Opinião: O outro lado do mundo – “Silly season” todo o ano

Opinião - Tiago Furtado

O calor faz-se sentir, toda a gente pensa em férias; é verão! Mas, com a chegada desta estação do ano abre-se espaço para a chamada “silly season”, termo utilizado para definir um tipo de jornalismo que se baseia basicamente em transmitir notícias sem sentido e que, em condições normais, não fariam as manchetes de jornais, rádios e televisões. Em teoria seria assim, na pratica ė outra coisa.

Ora, a verdade é que vivemos ano inteiro em silly season e de todo o mundo chega-nos historias que ficamos espantados, para não usar uma palavra mais corriqueira, com as “proezas” que o ser humano consegue cometer. Por isso, aproveitando o momento convido o leitor a fazer uma viagem pelo mundo, o outro lado do mundo.

E que tal começar-mos pela Malásia, cidade de Seri Kembangan? De lá chega aquela que provavelmente será considerada a maior não burla da história. Confuso? Deixo para si a definição da seguinte historia como burla ou não. Segundo o “The Star” (jornal malaio), um homem ficou revoltado após comprar um dispositivo que prometia aumentar uma certa e dita parte do seu corpo . O homem, identificado apenas como Ong, recebeu na sua caixa de correio electrónico, aquilo que para nós ė “spam”,mas para ele verídico, um email a publicitar um remédio milagroso. Todos nós já recebemos um “enlarge your P*n*s”, para Ong, e por razões que desconhecemos, esta era uma solução importante a tomar. Bom, depois de gastar 450 ringgits malaios (cerca de 106€) é de esperar uns dias, Ong finalmente recebeu na sua casa a tal encomenda que tanto ansiava; a tal que o iria fazer animar. No interior um remédio alternativo? Uma pomada? Loção? Receita? Máquina? Nada disso. Nada! Ong recebeu uma lupa, sim uma lupa com uma única instrução que dizia ” não usar sob a luz solar”. Há que louvar o sentido cômico do burlão, se o assim podemos chamar. Francamente, uma lupa aumenta ou não aumenta? Posto isto nada mais a acrescentar, apenas referir que Ong deu entrada, na “DECO” da Malásia uma queixa contra o burlão anônimo. Mas dificilmente irá reaver o valor, uma vez não existir faturas nem registos…apenas um orgulho ferido.

Em Inglaterra, terra da sua Majestade, um par de cuecas pode chegar até aos 17.200 euros. Calma, não é fruto da crise, nem da Grécia. Feitas de algodão, brancas e com uma cintura de 114 centímetros foram adquiridas por um colecionador privado num leilão da Chippenham Auction Rooms, em Wiltshire. Que cuecas serão estas para despertar tanta curiosidade de modo a que alguém gaste mais de 17 mil euros? Resposta, pertencia à rainha Vitória que governou os destinos da Inglaterra entre 1819 e 1901 naquele que é considerado um dos maiores períodos de governação marcados por grandes desenvolvimentos industriais e expansão do império britânico. Ora, desta notícias duas coisas a reter: 17.200 euros e 114 centímetros de cintura.

Da próxima paragem, E.U.A, duas notícias que nos fazem pensar “Epá, está bonito, está”. A primeira aconteceu numa meia-maratona em Atalanta, onde o primeiro classificado venceu com apenas nove centésimos de segundo. Scott Overall venceu porque o segundo classificado, Ben Payne, que até ia na frente a poucos metros da meta, decidiu abrandar a corrida para festejar e acabou por ser ultrapassado por Scott. A segunda notícia aconteceu numa sala de teatro em plena Broadway. Uma pergunta: não vos irrita quando estão no cinema ou num sítio onde é suposto haver silêncio ter alguém a atender um telemóvel? Pois bem, o que aconteceu foi mais ou menos isso. Durante a peça “Hand to God”, uma comédia que está a ter sucesso, um tipo estava na plateia e o seu telemóvel ficou sem bateria, que azar, sobretudo quando se está no teatro. Sem meias medidas o homem levantou-se e sorrateiramente dirigiu-se ao palco, subiu (relembro que a peça já tinha começado) e decidiu ligar o carregador a uma tomada que se encontrava no cenário. Segundos depois e perante a estupefacção da plateia e dos próprios actores o homem percebeu que a tomada fazia mesmo parte, mas MESMO! do cenário, ou seja não estava ligada a lado nenhum.

A procura pela beleza e aumento dos preços da gasolina podem estar relacionados? Sim, pelo menos tendo em conta uma nova tendência no Azerbaijão. Em Baku há um spa que acredita ter encontrado o método mais avançado para o tratamento de várias doenças. Não usam leite, algas, lama, chocolate nem vinho, mas sim crude, sim petróleo em estado natural. O médico Hashim Hashimov afirma que este método “pode curar até 70 problemas de saúde, incluído impotência e que esta prática remonta ao século VI e tem efeitos medicinais bem comprovados” No entanto os avisos para as substâncias cancerígenas do crude e para o facto deste centro utilizar o mesmo petróleo para todos os banhos não tem retirado a procura por este novo método.

E é com esta imagem de pessoas submersas numa pasta negra que terminamos a nossa viagem ao outro lado do mundo. Agradeço a sua companhia e até à próxima viagem.

Por: Tiago Furtado

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