André Branquinho a caminho da China depois de 22 anos de ligação ao Operário

Chegou ao fim, pelo menos para já, a ligação de André Branquinho ao Clube Operário Desportivo. O técnico que esteve ligado ao clube durante 22 anos, onde nos últimos seis na equipa principal.

André Branquinho desloca-se já este domingo com destino à China, para trabalhar numa Academia de Futebol na cidade de Shaanxi, ligada ao Wave FC, situado na província de Zhangye.

Ao Jornal Diário da Lagoa, disse ter sido a decisão mais difícil que tomou na sua carreira desportiva, não sendo contudo um adeus, mas mais um “até já”.

André Branquinho diz que a sua ligação ao Operário irá sempre existir, até porque foram 22 anos a servir este clube. “Entrei com 12 e saio com 34”, recordou.

Tratou-se de uma decisão muito ponderada, a nível pessoal e familiar.

Apesar de sair numa altura menos boa do clube, diz sair confiante com o futuro do Operário, uma vez que a direção tudo está a fazer para que o clube regresse aos patamares onde já esteve durante vários anos.

Nesta entrevista o técnico referiu que a decisão de ir para a China ficou a dever-se a dois motivos fundamentais. O primeiro, pelo entusiasmo que foi transmitindo por parte dos responsáveis do clube chinês; o segundo, por achar que está na hora de deixar o Operário e ir à procura de novos desafios.

No primeiro motivo, destacou que a direção do COD tudo tem feito para que as coisas corram bem este ano. “Não posso de agradecer ao Presidente, ao Sr. Jorge Medeiros (que voltou num momento difícil e quando muitos abandonaram o clube), ele tem feito tudo o que está ao seu alcance para que tudo funcione da melhor forma possível para o plantel, ao Sr. José Francisco Branquinho, que também tem estado presente sempre que é necessário, assim como ao Pedro Taborda, que apesar de só ter vindo este ano, tem sido incansável na procura das melhores soluções para o clube.

Na hora da despedida, André Branquinho pede aos adeptos para apoiarem esta equipa, porque são miúdos, tem muitos jogadores com 18, 19 anos, e onde a média de idades dos jogadores aptos a jogar ronda os 20 anos, portanto, uma equipa muito nova mas com muito potencial.

Reforça que durante as seis semanas de trabalho, demonstraram uma atitude e um compromisso enorme, o que deixa-o descansado na hora da partida.

A segunda razão da sua decisão teve a ver com a abertura de uma porta no estrangeiro, onde as pessoas demonstraram muita vontade e crer para que o André Branquinho fosse para este novo projeto, e não esconde que a parte financeira também foi muito aliciante.

“Está na hora do André experimentar outras frentes, muito difícil, mas a vida de treinador passa por ai”, reforçou.

Na hora da sua saída, deixa uma palavra de agradecimento ao clube por tudo o que fez por ele, considerando que o Operário fez mais pelo André Branquinho do que este tenha feito pelo clube, embora tenha tentado dar o seu melhor.

Sentiu-se sempre querido e desejado pelo clube e pela massa associativa, não esquecendo uma série de pessoas que foram importante para a sua carreira no Operário.

“Aos meus treinadores enquanto jogador das camadas jovens, especialmente ao “Ti Jaime Tavares”, porque talvez foi quem mais me influenciou para treinar jovens e porque foi o meu primeiro treinador no clube. Depois, quero agradecer a quem me acompanhou na minha aventura como treinador de escalões jovens, o Carlos Arraial “Minhoca” e ao Luís Tavares”
Por outro lado, nos seniores, onde foi adjunto, numa primeira fase o mister Jorge Portela, o mister Francisco Agatão que lhe ensinou muito do futebol profissional, e às equipas técnicas que com ele trabalharam e que foram fundamentais para o bom trabalho.

Mas André Branquinho não esquece também os adjuntos com quem trabalhou como treinador principal do COD, caso de Sandro Medeiros, Nélson Silva, Nelo Silva, Pedro Teixeira, Tó Miguel, Hélder Neto e, mais recentemente, Carlos Hortelão, sendo que todos contribuíram para a sua evolução.

O técnico lagoense não esquece igualmente outras pessoas que nem sempre são reconhecidas mas são importantíssimas, o Bento, o Carlinhos, o Liberal Costa e o Dr. António Raposo, pessoas fundamentais na sua prestação e presença no Operário, pessoas que passou muito do seu tempo no clube.

E muitos mais houve, como os diretores que o acompanharam, Fernando Furtado, Francisco Magalhães e Rúben Almeida, não esquecendo o Sr. Jorge Machado.

Segundo André Branquinho a Liga chinesa tem feito uma grande aposta. Vai abrir horizontes, num país que tem apostado forte no futebol. Numa primeira fase vai liderar alguns departamentos dos escalões de formação na academia de futebol, onde vai tentar marcar a sua posição, marcar a sua forma de ser e de trabalhar, tentando abrir portas para no futuro ter outras oportunidades.

“O homem vive de experiências e esta é uma experiência que nos faz crescer”, refere André Branquinho, adiantando que “é preciso sair da nossa zona de conforto e testar os nossos limites”.

Não se pode ter medo de arriscar e vai com este objetivo para conhecer outras realidades a nível profissional, provando que é capaz de ter outras realidades no seu contexto profissional.

Tentar marcar a diferença com as pessoas que vai trabalhar, esse é o objetivo de André Branquinho, numa cidade com 22 milhões de habitantes, numa realidade completamente diferente, e onde a Academia de Futebol quer estreitar a relação com o futebol sénior, potenciando cada vez mais a sua formação para fornecer a equipa e tornar a seleção chinesa mais forte, dai estarem a contratar treinadores de diferentes nacionalidades para dotar os miúdos de diferentes conhecimentos.

Com a saída de André Branquinho, que orientou todos os escalões de formação do Operário, tendo-se estreado como treinador principal da equipa sénior masculina na época 2012/13, deixando a equipa no Campeonato de Futebol dos Açores, o comando técnico foi assumido por Sidónio Ferreira, antigo jogador de futebol e já treinou clubes no patamar onde o Operário está inserido.

DL

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