Aos 13 anos lagoense bicampeã nacional de Karaté tem 88 medalhas e 6 troféus

Foto: DL

Sara Pereira é atleta do Clube de Karaté de Lagoa e é conhecida dentro e fora da modalidade somando vitórias a cada combate. O Diário da Lagoa falou com a lagoense natural de Santa Cruz, no último treino antes de ter sido decretado o estado de emergência, e quis saber quem é a atleta e o clube que ela representa

Em casa e para os amigos, Sara é Sica. É assim que carinhosamente a chamam. É determinada e responde de forma pronta a qualquer pergunta. Quer ser polícia mas não sem antes vestir a camisola da seleção nacional de Karaté e, quem sabe, ser campeã europeia. A paixão pela modalidade já lhe valeu quase uma centena de medalhas em apenas 7 anos.

DL: Como é que tudo começou?
O meu treinador decidiu ir ao meu ATL dar aulas e disse para eu atacar com aqueles socos e pontapés, na altura eu não tinha jeito mas experimentei e fui. A minha mãe na altura não me deixava vir porque ela dizia que eu já era maluca de mim própria mas eu quis vir na mesma, gostei e continuei até agora.

DL: O que sentes quando estás combatendo?
Sinto aquela adrenalina para atacar a adversária, sempre fui doida pelos combates e é sempre nos combates que quero ficar.

DL: É difícil conciliar a escola com o Karaté?
Sim porque venho treinar praticamente todos os dias mas eu consigo e apanho boas notas.

DL: Como é que explicas o teu sucesso?
Já completei vários objetivos como o último de conquistar os Open´s em que combato com muitas nacionalidades e tem sido magnífico. Tenho conseguido muitas medalhas. Agora o meu próximo objetivo é ser campeã europeia mas para isso preciso de entrar na seleção e não consegui.

DL: O que falta para entrares?
O treinador tem que vir cá para ver se sou boa o suficiente. Mas para entrar agora preciso de ganhar mais um campeonato nacional, o próximo, e depois logo se vê.

DL: Pensas em fazer carreira da modalidade?
Para ser sincera, não. Tenho outros objetivos, quero ser polícia. Mas quero chegar ao cinto preto e quero ganhar mais títulos e depois veremos.

DL: O que achas mais importante, a cabeça ou o corpo?
A cabeça é muito importante, é preciso saber como atacar mas sem o corpo não conseguimos fazer os ataques. Precisamos estar muito preparados para o combate fisicamente e ter resistência.

DL: O facto de ires combater ao continente intimida-te ou já não?
Antes sim porque ninguém me conhecia e eu não conhecia ninguém, mas agora passo pelas pessoas e elas já me cumprimentam, conhecem-me em todo o lado.

Foto: DL

“Tenho o privilégio de ter crianças no clube que têm sempre cincos na escola”

Treinador do Clube de Karaté de Lagoa (CKL) há quase 20 anos, António Moniz fala com orgulho da instituição que ajudou a fundar no ano 2000. O CKL nasceu do Dojo Micaelense, um clube pioneiro na modalidade.
Atualmente, o clube lagoense dedicado ao Karaté Shotokan conta com 51 atletas federados dos 4 anos até aos 40. E para além de atletas da terra, o CKL conta com duas irmãs suecas, de 5 e 6 anos. A mãe, à semelhança de outros pais, assiste ao treino das duas filhas. Angélica Bernemark e o marido vieram para os Açores há dois anos e meio. Em conversa com o Diário da Lagoa, a sueca, explicou que chegou até ao CKL porque “recomendaram-nos o clube de Karaté da Lagoa e adoramos, é um sítio óptimo para treinar”. Sobre a comunicação do treinador com as duas atletas, António Moniz diz que a língua não é um problema e “elas percebem tudo por gestos” não havendo, no tapete, obstáculos ao desenrolar da prática. “Tenho o privilégio de ter crianças no clube que têm sempre cincos na escola”, reforça, orgulhoso.
O instrutor diz que “a Lagoa sempre teve meninas muito boas no Karaté que ganhavam tudo a nivel regional”, mas Sara Pereira assume um lugar de inevitável destaque. O treinador diz que a queda para determinada atividade “nasce com a pessoa que tem de ter muito foco e motivação”.

Sara Sousa Oliveira

(Artigo publicado na edição digital de abril de 2020)

Categorias: Desporto, Entrevista

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