Opinião: Preciso de um abraço!

Graças a Deus sempre tive a oportunidade de abraçar e de ser abraçado. Por vezes, tenho de saber esperar, e se é para acontecer, mais tarde ou mais cedo acontece. Também é verdade que vou adiando alguns abraços… infelizmente, mas de todas as vezes não há forma mais bela e libertadora de dar e receber afetos do que um abraço.

Ultimamente, tenho pensado muito nas pessoas que nunca foram abraçadas, naqueles que não são capazes de abraçar ninguém, nos outros já se esqueceram deste sublime gesto em que quatro braços se dispõem a entrelaçar dois corações, duas vidas, num só momento, capaz de nos fazer acreditar que não existe nada, nem ninguém para além daquele abraço.

No outro dia rezava assim: Senhor crucificado, eu que conheço a grandeza do teu eterno abraço, a grandeza de um abraço do meu próximo, nem sempre te sou fiel, nem sempre consigo amar o meu próximo como devia, como sou capaz de exigir fidelidade e amor dos que não conhecem tamanha grandeza? Se para mim é difícil ser pessoa e cristão, quão difícil será para aqueles que não abraçam, nem são abraçados?

Um abraço é a expressão máxima dos afetos, mas não a única. Sei que não nos exprimimos todos da mesma forma, provavelmente nem todos reconhecem a importância de um abraço, contudo é indiscutível que sem afetos é impossível ser-se equilibrado e feliz.

Por isso, lamento que atualmente alguns continuem mais preocupados em educar para a sexualidade do que para os afetos. É necessário educar para a sexualidade, mas como sendo uma das muitas dimensões dos afetos, porque quando se educa para os afetos estamos naturalmente a educar para a sexualidade, mas o contrário pode não acontecer.

Há medida em que envelheço, tenho menos certezas, mas ainda tenho algumas e uma delas é que a educação para os afetos é primordial para a nossa felicidade, porque de pouco nos serve sermos sábios académica ou profissionalmente, por exemplo, se não nos soubermos relacionar uns com os outros.

O meu desafio diário é procurar ser assertivo e coerente no modo como me relaciono com o meu próximo. Como nunca consigo atingir o último nível deste desafio, no final de cada dia, volto sempre ao primeiro nível, ao dos principiantes, mas como quero passar de nível, preciso sempre do teu abraço!

Pe. Nuno Maiato
(Crónica na edição Impressa de agosto de 2016)

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