoTour, a GeoTour Azores, que abrangesse as novas ilhas do nosso arquipélago. Esta nova geotour (AZGT) envolve as mesmas entidades e pessoas, funciona desde março de 2016 e envolve todos os municípios dos Açores, em particular a Câmara Municipal de Lagoa. De registar que a sede destas geotours se localiza na cidade de Lagoa, mormente nas instalações do OVGA (Casa dos Vulcões). São várias as entidades deste concelho que colaboram com esta geotour, nomeadamente: o Expolab e o OVGA. Estas duas geotours, existentes nos Açores, continuam a ser caso único em Portugal.

Todas as caches desta geotour estão em locais turísticos ou são sobre temas turísticos, relativos a este arquipélago. É a maior geotour (entre as 68 existentes na atualidade) existente no mundo, tendo 150 caches normais e 20 caches jocker. Mais de cinco mil geocachers já encontraram caches desta geotour, dos quais mais de cem já atingiram o “nível de prémio”. Registe-se também o facto de que, até esta data, dois geocachers conseguiram realizar a totalidade das caches da GeoTour Azores, tendo recebido um souvenir internacional, disponibilizado pela Groundspeak. Desde maio de 2018 que Groundspeak (entidade proprietária do Geocaching a nível mundial) disponibiliza, em nome do Governo Regional dos Açores, este especial souvenir, que é um dos mais cobiçados, atendendo à sua raridade e dificuldade na obtenção, não só devido ao número de caches envolvidas (150 mais 20 caches jockers), como pela sua distribuição geográfica por nove ilhas.

Nos Açores várias caches encontram-se localizadas dentro de museus, centros de ciência, bibliotecas e outras entidades similares. Tenha-se em atenção que esta geotour foi criada de raiz com o objetivo de ser mais fácil completá-la, ou seja atingir o nível de prémio, através das ilhas mais pequenas, de forma a fomentar um incremento de turismo nestas ilhas (Corvo, Flores, Graciosa e Santa Maria). Todas as caches desta geotour são de dificuldade reduzida, para que uma família de turistas com crianças as consiga encontrar.

Em março de 2017, os Açores receberam pela primeira vez a vista de um dos responsáveis a nível mundial deste jogo de aventuras, a lackey Cindy Potter. Também foi organizado, na altura, um evento de Geocaching, realizado na cidade de Lagoa, com a presença da lackey, em questão.

Existem mais alguns marcos relativos ao Geocaching açoriano, nomeadamente: nos Açores foi publicada a primeira e segunda earthcaches submarinas existente em Portugal; a primeira cache portuguesa, que utiliza tecnologia NFC. Por outro lado, os Açores são a região do país com mais earthcaches, em percentagem (caixas virtuais ligadas à geologia e Ciências da Terra). Também é de ter em conta que foram várias as caches açorianas que obtiveram prémios a nível nacional, em particular a cache que ganhou o melhor local do país; que nos Açores se localizam: a cache a maior altitude e a cache a menor altitude de Portugal. Nos Açores existe o único Clube de Geocaching (devidamente legalizado) existente em Portugal, que é o Clube de Geocaching da Escola Secundária de Lagoa, que conta, de novo, neste ano letivo, com mais de cem estudantes inscritos e que tem por principal entidade parceira a Câmara da Lagoa.

Desde o passado ano letivo que são ministrados, neste concelho, formações creditadas para professores (chamadas: Geocaching – Uma ferramenta educativa). Estas formações são reconhecidas para avaliação de professores na RAA, tendo já se realizado dois cursos, com o total de 44 formandos (professores colocados em várias ilhas da RAA). Está planeada a realização de mais dois cursos (agora de nível avançado), nesta escola, durante o corrente ano letivo.

Finalmente é de ter em conta a grande qualidade da generalidade das caches existentes nos Açores, como o atestam os muitos testemunhos registados nos “logs” das caches, por muitos turistas geocachers continentais e estrangeiros.

Luis Filipe Machado e Marco Pereira
(Artigo publicado na edição impressa de novembro de 2018)

Categorias: Educação