Opinião: A Lagoa e o novo ciclo do turismo

João Ponte_720x380_cronicas

Conhecer, sentir e viver os nossos Açores é uma experiência rica, única e certamente marcante.

Açores são Açores!

A simpatia das nossas gentes, as belezas naturais inconfundíveis, o património cultural, as festividades, a gastronomia e o mar que nos separa, mas que nos liga afetivamente, são bons motivos para redescobrir os Açores.

Na verdade, hoje, os Açores vivem um novo ciclo no turismo. Um ciclo gerador de mais economia e de maior riqueza para a região.

Vive-se, atualmente, uma situação particular, onde nunca o turismo foi tão falado e nunca se apresentou, como agora, assumindo-se no panorama regional açoriano como um dos principais meios de desenvolvimento económico, reconhecendo-se-lhe, implicitamente, capacidade para ajudar a região a ultrapassar a situação económica e social atual.

Hoje, o turismo é unanimemente reconhecido como uma das principais atividades da economia global, onde a sua incrementação é mais rápida do que os outros setores tradicionais. Daí que os recursos públicos aplicados no setor turístico apresentem, por norma, elevadas taxas de retorno económico e social, com efeitos multiplicadores no PIB, no emprego e no desenvolvimento dos outros setores de atividade conexos.

O turismo não é mais do que o somatório de todos os negócios que, direta ou indiretamente, fornece bens ou serviços ligados ao lazer, cria riqueza e emprego e dinamiza as restantes atividades.

Nos Açores, turismo e sustentabilidade têm de andar de mãos dadas e a nós açorianos cabe assumir preocupações na salvaguarda do ambiente e dos recursos naturais, para garantir o crescimento económico da atividade e de forma a satisfazer as necessidades das presentes e futuras gerações.

E a Lagoa como se posiciona nesta nova realidade?

A Lagoa, não sendo um centro urbano de serviços por excelência nem dispondo de um atividade económica e de negócios comparável a Ponta Delgada, dispõe de unidades hoteleiras, algumas delas de referência e viradas essencialmente para o turismo.

Em 2012, com o surgimento da Pousada da Juventude, um empreendimento virado essencialmente para os turistas que preferem a informalidade e um serviço “low cost” veio colocar a Lagoa na rota da juventude e das pousadas da juventude.

Mais recentemente, surgiram projetos de turismo rural e de alojamento local que, a par de outros, que podem e devem surgir no concelho podem dar um contributo importante à captação de mais turistas para o concelho.

Nos últimos anos foram também disponibilizados equipamentos de importante estratégia para a afirmação cultural e turística da Lagoa na ilha de são Miguel. Refiro-me concretamente à Mercearia Central – Casa Tradicional em Água de Pau; a Casa das Memórias e o próprio convento dos Franciscanos, em Santa Cruz; o Museu Etnográfico do Cabouco e a Casa da Cultura Carlos César, também em Santa Cruz.

A parceria com operadores turísticos na promoção destes núcleos é essencial para garantir a visita de turistas a estes espaços museológicos, ao longo de todo o ano.

O desenvolvimento do turismo na Lagoa passará ainda pela dinamização de trilhos pedestres e pelo geocaching como forma de atrair mais visitantes ao concelho.

A dinamização das zonas balneares do concelho também é de primordial importância no setor turístico, designadamente o complexo municipal de piscinas que é motivo de atração de muitos visitantes não só pela qualidade e excelência das águas, mas também pelos serviços prestados, favorecendo assim a restauração e o pequeno comércio do concelho.

A Lagoa também marca a diferença pela qualidade da sua restauração. No concelho encontram-se variados e bons restaurantes, onde se pode degustar a típica e tradicional comida açoriana. Contudo é preciso um esforço contínuo na melhoria dos serviços prestados, procurando a diferenciação e a excelência, numa época onde a concorrência é muita em Ponta Delgada onde se localizam a maioria das unidades hoteleiras.

Espaços como a Praia da Baixa d’ Areia, o Porto da Caloura e o complexo municipal de piscinas já são locais de grande atração de visitantes, importando agora transformar esta realidade em oportunidades de negócio local.

Apesar das aplicações informáticas nada substitui o Posto de Turismo tradicional na promoção do concelho e na capacidade de cativar quem nos visita, sobretudo na divulgação do nosso património natural e cultural e nos serviços que podemos oferecer no concelho.

Temos ainda um longo caminho a percorrer na área do turismo mas este será mais fácil com o recurso a parcerias e sinergias com parceiros estratégicos.

O momento que atravessamos não é fácil nem propício e o desafio dos governantes é enorme e difícil. Nem tudo os governantes podem fazer e nem tudo depende deles. Mas, naturalmente se fizerem tudo que estiver ao seu alcance ficará mais fácil para os empresários investirem.

Aos empresários lagoenses cabe serem empreendedores e dinâmicos para poderem acompanhar a par e passo este “boom” do setor turístico, inovando e apostando na qualidade e excelência dos serviços que prestam.

Vamos por isso, cada um ao seu nível, continuar a trabalhar para que a Lagoa seja, cada vez mais, um concelho dinâmico, com condições para as empresas se afirmarem. Sem empresas não há emprego e sem a criação de emprego não conseguimos crescer.

Estamos no pico do verão, tempo propício ao lazer e ao descanso, mas também à reflexão. Já amanhã acabam as férias e continuaremos a trabalhar para que a Lagoa seja, cada vez mais, um concelho acolhedor, moderno e com qualidade de vida, com capacidade de atrair e fixar mais turistas e, por via disso, ser geradora de riqueza.

É este o contributo que cada lagoense poderá dar ao desenvolvimento do seu concelho.
Deixo-vos esta reflexão e fica o desafio!

Moinhos, 30 de julho de 2015

Categorias: Opinião