AASM reclama trocas comerciais entre Portugal e Angola para escoar excedentes lácteos do pais e da Região

AASM reclama trocas comerciais entre Portugal e Angola para escoar excedentes lácteos do pais e da Região2

Entre as centenas de expositores e stands que dão forma à 53ª Feira Nacional da Agricultura, a decorrer até domingo, em Santarém, o primeiro-ministro, António Costa, e o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, fizeram questão de parar no stand da Associação Agrícola de São Miguel (AASM), deixando uma palavra de reconhecimento pelo peso que a produção agrícola tem na dinâmica socioeconómica do arquipélago dos Açores.

“Todos sabemos que ele não tem oportunidade de ir a todos os stands. Contudo, assinalar uma passagem no nosso é indicador da importância que o primeiro-ministro parece querer dar ao sector”, referiu o presidente da AASM, Jorge Rita, após receber António Costa.

Segundo uma nota enviada à nossa redação, uma visita que durou poucos minutos mas que permitiu ao dirigente da AASM assinalar, uma vez mais, o momento delicado que a produção de leite atravessa.

“Esperamos é que comecem a aparecer algumas soluções para além daquelas que já existem e que assentam na suspensão do pagamento à Segurança Social em 50 por cento até Dezembro ou as linhas de crédito de iniciativa nacional, mas que não têm qualquer aplicabilidade nos Açores”. Nesse sentido, em matéria de reivindicação junto do executivo de António Costa, Jorge Rita aponta a suspensão do pagamento por conta, mas também o acesso a ajudas adicionais para Região, mecanismo de apoio que, neste momento, não consegue beneficiar os produtores de leite açorianos.

Outra medida a adoptar pela República e que no entender do presidente da AASM seria um importante balão de oxigénio para o escoamento de excedentes lácteos é a exportação para Angola, garantindo o correspondente pagamento às empresas exportadoras.

“Em termos de diplomacia, poder-se-ia trabalhar na possibilidade de se estabelecerem relações comerciais protocoladas entre Portugal e Angola, por exemplo, ao nível da troca de produtos petrolíferos por leite e derivados, a que se podiam juntar, outros excedentes agro-alimentares existentes em território português.

Um procedimento que, refere Jorge Rita, deverá ser articulado com todas as empresas regionais que exportam lacticínios, “de modo a não deixar ninguém de fora”.

“Essa é uma tarefa da competência do Governo da República, no entanto, o Governo Regional não se pode demitir da sua obrigação de vigilância nessa matéria”, acrescenta.

No imediato, a presença da AASM na maior feira agrícola do pais, faz-se com uma forte presença de produtos açorianos, de todas as ilhas e de vários sectores de produção.

“É um stand onde aproveitamos a passagem de decisores e outras personalidades para alertar para algumas das questões que precisam de ser alteradas ou limadas para um melhor funcionamento do setor produtivo regional, mas também para acentuar a notoriedade dos nossos produtos “.
Na edição deste ano, há um maior enfoque ao leite.

“Todos sabemos a crise que o setor atravessa e nunca e demais dar a provar a excelência do leite dos Açores”, remata o presidente da AASM.
Aliás, não obstante a presença de inúmeras marcas de vinhos e licores, os brindes de quem passa pelo stand da AASM são feitos, única e exclusivamente com leite. Foi o que fez o primeiro-ministro, o ministro da Agricultura e a restante comitiva.

De manhã, o gesto tinha sido o mesmo mas pelas mãos de um grupo de deputados da Comissão de Agricultura da Assembleia da República, entre eles, o açoriano António Ventura.

O parlamentar reiterou a importância de fazer vingar medidas legislativas que permitam alcançar entendimento na cadeia alimentar. “Ou seja, não é obrigando mas criando prática legislativas que impeçam a concorrência desleal e a importação de marcas brancas, de modo a que os nossos produtos tenham uma valorização em toda a cadeia, quer seja o transformador, quer seja o distribuidor, sem esquecer o rendimento justo para quem produz”.

DL/AASM

Categorias: Regional

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