Sistema de Vigilância de Comportamentos de Risco em Jovens permite planear intervenções adaptadas à realidade da Região

Joao Soares diretor regional saude Açores

O Diretor Regional da Saúde afirmou que os resultados do Sistema de Vigilância de Comportamentos de Risco em Jovens (SVCRJ), implementado no ano letivo 2014/2015, vão permitir o “planeamento de intervenções no âmbito da saúde escolar/saúde infantojuvenil adaptadas às necessidades reais desta população”.

João Soares, que falava à margem da apresentação dos resultados do SVCRJ implementado nas escolas dos Açores, salientou que este sistema visa “contribuir para a obtenção de ganhos em saúde para a população jovem residente na Região, medindo a prevalência dos comportamentos de risco”.

Este sistema foi aplicado pela primeira vez no ano letivo 2013/2014, com uma participação de 29,6% da população alvo, pelo que, tendo em conta a baixa representatividade, os dados foram apenas enviados para cada uma das escolas e respetivas equipas de saúde escolar, para que pudessem programar as atividades para o ano letivo seguinte consoante as necessidades e os problemas detetados e com maior impacto.

A população alvo para o ano letivo 2014/2015 incluiu todos alunos do 6.º ao 12.º ano do ensino regular e de outras modalidades de ensino do Sistema Educativo Regional, num total de 20.278 alunos, tendo sido obtidos 10.121 questionários, que representam 49,91% do total da amostra.

Entre os resultados obtidos, atendendo ao número de alunos do 6.º ao 8.º ano que alguma vez esteve envolvido numa luta física e comparando com a percentagem de alunos que saiu magoado desses confrontos, conclui-se que estas situações são de pequena dimensão.

Nesse sentido, o Diretor Regional da Saúde salientou que a temática do ‘bullying’, em todas as suas vertentes, tem sido “uma das maiores apostas das equipas de saúde escolar”.

Comparando estes dados com os obtidos no ano anterior, mesmo tratando-se estes de dados pouco significativos, verificou-se uma diminuição, em média, de cerca de 1,5% na percentagem de vítimas de qualquer tipo de ‘bullying’ nos últimos dois meses.

Por outro lado, relativamente aos dados do ano passado, a percentagem de jovens do 9.º ao 12.º ano que, nos últimos 12 meses, pensou em magoar-se intencionalmente ou em suicidar-se diminuiu de 22,5% para 18,4%.

João Soares salientou, no entanto, que se trata de jovens que se encontram na fase final da adolescência (14-19 anos), que é representada por um período de mudanças psicológicas.

Relativamente ao consumo de tabaco, os resultados do Inquérito Nacional em Meio Escolar (INME) concluíram que, em 2011, 18% dos alunos a frequentar o 3.º ciclo do ensino público fumaram nos 30 dias anteriores ao estudo.

Comparando estes dados com os resultantes do SVCRJ, estes valores situam-se abaixo do apresentado no estudo referido, tendo apenas 2,8% (do 6.º ao 8.º ano) e 7,0% (do 9.º ao 12.º ano) referido que fumaram cigarros diariamente nos últimos 30 dias.

Na mesma linha, o consumo de álcool, entre 2006 e 2011, segundo o INME, apresentava uma evolução descendente.

A proporção de alunos residentes nos Açores que referiram consumo recente de álcool (nos últimos 12 meses) diminuiu de 17% para 12%, no 3.º Ciclo, e de 42% para 29%, no Secundário.

Relativamente aos dados do SVCRJ, as percentagens elevadas de consumo prendem-se com a experimentação, pois quando comparadas com a frequência e hábito de consumo, as percentagens descem consideravelmente, situando-se abaixo dos valores plasmados no INME (16,7%).

Os dados do SVCRJ revelam ainda a manutenção de alguns hábitos alimentares nocivos por uma percentagem significativa de alunos, nomeadamente o elevado consumo de bebidas com açúcar e bebidas energéticas e a ausência diária da ingestão de sopa de legumes, de fruta e do pequeno-almoço.

A alimentação saudável é um dos temas mais abordados pelas equipas de saúde escolar, sendo mesmo uma temática obrigatória, juntamente com a saúde oral, para o 1.º Ciclo, no entanto, promover a mudança de comportamentos é sempre uma ação demorada.

O Diretor Regional da Saúde frisou que o SVCRJ pretende ser um sistema dinâmico, surgindo como uma “ferramenta de planeamento e de intervenção em saúde pública”.

A sua realização permite conhecer a situação de saúde da população alvo (alunos do 6.º ao 12.º ano), com o objetivo de adequar, de acordo com os resultados, intervenções que se revelem desajustadas, favorecendo igualmente a monitorização dos indicadores da área de intervenção da promoção da saúde em contexto escolar do Plano Regional de Saúde.

Este Sistema de Vigilância de Comportamentos de Risco em Jovens resultou da adaptação do Youth Risk Behavior Surveillance System, criado em 1991 e já foi aplicado em mais de 2,6 milhões de alunos.

DL/Gacs

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