Açor-descendente de Santa Cruz emociona-se na Igreja onde avós se batizaram

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Susan Vieira Shea é neta de João Pereira Vieira e de Maria da Encarnação que nasceram, cresceram e casaram na igreja de Santa Cruz até emigrarem para os Estados Unidos, onde vieram a falecer. Susan Vieira é bisneta paterna de António Pereira Vieira e de Maria Margarida Amorim e materna de Jacinto da Costa Galego e de Maria José, que viveram em Santa Cruz.

Um dos motivos que levou Susan Vieira a integrar a comitiva de Dartmouth aos Açores, liderada por Edmund Tavares, foi o de conhecer a Lagoa e em particular a freguesia de Santa Cruz, a terra onde nasceram seus avós e bisavós.

Impressiona qualquer católico ver e partilhar o que eu vi quando levei Susan a visitar a linda e histórica igreja da matriz de Santa Cruz que em 2007 se tornou quinhentista. Susan é católica «a sério» e li isso pela forma de sentir e viver o momento de confronto com aquilo que se ama e acredita. Assim que ela se aproximou da igreja perguntou-me se aquela igreja já existia no tempo dos avós? Apontei-lhe a data de 1507 que está por cima da porta principal da igreja. As lágrimas vieram-lhe logo aos olhos.

Ela aproximou-se da portada e tocou as pedras de basalto e ficou ali em silêncio, como que ligando-se ao passado, aos avós, que ali também as teriam tocado e muita vez por ali passaram, pensava.

A partir daquele momento a Susan deixou de estar comigo. A igreja estava aberta. Entrou na igreja, persignou-se tocando na água benta, seus olhos pareciam conhecedores de todos os cantos da igreja, como se seus avós a estivessem a guiar e dirigiu-se primeiro à pia batismal. Depois caminhou até junto dos altares dos patronos da igreja, Nª Sª do Rosário e do Sagrado Coração de Jesus, como se sempre soubesse a sua importância naquela igreja.

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Ajoelhou-se e orou. Duas senhoras que estavam a proceder à limpeza da igreja, pararam e aperceberam-se do choque em que aquela senhora se encontrava e das lágrimas que lhe corriam pelas faces e aproximaram-se para a confortar.

Mas Susan estava feliz e de repente tinha rasgos de sorrisos alternados com as lágrimas que ia limpando das suas faces. Eu, bem, eu só ia tirando algumas fotos, para que ela se recordasse desta visita à igreja dos seus avós. Porém, sei que estas fotos terão concerteza para Susan Vieira outro significado.

Algum tempo depois deixamos a igreja e Susan quis olhar com olhos-de-ver tudo o que a sua vista alcançava desde a porta da igreja e depois do adro da igreja; a baía, as casas à volta, a rua Gaspar Frutuoso, das primeiras de Lagoa, o mar e um barquinho se afastando em direcção ao horizonte.

“Eu vou voltar”, disse Susan Vieira, “eu quero andar nestas ruas a pé, como meus avós. É como se essa fosse a minha terra, eu sinto muito isso. Quero ficar num hotel em Santa Cruz e vaguear por estas ruas, onde meus avós andaram!” continuou. Santa Cruz não tem hoteis, mas isso não vai ser motivo para Susan não voltar, pois assim que lhe disse que teria de ficar no Rosario , não muito longe dali, ela confirmou, que ainda ia gostar mais, porque cada vez que se deslocasse a Santa Cruz, iria se lembrar de seus avós a caminhar pela Lagoa e iso dava-lhe uma alegria interior.

Voltamos aos apartamentos Nª Sª da Estrela onde estava o resto do grupo de Dartmouth à espera para partirem para o aeroporto, com destino a Boston na Sata Azores Airlines.

Fica aqui uma palavra de gratidão e fidelidade à Lagoa por parte de Edmund Tavares, um filho de lagoenses de Santa Cruz a viver em Dartmouth, que não se cansa de inventar e partilhar comigo novos projectos comunitários que arrastem para a Lagoa em particular e para os Açores em geral, emigrantes, açor-descendentes de lagoenses, empresários, professores, alunos, e muita gente que nele confia e em nós acreditam. Acreditam pois que toda a gente antes de morrer deve passar pelo nosso «céu» açoreano, antes de partir deste mundo.

É também de elementar justiça destacar o apoio da Câmara Municipal de Lagoa e em particular à sua presidente, Drª Cristina Decq Mota, ao tornar possível os apoios logísticos para que os laços de amizade entre a Lagoa e Dartmouth continuem a manter-se e a estreitarem-se. Bem-haja. Destaque também para os dois funcionários da CML, Frederico Mendonça e Neuza Almeida, que estiveram a acompanhar a delegação de Dartmouth no apoio logístico do programa da visita à Lagoa.

DL/Roberto Medeiros

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