Opinião: “Dança de cadeiras”?!

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A Lagoa perdeu este mês o seu Presidente de Câmara que abandona esta função para assumir a presidência da Atlânticoline. Pareceu-me uma transição relativamente pacífica, entre os lagoenses, na opinião pública em geral, na comunicação social…, bastante mais tranquila do que a transição de Durão Barroso, em 2004, de Primeiro-Ministro de Portugal para Presidente da Comissão Europeia. Ainda hoje há quem lhe guarde ressentimento e não é raro usar este facto para o denegrir política e mesmo pessoalmente. Se me disserem que ser Primeiro-Ministro não é o mesmo que ser Presidente de Câmara, respondei, obviamente, que ser Presidente da Comissão Europeia não é o mesmo que ser Presidente da Atlanticoline…!

Mas importa esclarecer a minha posição relativamente ao que alguns designam, apenas por vezes e conforme as conveniências, por “dança de cadeiras” – uma caça à melhor posição pessoal que tanto descredibiliza a política e os políticos e certamente merecia uma crítica mais veemente por parte da opinião pública e da comunicação social.

Considero que um cargo político por eleição popular deve ser cumprido integralmente como um compromisso celebrado entre quem confiou o seu voto e quem o recebeu e o aceitou. Não cumprir a função que se assumiu é romper o compromisso.

Às minhas palavras acrescento as minhas acções, pois não fui permeável às pressões para me candidatar à Reitoria da UAç quando ainda tinha por cumprir seis meses de mandato de deputada ao Parlamento Europeu. Nem tão pouco optei pela solução, que também me foi apontada, de acumular as duas funções. Por exemplo, tenho dificuldade em compreender como é que um líder da oposição, empenhado em fazer um programa de governo para os próximos anos de Portugal (suficiente para ultrapassar todos os problemas que aponta à governação actual), continua a ser Presidente da Câmara?! Talvez ingenuamente, diria que as duas funções exigem ser desempenhadas a tempo inteiro…! Em ambos os casos não se trata de um problema legal mas de uma questão moral.

Porém, não sou fundamentalista em relação às situações apontadas e considero que cada situação merece uma ponderação particular. Em ambas podem existir circunstâncias que justifiquem ou recomendem mesmo a cedência de uma posição, confiada pelo povo, por uma outra que entretanto surge como uma oportunidade. Por isso, não sou nem nunca fui crítica de Durão Barroso. Ele deixou a Presidência do Conselho de Ministros para se tornar Presidente da Comissão Europeia, uma posição em que a sua acção em prol Portugal seria muito mais forte e eficaz, o que aliás se veio a confirmar e eu testemunhei em primeira mão. Poder-me-ão dizer que a sua opção foi feita pelo desejo de poder ou de prestígio, ou mesmo por vaidade pessoal… Não sei, ainda que acredite que esses sentimentos não terão estado ausentes. Mas o que indubitavelmente sei é que o compromisso com Portugal se manteve e foi mais bem servido do que poderia ter sido mantendo-se como Primeiro-Ministro. Afinal, primeiros-ministros há muitos e vão-se sucedendo; um Presidente da Comissão Europeia português certamente não se repetirá durante muitos e muitos anos.

E assim é também com reitores e com presidentes de câmara, sucedem-se; mas, afinal, também se sucedem certamente os presidentes da Atlânticoline.

Patrão Neves
www.mpatraoneves.pt

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