Opinião: Um Museu a Céu Aberto

Rui Menezes cronicas Jornal Diario da LAaoa

Se há coisa que este governo fez, continua a fazer e se prepara para fazer ainda mais, é museus. Apesar desta manta de museus, gostaria de concentrar a minha crónica, em apenas três destes ilustres espaços deste governo Regional.

MUSEU I – Um museu, já feito, que é o centro de arte contemporânea, construído na cidade da Ribera Grande, um museu que se vai fazendo aos poucos (recuperando), que é o museu Carlos Machado, na cidade de Ponta Delgada e por último a Casa da Autonomia, que vai ser implantado no Palácio da Conceição, também em Ponta Delgada.

O museu de artes contemporâneas, inaugurando o ano passado na cidade da Ribeira Grande, é certamente um excelente cartaz turístico para os Açores, em especial para a ilha de São Miguel. No entanto, poucos são aqueles que se lembram do seu custo, muitos menos serão aqueles que se preocupam com os custos de exploração do mesmo.

Sem crer ser acusado de ter uma visão economicista das coisas, como agora se usa dizer sempre que alguém faz contas, mas tentando dar uma ideia da grandeza dos números, aqui fica um quadro que mostra qual o valor que a região teve de desembolsar para instalar nesse museu, quatro portas:

cronica rui menezes junho2016

As conclusões deixo para os leitores.

MUSEU II – Já em relação ao museu de Carlos Machado, a situação é diferente. Aquele que sempre foi o museu da cidade de Ponta Delgada foi deixado ao abandono durante vários anos.

Por birra, certamente, o Governo Regional, embora tenha criado vários espaços museológicos à sua volta, sinal que o problema não era falta de dinheiro, nunca teve pressa em efetuar a recuperação do edifico mãe do museu Carlos Machado.

Só perante a insistência das populações e da oposição, o governo decidiu reconstruir o edifício, embora em duas fases, tendo sido adjudicada até agora apenas a primeira fase. A outra ficamos a aguardar.

MUSEU III – Mas a menina dos olhos do atual governo Regional é a Casa da Autonomia, que é outro museu que vai surgir no Palácio da Conceição, no Largo 2 de Março.

Já foram transferidos os funcionários que trabalhavam neste edifício, no sentido de se iniciarem as obras.

Aqui, a obra não será efetuada por fases e já há muito tempo que está a ser preparada. Segundo consta até a responsável pelo museu e os funcionários estão já escolhidos.

Já no plano do Governo, apresentado na Assembleia Regional, para o ano de 2016, constava uma dotação de 2,555 milhões de euros para esta obra.

Lembre-se que esta obra, era a terceira maior obra, em dotação, inscrita neste plano para a ilha de S. Miguel, a saber:

– Construção de novas instalações para a EB1,2/JI Gaspar Frutuoso com uma dotação de 14.600.000 euros
Construção de novas instalações para a EBI Canto da Maia com uma dotação de 6.500.000 euros
Casa da Autonomia com uma dotação de 2.555.000 euros.

Porém, não se pense que o custo desta obra se ficará por aqui. De acordo com o Gabinete de impressa do Governo Regional, a obra já foi adjudicada por um custo base de 3,1 milhões de euros. Claro que dependente das derrapagens e já agora, do tipo de portas que vão ser instaladas, poderá ter um custo muito superior.

Outros Museus…
Mas, infelizmente as noticias que temos assistido ultimamente, nos diversos órgãos de comunicação social, levam-nos a crer que o governo se prepara para abrir mais museus, fruto do seu desempenho.
O primeiro que parece estar prestes a surgir, é o museu do Açúcar e do Álcool.

Desde que o Governo iniciou a sua intervenção na Sinaga, que as coisas ficaram bem pior para a empresa.

Fruto de algumas operações contabilísticas, nomeadamente valorizando património que todos sabem que está obsoleto, o governo consegui passar entre os pingos da chuva, deixando a mensagem, para a opinião pública que as coisas estavam a melhorar na empresa.

Como se isto não bastasse o governo desencorajou os comerciantes locais, a adquirir açúcar no continente ou no estrangeiro, atribuindo-lhes subsídios, porém:

Os prejuízos apresentados pela SINAGA, triplicaram em relação aquilo que eram.
As vendas de baixaram.

O Açúcar que antes era, na sua maioria de beterraba, produzida em S. Miguel, agora é, na sua maioria, importado.

A empresa não tem tesouraria que lhe permita continuar a sua atividade.

A empresa não tem açúcar para vender.

Qual o Futuro da SINAGA? E das outras empresas publicas regionais?

O Governo Regional prepara-se para transformar os Açores num Museu a Céu Aberto…

Por Rui Meneses
(Crónica na edição Impressa de junho de 2016)

Categorias: Opinião

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