Opinião: Governo repõe dias de preguiça

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Depois de um interregno de três anos, voltou a ser Feriado Nacional na quinta-feira do Corpo de Deus, aliás voltou a ser Dia Santo para a maioria dos portugueses, porque mais de oitenta por cento de nós, ainda nos declaramos como católicos, mas ao invés de ser um dia de ação de graças e louvor pelo Mistério Eucarístico, foi mais um dia de exaltação da “Preguiça Nacional”.

Não quero aqui avaliar as intenções do Governo, quer do anterior, quer do atual. Quero acreditar que os dois deliberaram segundo o que achavam melhor para o País neste momento da sua história. De facto, ser ou não ser feriado, não é a minha preocupação. O que me inquieta é o modo como os católicos estão a celebrar os Dias Santos de guarda.

Sei que os feriados são vividos de maneira diferente pelos Portugueses, nem todas as efemérides são motivos de celebração para todos. Na verdade, para algumas minorias, são oportunidade de descanso, porque a celebração do dia, nada lhes diz ou até apelam a valores em que não acreditam. Não podemos esperar que um anarquista celebre o 25 de Abril, ou pedir a Monárquico que se entusiasme com a celebração do 5 de Outubro. Do mesmo modo, para os não crentes, os Feirados religiosos não são dias santos, mas o que pensar dos católicos que não celebram os seus Feriados? Será que faz sentido continuarem a ser dias Santos, quando a maior parte dos católicos vivem estes dias como autênticos pagãos?

Nem aqueles que regularmente participam na Eucaristia Dominical, costumam faze-lo nos nesses dias. Basta entrar na maioria das Igrejas da nossa ilha ou região para termos a desagradável experiência de contarmos pelos dedos os que estão a participar na celebração que motiva aquele dia ser Feriado. A não ser que haja uma comemoração ou festividade associada à efeméride do dia, como as primeiras comunhões no dia do Corpo de Deus. Mas se esta abstenção acontecesse só num dos Dias Santos do ano, poderia justificar-se de alguma forma. Mas não. O mesmo acontece, no dia de Natal, no dia da Senhora da Conceição, etc.

Já é hora de refletirmos a sério sobre esta realidade, não podemos continuar a celebrar mais do que uma vez no ano o dia da Santa Preguiça. Sei bem o que é ser preguiçoso, sou-o por natureza e luto diariamente para contrariar esta minha tendência natural. Mas há limites para tudo, até para ser preguiçoso, e neste caso os católicos tem de se definir, querem ou não a continuidade dos Dias Santos? Se sim, devem celebrara-los em coerência com a sua fé.

Pe. Nuno Maiato

Categorias: Opinião