A ascensão da Extrema-Direita em Portugal: do populismo ao 3.º lugar

Mário Rui Pacheco
Economista e empresário

Os portugueses assistiram infelizmente, no passado domingo, ao crescimento do único partido da extrema-direita em Portugal. Mas é o que é, e ficará certamente para a história. O voto foi dado por 385.000 portugueses, que demonstram assim a sua falta de respeito pela democracia e pela liberdade.

Assim, o partido Chega, deixa de ser o tão falado partido de um só deputado, para passar a ter nada mais nada menos do que 12 deputados nacionais. Porém não deixa de ser um partido de uma figura só e de perfeitos desconhecidos. São só 385.000 pessoas que votaram (in)conscientemente num partido de protesto. O povo disfarça assim o radicalismo. Mas na verdade desconfia das instituições.

O que se esquecem é que um só único deputado demonstrou ser perigoso para Portugal, inclusive com várias demonstrações públicas de atentado aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Agora com doze deputados desconhecidos até ao momento, será este um partido que continuará a verificar esta tendência natural?

E será que não mostrou que apesar de pertencer ao mercado político minoritário, o populismo atrai? Será que o povo concorda com a crítica aos ciganos? Facto é que é o bastante para se fazer notar.

António Costa disse “estou pronto para dialogar com todas as forças políticas, com exceção do Chega”.

Mas insistindo nos doze deputados, devemos olhar para quem são eles e a forma em modo trampolim em que surgem, isto porque, na sua maioria, ou tem antecedentes marcados por passagens relâmpago em outros partidos ou fizeram parte dos que tem agora morte presumida.

Será que serão os onze, sim os onze, capazes de desempenhar o legado do seu “ídolo” Ventura, quando o mesmo não estiver presente no parlamento?

Pois, há factos que não se falam. Ventura, foi um dos deputados que mais faltas deu no parlamento, na última legislatura, ainda que curta tenha sido.

Deste modo, Ventura não passará pelos pingos da chuva como tem passado até então, até porque lá estarão os onze que não tem o mesmo discurso populista, que o mesmo possui.

Quem são eles? De onde vem eles? Será que os 385.000 saberão o que consiste a extrema-direita?

Será mesmo que os portugueses terão pensado que Ventura seria o único rosto ou nos restantes deputados? Se estivéssemos nos filmes de ficção era possível. Ou será mesmo que os eleitores, por exemplo, do ciclo do Porto, sabiam que estavam a votar numa pessoa que foi dirigente de topo do grupo terrorista e assassino MDLP, responsável por vários atentados à bomba e ataques aos movimentos democráticos e seus militares no pós 25 de Abril? Ou até mesmo, os eleitores de Faro, que penso nem terem olhado para quem os irá representar na Assembleia da República, porque nem o próprio eleito Pedro Miguel Soares Pinto, poderá lá estar a defender o distrito, porque reside a 380 kms, ou seja, em Portalegre. Será que os eleitores de Faro, não sabiam que não estavam a votar no Ventura?

Categorias: Opinião

Comentários

  1. António Furtado 7 Março, 2022, 15:20

    Não sou do CHEGA mas temos que respeitar o voto popular. Este cronista não é isento porque dá até pena quando ele diz que este partido (CHEGA) teve só 385000 votos. E quantos votos teve o BE e o PCP? Na vida temos que ser honestos e coerentes e não tentar enganar quem lê artigos desta natureza.

  2. Manuel Daniel Mota Tavares 5 Março, 2022, 22:35

    Respeite quem votou no CHEGA ! São portugueses que exerceram o seu direito de voto livremente ! Por coerência, torne extensivo o seu comentário ao BE e ao PCP ! Como muito bem sabe ambos são contra a EU e NATO ! Se a votação fosse neste momento NENHUM DELES teria assento na Assembleia da República por razões de todos conhecidas ! Haja coerência !

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