Opinião: A Democracia e o Poder Local

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O Poder Local Democrático representa a essência da Democracia na sua expressão mais próxima dos cidadãos, cujo exercício é legitimado pela escolha do povo, feita através de eleições livres.

Em 1974, o ato revolucionário das Capitães do MFA veio restituir a liberdade aos portugueses, consagrar direitos, promover mudanças positivas nos valores e nas mentalidades e impulsionar transformações económicas e sociais.

O Poder Local é assim parte integrante do regime democrático e do seu sistema de poder. É uma conquista que viu consagrada na Constituição da República os seus princípios Democráticos.

Face a tudo isto e, fazendo uma pequena retrospetiva, como vejo hoje a Lagoa de há 41 anos atrás?
Refiro-me, claro, ao meu caso concreto!

Cresci numa rua poeirenta, de terra batida, onde nem sempre havia água disponível. Criei-me numa artéria lagoense, onde era raro a passagem de carros, mas mesmo assim, recordo-me de ter sido atropelado por uma mota. Fazia a minha higiene pessoal numa pana com água, porque os rendimentos eram poucos para o “luxo” de uma casa de banho.

Sendo bem verdade que não andei descalço, mas o mesmo não posso dizer do meu avô materno.

Esta é a Lagoa de que me recordo, há cerca de 41 anos atrás, com caminhos de terra batida e esgotos a céu aberto, com escolas sem condições e equipamentos básicos. Uma terra de lavradores e camponeses de pés descalços, que andavam em carroças com bilhas ou de sacho às costas. Uma Lagoa onde os atletas, unidos pela vontade, defendiam a bandeira de um clube de futebol, procurando o golo através de uma bola escondida na poeira de um campo de terra batida e sem balneários condignos. Uma Lagoa de pescadores que partiam à busca do seu ganha-pão pelo mar fora, em embarcações sem as condições de hoje.

Esta era a Lagoa de há 41 anos e no decorrer dos mesmos, constatámos que mudámos, crescemos, evoluímos e modernizámos muito!

A vila operária é hoje cidade, a mais jovem cidade do país! Resultado do seu desenvolvimento em termos demográficos, sociais e culturais e de crescimento económico.

Quatro décadas depois, a Lagoa mudou, agora detém modernos equipamentos e dispõe de infraestruturas de qualidade que servem diariamente a sua população.

Vivemos numa Lagoa com estradas pavimentadas, com saneamento básico acessível, com escolas que reúnem condições e equipamentos de excelência, com lavradores que trabalham em melhores condições, temos acesso a cuidados de saúde dignos.

Orgulhamo-nos de poder ver os atletas praticar desporto em equipamentos desportivos renovados, temos instituições dinâmicas que procuram resolver os problemas da população e vemos os nossos pescadores com melhores frotas e modernos portos de pesca. Usufruímos de água com qualidade e abundância e assistimos ao tratamento dos resíduos num aterro, em detrimento das lixeiras a céu aberto com as quais antes convivíamos.

Na verdade, nestes anos de convívio entre a Democracia e o Poder Local, assistimos a profundas mudanças infraestruturais e sociais que vieram proporcionar a melhoria das condições de vida da população em geral.

Apesar das dificuldades que muitas famílias e empresas sentem, é inegável que hoje vemos uma Lagoa desenvolvida e vivemos numa Lagoa com mais qualidade de vida.

Desenvolvimento e progresso devem por isso ser a bandeira de um verdadeiro estado democrático que pugna pelo bem-estar das pessoas!

E neste dia, em que se assinala 41 anos do 25 de abril, numa altura em que o próprio Estado renega os princípios constitucionais, é fundamental unirmo-nos numa só voz, tanto os responsáveis políticos, como os cidadãos em geral, para entoar os valores de abril, aqueles que foram a principal bandeira da Revolução dos Cravos!

Cidade da Lagoa, 25 de abril de 2015
João Ponte

Categorias: Opinião

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