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A cirurgia da coluna hoje é mais segura do que imagina

Gonçalo Fernandes de Freitas
Neurocirurgião especialista em patologia da coluna
no Hospital CUF Tejo, Hospital CUF Sintra e Hospital CUF Açores

Falar de cirurgia da coluna é falar do tratamento de problemas muito comuns, como as hérnias discais, o estreitamento do canal vertebral ou o deslizamento de vértebras, alterações frequentemente associadas ao desgaste natural da coluna ao longo da vida.

Apesar de serem situações bem conhecidas pela medicina, a cirurgia da coluna continua rodeada de receios e ideias feitas que nem sempre correspondem à realidade. Muitos destes mitos resultam de experiências isoladas ou de relatos antigos, que não refletem a evolução significativa desta área nas últimas décadas. Hoje, graças à maior experiência dos cirurgiões, ao volume elevado de procedimentos realizados e aos avanços tecnológicos, a cirurgia da coluna é, na grande maioria dos casos, um tratamento seguro e eficaz.

Um dos receios mais frequentes é o risco de paralisia. No contexto das doenças degenerativas da coluna, esse risco é atualmente muito baixo, com uma incidência inferior a 1%. Outro mito comum é a ideia de que a cirurgia só deve ser considerada quando a dor se torna insuportável ou quando já existe dificuldade em andar. De facto, o tratamento destas patologias começa, quase sempre, por uma abordagem conservadora, que inclui medicação, fisioterapia e adaptação temporária da atividade física, com bons resultados na maioria dos doentes. No entanto, quando estas medidas falham ou quando existe compressão prolongada dos nervos ou da medula, a cirurgia pode ser necessária para evitar danos irreversíveis e permitir a recuperação.

Há também quem acredite que a cirurgia da coluna “não resulta”. Tal como em qualquer tratamento médico, o sucesso depende de um diagnóstico correto, de uma técnica adequada e de um acompanhamento pós-operatório estruturado. Quando bem indicada, a cirurgia apresenta taxas de sucesso elevadas a longo prazo, sobretudo quando integrada num plano de reabilitação que inclui fisioterapia e vigilância clínica.

Outro mito persistente é o de que não é possível retomar uma vida normal após uma cirurgia à coluna. O objetivo principal da intervenção cirúrgica é aliviar a dor, melhorar a função e proteger as estruturas nervosas. Com técnicas cada vez menos invasivas e melhores cuidados anestésicos, muitos doentes recuperam rapidamente, regressando gradualmente às suas atividades diárias. A maioria consegue retomar a sua rotina entre algumas semanas e alguns meses, dependendo da complexidade da cirurgia.

Existe ainda a ideia de que quem é operado uma vez terá inevitavelmente de ser operado novamente. Embora a coluna sofra um processo natural de envelhecimento, a maioria dos doentes não necessita de novas cirurgias. Por fim, importa reforçar que nem toda a dor nas costas exige avaliação por um neurocirurgião. No entanto, sintomas como perda de força, alterações da marcha, formigueiros persistentes, dor noturna intensa ou alterações do controlo urinário ou intestinal justificam uma observação médica especializada atempada.

Estar atento aos sinais do corpo e não adiar a avaliação médica é um passo essencial para proteger a saúde da coluna e garantir melhor qualidade de vida a longo prazo.

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