Água de Pau celebra 503º aniversário

“ 1515 – 2018 – Sinais do Tempo, e a sua Trajectória de Um Passado com História”

A Vila de Água de Pau, moldada fisicamente, a partir da urbe que constitui o seu património construído, que tem vindo a saber defender, recuperar e valorizar socialmente, na simpatia, generosidade, e abertura das suas gentes, esta Vila – que tem crescido imenso nas últimas décadas – é, neste início do século XXI, uma Vila moderna e progressiva, amena e acolhedora, que justifica a passagem do viajante, a fixação do investigador, a atenção do estudioso e o carinho dos seus naturais.
(Fotos históricas, antigas (de Ant. I. Vieira, o velho) e recentes (do fotógrafo John Robson, New Bedford) e de Roberto Medeiros – documentam segmentos da vida das gentes desta Terra)

| Breve História da Vila de Água de Pau |

— Costuma-se dizer que, hoje passar por Água de Pau é atravessar um jardim! Mas é muito mais do que isso. É recordar um passado cheio de história. É falar de gente grande que muito fez não só pela sua terra, mas por toda esta ilha, por essa região e até por esse país afora. Cultivando-o, divulgando-o e até defendendo-0.

Atravessar esta linda Vila sem se conhecer a sua história, sem conhecer as suas gentes ou mesmo sem tirar partido da sua riqueza, dos seus valores, da sua beleza, traduzida na dádiva com que a natureza brindou aqueles que aqui tiveram a sorte de nascer e viver. Que desperdício.

Mas hoje, de carro, as pessoas passam por Água de Pau, riscam-na de ponta a ponta, pela via rápida. É quase sempre assim. Coitados! Não sabem o que perdem! São os sinais do tempo!

Antes rasgavam as suas entranhas, Vila Nova abaixo, espevitavam-se pela rua da Trindade, atravessavam o Largo da Praça, esgueiravam-se pela rua do poeta Manuel Augusto do Amaral, fugiam pelo o Caminho Novo e daqui a nesquinha estavam na Amoreirinha, que é como quem dizia, quase na Lagoa.
A vida agora é assim, com as vias alternativas existentes, já poucos passam pelo interior de Água de Pau. É assim, tudo muda com o tempo.

Se hoje Água de Pau é uma Vila detentora de um rico património edificado quer religioso, quer civil, Se é possuidora de um lugar cobiçado por muitos e desejado por tantos, quer pela sua beleza, quer pelo seu micro clima, e a que se dá pelo nome de Caloura.

Se Água de Pau é detentora da serra que tem uma das maiores bacias hídricas de S. Miguel, cujas nascentes abastecem os concelhos de Lagoa e parte de Ponta Delgada.

Se Água de Pau é a única terra dos Açores que tem mais de 20 fontenários públicos com água na torneira e com 4 a correrem 365 dias por ano na via pública. Se Água de Pau tem um “Monte Santo” que atrai muitos penitentes e crentes e visitantes turistas, e donde se disfruta panorâmicas inigualáveis.

Se muita coisa mais Água de Pau tem e não muitos sabem, dá vontade de dizer: Água de Pau não é só a terra onde a porca furou o pico!? É muito mais! – Até nisso ninguém a copia!

Para os primeiros povoadores destas ilhas, Água de Pau foi a terra escolhida por um grupo de famílias do sul de Portugal que detinham algum poder económico e cultural, possuídas dum objectivo, quando decidiram rumar a estas ilhas. Queriam construir uma Vila onde a fertilidade das terras de cultivo e o curso de Água abundasse. E, quando as primeiras embarcações se aproximaram do porto Manuel Afonso Pavão, que ainda o não era, mas viria a ser, e que hoje se conhece por Baixa D’Areia, já alguns que ali vinham teimavam entre si, se a sombra clara que caía a prumo rocha-a-baixo seria água que se despenhava ou se de pau caído sobre a rocha se tratasse. Pelos vistos não interessava entrar em discórdias, breve pois, que estavam perto do destino que os trouxera de tão longe numa caravela. Mas o certo é que hoje o nome de Água de Pau subsiste desde aquela altura em que decidiram chamá-la assim.

Cresceu o povo e assim, como dizem os conhecedores da história, sendo a terra boa e as suas águas “boníssimas” , principalmente as do Paul, foi povoada de gente muito nobre e muito crente e por via disso, a sua igreja foi condecorada com o hábito de Cristo por D. Manuel, em recompensa dos serviços prestados por alguns distintos homens, que à sua custa se armaram e ajudaram o rei a conquistar na Ásia a cidade de Benhammad, e, regressando a casa em 1524, recusaram esta graça para si, aceitando-a para a sua igreja de Nª Sª dos Anjos da Vila Nova de Água de Pau.

Mas a referência mais importante, talvez a mais significativa da História de Água de Pau, é a Carta Régia de El-Rei D. Manuel elevando-a a Vila em 25 de Julho de 1515, sete anos antes da Lagoa gozar tal estatuto. Desconhece-se ainda hoje verdadeiramente, ao certo, porque viria a extinguir-se o antigo concelho de Água de Pau 338 anos depois em 19 de Outubro de 1853. Por ordem do Governador Civil do Distrito de Ponta Delgada, foi indigitado o Administrador da Câmara Municipal de Água de Pau, por falta de recursos de manutenção autárquica, entregar toda a documentação daquela autarquia à de Lagoa, devendo assim Água de Pau integrar-se no concelho de Lagoa.

É sabido que D. Maria II, Rainha de Portugal suprimira 300 dos 605 municípios existentes no território português, que viviam em dificuldades de tesouraria para fazer face à crise que se arrastava no reino. Mas seria possível que numa terra rica de água, moendas e terras de pão ou férteis, com um património construído que metia inveja a outros concelhos, logo no ano de 1853, em que se torna público na ilha um documento que caracteriza Água de Pau, como a vila com mais “pianos”, de S. Miguel, o que por si só significa poder económico e cultural onde dificilmente poderia, como hoje, parecer vestígios de “novos-ricos”?

Seria mesmo verdade que por não ser verdadeiro é que deveria o desmantelamento o concelho de Água de Pau ter sido procedido da mesma forma, por carta régia (ou decreto-lei) tal como foi quando passou de povoado a Vila em 1515. Muitas dúvidas ficam.

No entanto, a extinção do concelho não despromove a Vila de Água de Pau daquele título, mas para que não restassem dúvidas, um grupo de pessoas desta Vila (Professor João Ferreira da Silva, Manuel Egídio de Medeiros, Padre João Botelho Mota) vêm, por sua solicitação, em 26 de Dezembro de 1966, por despacho do então ministro do Interior, Dr. Alfredo dos Santos Junior, Água de Pau, reconhecida Vila.

Foi desta terra que saíram os primeiros letrados, legistas da ilha, como Diogo de Vasconcelos, homem fidalgo que muitos anos foi ouvidor do Donatário da Terra, e, João de Teive, que no reino serviu cargos honrados de Judicatura.

Por outro lado, se em cada sete, seis mal sabiam ler nesta ilha tornou-se necessário aprender e ensinar mais. Abre então em Ponta Delgada o primeiro Liceu sendo ali professor e seu primeiro Reitor, o Padre João José do Amaral, Comissário dos Estudos do Distrito de Ponta Delgada. Tem ainda hoje o seu nome na rua onde nasceu em Água de Pau.

O poeta Manuel Augusto Amaral foi outra figura de destaque ligado às letras e poesia tendo mesmo partilhado um encontro com Antero de Quental em sua casa na rua com o seu nome em Água de Pau.

O Professor João Ferreira da Silva, ilustre professor e vereador da Câmara Municipal de Lagoa salientou-se na defesa intransigente do progresso e das virtudes da sua terra, nas páginas de todos os jornais de Ponta Delgada.

Ainda com nome atribuído a ruas de Água de Pau, destacam-se também o Padre João Botelho Mota, a benemérita Maria dos Anjos Amaral e o comerciante e vereador da Câmara Municipal de Lagoa, Manuel Egídio de Medeiros.

A par da sua rica arquitectura espelhada no seu casario, ermidas, igrejas e casas apalaçadas, existem espaços ajardinados, permanentemente alindados que, se juntarmos a tudo isso o extraordinário cenário dos seus miradouros que os turistas se deleitam a fotografar. Tomamos por exemplo o da Serra e do Monte Santo para a Vila e outro sobre a Caloura, que constituem motivo de paragem obrigatória para os turistas que se deleitam a fotografar e a filmar autênticos quadros que poderiam impressionar o próprio Monet, se aqui ressuscitasse – ele que foi talvez o maior dos pintores impressionistas.

| Este é um Segmento da “História dos 500 Anos da Vila de Água de Pau 1515 – 2015” – RoberTo MedeirOs |

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