Ameaça ou Oportunidade

Adriana Rebelo

Gerente imobiliária

A pandemia da Covid-19 gerou uma crise sanitária e económica inesperada, com efeitos nos comportamentos sociais – coletivos e individuais – tendo um impacto direto no êxito ou fracasso dos negócios, nomeadamente no setor imobiliário e no turismo.
Consoante a perspetiva de cada individuo, mais ou menos pessimista ou otimista, congeminam-se cenários e profecias pouco fundamentadas, esquecendo o fundamental, o denominador comum de todas as crises e até da própria vida – A Mudança.
As crises obrigam nos como indivíduos e sociedade a adaptar e a alterar o nosso plano de vida e nas empresas o seu plano de negócio, de modo a mitigar a ameaça e alavancar as oportunidades.
A história evidencia que as crises também trazem progressos e desenvolvimento para os indivíduos ou para as sociedades que melhor se adaptam e descobrem as oportunidades. A criatividade nasce da angústia. É nas crises que nascem os inventos, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ter sido superado. É na crise que se aflora o melhor de cada um.
Ao que nos diz respeito, Portugal tem tido um comportamento, até à data, exemplar, recebendo elogios de todos os quadrantes. Somos o terceiro país do mundo com mais reservas de hotéis neste verão. Nos Açores conseguimos lidar com esta pandemia de uma forma positiva, o que se deve não só às medidas tomadas pelas nossas autoridades mas também da crescente consciência que cada um tem dos seus direitos e deveres de cidadania. Só existirá uma comunidade de valor se cada um de nós for um cidadão de valor. Esta pandemia veio provar que apesar de algumas exceções, no geral somos um povo de valor. Veio nos ensinar a SER e a ESTAR, e assim pouco a pouco crescer para que possamos ser um povo realizado.
O turismo e o imobiliário nos últimos anos contribuíram para o crescimento económico do nosso país e região. Relativamente ao turismo, tivemos repentinamente um grande fluxo de visitantes e discutia-se sobre os seus efeitos colaterais no quotidiano dos residentes e no meio ambiente. Esta pausa dá-nos a oportunidade de refletir e de nos reposicionar neste mercado e de encontrar uma forma de conservar e preservar as nossas belezas naturais únicas e sublimes para tornar o destino Açores ainda mais apelativo e assim de modo a acrescentar valor para todos os Açorianos.
Estamos a ser presenteados com uma oportunidade única de INOVAR.
No que diz respeito ao ramo imobiliário, é claramente um setor essencial para o nosso crescimento económico. Já provou ser um dos primeiros setores capaz de se reerguer depois de uma crise, conseguindo atrair riqueza e capital ao nosso Pais. O imobiliário é sem dúvida um dos motores principais para relançar a economia. O investimento imobiliário tem gerado anualmente 30.000 milhões de euros e representa 15% do nosso PIB. Gera muito emprego e coleta muitos milhões de euros de impostos. Lamentavelmente tem sido um setor esquecido, e que merecia uma maior dignificação das entidades.
O imobiliário é o que mais atrai investimento estrangeiro. É urgente atrair investimento para voltarmos a crescer.
É um momento de melhorar a transparência no setor e de melhorar a tão falada desburocratização, que tem sido apontado como um fator menos positivo para os investidores. Também é o momento de melhorarmos e nos adaptarmos às novas ferramentas de inteligência artificial que vieram para ficar. Os clientes procuram claramente esta mudança de mais informação digital e mais autonomia. Como a conclusão do negócio imobiliário não depende exclusivamente da vertente económica é preponderante que as relações interpessoais se mantenham. A nova realidade da transição do offline para o Online vem complementar e preencher uma lacuna já detetada em várias áreas de negócios, mas nunca irá substituir o contacto humano. Agências imobiliárias e consultadoria personalizada humanizam a atividade através da transmissão de confiança, valores emocionais, credibilidade e segurança – fatores essenciais para a afirmação do negócio. De facto, o fator humano tem um papel fundamental e inegável. O aperto de mão no momento em que se conclui o negócio é um legado insubstituível.
Apesar da pandemia, os negócios continuam, há sempre quem precise de comprar e quem precise de vender. Em todas as etapas os clientes necessitam de apoio.
Acredito que este momento será mais uma altura de oportunidades do que de fragilidades, para quem souber aproveitar esta fase para se reinventar e melhorar a qualidade do seu serviço.
Olhemos para o futuro com otimismo e garra. Nada será como dantes. Será ainda melhor.

(Artigo de opinião publicado na edição impressa de julho de 2020)

Categorias: Opinião

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