À tareia rapaziada trava amigos do alheio

“(…) não é ficção, é verdadeira esta história

Roberto Medeiros

Há terras onde o sistema de segurança duma comunidade pouco ou nada consegue evitar os amigos do alheio de entrarem durante noites seguidas, semanas a fio, em casas onde os proprietários se ausentaram ou quando estão em casa sozinhos, ou até ausentes no hospital dando os últimos sinais de vida, morrendo.

Enquanto isso, os tais amigos do alheio, ‘rapazins’, arraia miúda até, que aprenderam nos filmes, como se devem estrategicamente se posicionar, nas horas remotas da noite e, por vezes, mesmo durante o dia, para depois ‘atacarem’ as casas que constam do ‘plano-de-atividades’ da sua agenda de iniciativas, que contém um plano, cena, sequência e montagem. Eu explico melhor:

Há uma ‘montagem’ intercalando planos de sequências que se desenrolam, simultaneamente, pelo grupinho jovem dos amigos do alheio, em espaços diferentes estratégicos da vila, normalmente convergindo para um encontro no final depois de cada um realizar o seu furto.

Enquanto há atividades comerciais em funcionamento, cada elemento do grupo posiciona-se de 200 em 200 metros um do outro e comunica quando a vila adormeceu, finalmente os bares fecharam e a padaria fecha a porta aos habituais clientes ´do pão-quente da noite’.

Eles sabem a que horas vai passar a ronda da Polícia. Ainda a viatura vem longe, mas já conhecem o barulho e as cores da mesma e por isso escondem-se até o trajeto habitual da polícia terminar e deixar a vila.

Nessa altura, noite após noite, seguidas ou alternadas, os jovens amigos-do-alheio ‘atacam’ as casas que selecionaram: onde vivem idosos, viúvas, senhoras que não sabem se defender, doentes, ou, ainda casas que julgam estarem seus donos ausentes. Não roubam nada de muito valor, mas algo que seja fácil de vender para adquirirem droga.

Duma vez, uma senhora está deitada e quando pensa que é o neto que regressa a casa ou a vem visitar, não se amedronta com o sacudir da porta da entrada ‘frágil’, embora se interrogue porque o neto não levou a chave consigo? Depois, para retirar sua dúvida liga ao telemóvel do neto para lhe perguntar se quer que ela se levante e vá abrir-lhe a porta? Do outro lado o neto responde-lhe, mas não estava à porta. Não era ele e ela enerva-se. O ladrãozeco desiste. A porta que parecia velhinha e frágil, não cede e vai-se embora. Ao sair da canada dá de caras com o neto que vinha em socorro da avó e ‘já-se-sabe’, prega-lhe uma grande tareia, sem dó nem piedade. Mas, não faz queixa à polícia.

Noutra banda da vila, outro teve também azar e as ‘sacas’ de batata ainda iam pela porta do cavalo a caminho de quem as tinham encomendado e já começou a levar a sua respetiva ‘tareia’ também, doutro jovem, bem constituído, filho do dono da casa. Mas, que não fez queixa na polícia.

Uma das mais macabras cenas, foi quando o dono duma casa, levado ao hospital muito doente, ali faleceu enquanto ao mesmo tempo estava a sua casa a ser assaltada pelos tais jovens amigos do alheio. Estes, não levaram tareia. Safaram-se.

Noutro dia, outros amigos do alheio, ou os mesmos, levam outras tareias, mas outras cenas de ‘montagem’ vão intercalando e planos de sequências se vão desenrolando, dia após dia, semana após semana! Nunca fazem queixa à polícia porque o ladrão ainda vai trazer indeminização para casa por lhe terem batido, como já ocorreu.

Hollywood – convite

Quem quiser ‘participar’ dessas ‘cenas’ ou apenas ‘assistir’ o que tem de fazer é vir, na calada da noite, em carro velho, com um farol ‘avariado’ apagado e, será bem vindo à cena, porque, de certeza, não é a ronda da Polícia a vir fazer a sua volta à vila!

O filme

O que vou fazer com isso tudo? Um filme, claro!

Tenho os atores, as ‘cenas-de-montagem, a vila, os lugares e as casas onde se realizaram as mesmas! Basta pedir aos espoliados a autorização para se repetirem os furtos, assaltos e as tentativas de saque!

Se se pagar um dinheirinho a cada um dos atores, amigos do alheio e espoliados ou roubados, todos ficam a ganhar e vão aparecer no filme!

O mais difícil será alugar uma viatura da polícia, mas talvez não seja se se entender que isso poderá servir para o Ministério Público lhes conceder mais viaturas e mais agentes, para que possam realizar melhor o seu trabalho e apanhar os amigos do alheio.

 

Categorias: Opinião

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