Açores é a região do país que apresenta maior carência de Vitamina D

A prevalência de níveis muito baixos de vitamina D nos Açores é 9 vezes mais alta do que no Algarve. A escassa exposição solar e a idade avançada estão entre os fatores que mais contribuem para o défice de vitamina D.

Segundo dados de um estudo recente, apresentado no evento do Fórum D 2018, a carência de vitamina D é muito frequente na população adulta portuguesa.

Apenas 3,6% da população nacional apresenta valores considerados “normais” (≥30ng/mL). Os Açores são a região do país onde o défice é mais acentuado:46.5% da população açoriana avaliada tinha níveis inferiores a 10ng/mL, o que corresponde a carência grave, segundo a Endocrine Society dos E.U.A.

Os grupos populacionais com maior prevalência de carência de Vitamina D, de acordo com o estudo, incluem as mulheres (duas vezes mais que os homens); as pessoas com mais de 75 anos de idade (cinco vezes mais do que as pessoas com 18-29 anos); e as pessoas com IMC superior 30 kg/m2 (obesidade) (duas a três vezes mais do que as IMC 18.5-24.9 kg/m2)). A carência de vitamina D é 18 vezes mais frequente no inverno do que no verão, não só por ser menor a exposição solar, mas porque o sol não tem, nessa época, em Portugal, intensidade suficiente para induzir a produção de vitamina D na pele.

O estudo da Faculdade de Medicina de Coimbra, em colaboração com a Nova Medical School, mostra que um estilo de vida sem prática regular de exercício físico, a obesidade, o tabagismo e uma exposição solar inadequada são fatores cuja modificação pode contribuir decididamente para a diminuição da carência de vitamina D. Contudo, a idade, o género e área geográfica também estão entre os principais fatores de défice de vitamina D, mas não podem ser modificados facilmente.

Os especialistas do Fórum D alertam para a necessidade de se tomarem medidas ao nível da saúde pública que visem combater a carência de vitamina D na população adulta e a implementação de estratégias que podem passar pela suplementação, em função do caso e idade, para obter os níveis recomendados.

As doses diárias recomendadas pelo Governo norte-americano como adequadas para manter a saúde do osso e o metabolismo do cálcio, em pessoas normais, são de:

600 U/dia para crianças e adultos até aos 70 anos de idade
800U/dia, depois dos 70 anos de idade.

Contudo, muitos investigadores e entidades científicas independentes consideram que as doses ideais deveriam ser mais altas, na ordem de 2000 ou 3000 unidades/dia, especialmente em pessoas obesas. Importa sublinhar que esta vitamina tem uma elevada segurança, sendo necessárias doses muitíssimo elevadas para induzir toxicidade.

Apesar dos Açores ser a região do país mais afetada, este estudo mostra que 66,6% da população adulta portuguesa apresenta carência de vitamina D. Com estes resultados o Fórum D procura sublinhar a necessidade de implementação de medidas de saúde pública de forma a minimizar esta situação a nível regional e nacional.

DL/FD

Categorias: Regional, Saúde

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