“O judo é mais do que um desporto, é um modo de vida”

O Jornal Diário da Lagoa foi ao encontro de Bruno França, colaborador do Judolag – Judo Clube de Lagoa -, onde é membro da direção, é treinador da iniciação, da formação e do pré-competição.

Atividade ininterrupta desde 1990, o judo, na Lagoa, começou por ser uma modalidade promovida pela Junta de Freguesia de Nossa Senhora do Rosário, passando a haver depois uma associação da arte marcial ao Clube Operário Desportivo e, nos dias de hoje, temos esse e o Judolag – Judo Clube de Lagoa.

Segundo Bruno França, “o Clube Operário Desportivo tem sido mais ativo numa vertente de iniciação e pós-competição. O Judolag foi criado com a intenção de aperfeiçoamento para a via competitiva e não só apenas na via lúdica e na via desportiva de manutenção”.

O clube conta atualmente com cerca de 80 membros federados, cuja densidade de atletas, por idades, é maior entre os 8 e os 12 anos. Mas é bem possível começar-se a integrar as lides do judo desde bem mais cedo, a partir dos 4 anos de idade.

“Nos começámos a criar uma faixa etária de pré-judo, através de jogos, metendo as crianças mais pequenas a fazer o pré-desporto, na base de jogos e da coordenação motora, porque hoje em dia as crianças não são como as de antigamente, que iam para a rua e tinham mais destreza física. Agora ficam mais em casa. O pré-judo tem ajudado a compensar aquilo que já não há hoje em dia: crianças a brincarem na rua e a terem esse desembaraço. E estamos a começar com a faixa etária dos 4 anos. Dos 4 aos 7 anos é o pré-judo, jogos adaptados ao judo, e depois começamos a dar iniciação e formação mais específica a partir dos 8 anos”, sublinha o colaborador do Judolag.

As vantagens de se começar a praticar judo tão cedo são inúmeras e bem visíveis, pois esta arte marcial com origens no Japão permite “a auto-disciplina, ou evitar o confronto”, sendo que “um praticante de judo é sempre uma pessoa ponderada, que tem calma e que aprende a atuar quando tem de atuar”. Bruno França destaca ainda que “o comportamento das crianças na escola e a sua disciplina têm vindo a melhorar e o judo é essencial para isso”, tendo a UNESCO, inclusive, considerado o judo como a modalidade mais indicada para a formação de crianças e jovens em termos desportivos.

Com um código moral constituído por itens tais como a delicadeza, a coragem, a sinceridade, a honra, a modéstia, o respeito, o controlo sobre si mesmo e, principalmente, a amizade, o Judolag destina-se a dar a conhecer uma arte marcial com origens orientais que assenta, fundamentalmente, na “máxima eficiência com o menor esforço”.

“É tentar derrubar o nosso parceiro usando a força do parceiro e usando técnicas para o deixar ou imobilizado ou fora do seu controlo. Está assente num código moral muito sólido e pretende criar condições para uma criança ou um indivíduo evoluir a nível mental e a nível físico”.

Sem limite de idades, um judoca pode continuar ativo por um tempo quase indeterminado, até “aos 80, 90 anos”, persistindo, contudo, uma verdade incontornável:

“Um atleta, no judo, nunca está completamente formado. Estamos sempre em constante crescimento. O judo é uma constante evolução, estamos sempre à procura da perfeição. Esta é uma arte marcial oriental japonesa e aquela cultura japonesa está sempre à procura da perfeição, está sempre a treinar para se aperfeiçoar. Em termos de competição e de alta competição, um atleta atinge talvez o seu auge aos 22, 24 anos e, talvez, até aos 27”.

Numa modalidade em franco crescimento tanto em Portugal como nos Açores, tendo havido um certo pico de popularidade quando Nuno Delgado foi medalhado nos Jogos Olímpicos, o Judolag – Judo Clube de Lagoa, tem procurado impor-se no panorama regional e até nacional, já tendo conquistado, inclusive, alguns títulos. Já contou com campeões regionais de juvenis, de cadetes e, nos juniores, com um campeão regional.

E porque sonhar é ver as formas invisíveis, as ambições passam também por conquistas a nível nacional, bem mais difíceis, até porque aí “já surgem estruturas profissionais, quase profissionais, e nós aqui somos um clube amador. Tentamos trabalhar o mais profissionalmente possível para tentar chegar ao nível dos que estão no continente”.

Bruno França deixa assim uma mensagem a todos os que, tal como ele, adoram e praticam o judo, apelando para que possam continuar “a sua progressão em busca da perfeição, aproveitando os ensinamentos que o judo dá: máxima eficácia com menor esforço. O judo é considerado mais do que um desporto, é um modo de vida”.

DL/JTO

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